Jornal do CAECO

Archive for the ‘Rebeliões’ Category

POR QUE MARCHAMOS?

No Brasil, marchamos porque aproximadamente 15 mil mulheres são estupradas por ano, e mesmo assim nossa sociedade acha graça quando um humorista faz piada sobre estupro, chegando ao cúmulo de dizer que homens que estupram mulheres feias não merecem cadeia, mas um abraço; marchamos porque nos colocam rebolativas e caladas como mero pano de fundo em programas de TV nas tardes de domingo e utilizam nossa imagem semi-nua para vender cerveja, vendendo a nós mesmas como mero objeto de prazer e consumo dos homens; marchamos porque vivemos em uma cultura patriarcal que aciona diversos dispositivos para reprimir a sexualidade da mulher, nos dividindo em “santas” e “putas”, e muitas mulheres que denunciam estupro são acusadas de terem procurado a violência pela forma como se comportam ou pela forma como estavam vestidas; marchamos porque a mesma sociedade que explora a publicização de nossos corpos voltada ao prazer masculino se escandaliza quando mostramos o seio em público para amamentar nossas filhas e filhos; marchamos porque durante séculos as mulheres negras escravizadas foram estupradas pelos senhores, porque hoje empregadas domésticas são estupradas pelos patrões e porque todas as mulheres, de todas as idades e classes sociais, sofreram ou sofrerão algum tipo de violência ao longo da vida, seja simbólica, psicológica, física ou sexual.

No mundo, marchamos porque desde muito novas somos ensinadas a sentir culpa e vergonha pela expressão de nossa sexualidade e a temer que homens invadam nossos corpos sem o nosso consentimento; marchamos porque muitas de nós somos responsabilizadas pela possibilidade de sermos estupradas, quando são os homens que deveriam ser ensinados a não estuprar; marchamos porque mulheres lésbicas de vários países sofrem o chamado “estupro corretivo” por parte de homens que se acham no direito de puni-las para corrigir o que consideram um desvio sexual; marchamos porque ontem um pai abusou sexualmente de uma filha, porque hoje um marido violentou a esposa e, nesse momento, várias mulheres e meninas estão tendo seus corpos invadidos por homens aos quais elas não deram permissão para fazê-lo, e todas choramos porque sentimos que não podemos fazer nada por nossas irmãs agredidas e mortas diariamente. Mas podemos.

Já fomos chamadas de vadias porque usamos roupas curtas, já fomos chamadas de vadias porque transamos antes do casamento, já fomos chamadas de vadias por simplesmente dizer “não” a um homem, já fomos chamadas de vadias porque levantamos o tom de voz em uma discussão, já fomos chamadas de vadias porque andamos sozinhas à noite e fomos estupradas, já fomos chamadas de vadias porque ficamos bêbadas e sofremos estupro enquanto estávamos inconscientes, já fomos chamadas de vadias quando torturadas e estupradas por vários homens ao mesmo tempo durante a Ditadura Militar. Já fomos e somos diariamente chamadas de vadias apenas porque somos MULHERES.

Mas, hoje, marchamos para dizer que não aceitaremos palavras e ações utilizadas para nos agredir enquanto mulheres. Se, na nossa sociedade machista, algumas são consideradas vadias, TODAS NÓS SOMOS VADIAS. E somos todas santas, e somos todas fortes, e somos todas livres! Somos livres de rótulos, de estereótipos e de qualquer tentativa de opressão masculina à nossa vida, à nossa sexualidade e aos nossos corpos. Estar no comando de nossa vida sexual não significa que estamos nos abrindo para uma expectativa de violência, e por isso somos solidárias a todas as mulheres estupradas em qualquer circunstância, porque foram agredidas e humilhadas, tiveram sua dignidade destroçada e muitas vezes foram culpadas por isso. O direito a uma vida livre de violência é um dos direitos mais básicos de toda mulher, e é pela garantia desse direito fundamental que marchamos hoje e marcharemos até que todas sejamos livres.

Somos todas as mulheres do mundo! Mães, filhas, avós, putas, santas, vadias…todas merecemos respeito!

            Há menos de um ano atrás, estudantes do Instituto de Economia mobilizaram-se contra a efetivação de uma delação requisitada pela reitoria ao diretor do Instituto de Economia, Mariano Laplane. A instância máxima de poder dentro da universidade buscava nomes de responsáveis pela realização de uma festa no campus, o “Encontro de Baterias”, que tradicionalmente ocorre no Teatro de Arena.

            A cruzada contra as festas caminhava a passos largos. O IFCHSTOCK, maior festa realizada no campus, foi definitivamente proibido no mesmo período. A Polícia Militar ordenou a retirada de todo o material que estava armazenado dentro das dependências do Centro Acadêmico de Ciências Humanas. Não mandou recado. Fez isso presencialmente, e durante uma tarde o que se viu foram dezenas de estudantes carregando milhares de cervejas para fora da Unicamp. Aquela cena marcou, para aqueles que viveram outros tempos, o fim de um projeto de integração dos estudantes entre si e da universidade com o entorno. Um projeto construído, com todas suas contradições, deficiências e limites, pelo movimento estudantil, por jovens que viam a Festa como oportunidade política, para além da retórica dos partidos, dos movimentos, do hoje tão repugnante “esquerdismo”.

            Por esse motivo, o IFCHSTOCK ficou conhecido como a MANIfesta. O fato de ocorrer no espaço público, e ser concebido por aqueles que valorizam este espaço (não em termos contábeis, ou estratégicos, mas em termos de formação cívica, moral, da gestação do respeito e da tolerância frente ao diferente), fazia com que nestas festas fosse fortemente desestimulada qualquer atitude opressiva, seja em relação às mulheres, aos homossexuais, aos gordos e gordas, feias e feios, negros, índios, pardos, pobres etc. Essa concepção de encontro no espaço público reverberava de certa forma para todas as outras festas realizadas na Unicamp. Nesse contexto, muitos mudaram suas concepções. Muitos conheceram pessoas diferentes de si e as entenderam. Beberam cervejas juntos, conversaram juntos, embora isso parecesse impossível caso o isolamento do privado nunca tivesse sido rompido. Não descrevo aqui um conto de fadas, só quero deixar claro que essa era uma oportunidade aberta aos universitários: rever, a partir da utilização do espaço público, suas concepções de classe, seus preconceitos, suas ideologias, a dimensão de sua visão de mundo. Do ponto de vista acadêmico, essas atividades sempre concentraram um gigantesco potencial de fazer valer a universidade como universidade, e não como coleção de especificidades.

            A convivência com as celebrações privadas sempre ocorreu. No caso do IE, elas são majoritariamente representadas pelos jogos universitários, com todas as suas contradições e limites. Nestes eventos, as preocupações com o caráter coletivo e público sempre foram muito pouco respaldadas, embora possamos sim encontrá-las nas atitudes de determinados participantes. Entretanto, são poucos. A maior fonte de diversão são as diversas esferas de concorrência e competição (a melhor equipe, a melhor torcida, o mais bêbado, o mais “causador”, o mais pegador…) e geralmente isso leva a reforçar padrões grotescos de sociabilidade e incitar a reprodução dos signos de “superioridade” tão fortes em nossa sociedade (o machismo, a homofobia, a humilhação, a segregação, o preconceito).

            Há dois dias duas estudantes denunciaram essa faceta dos jogos universitários e das festas. Expuseram provas concretas de como se manifestam entre os estudantes e trouxeram outros casos de igual relevância (o “rodeio das gordas”) para questionar: qual o limite de nossa tolerância? Até que ponto admitiremos sem problematizar, sem se incomodar? Até que ponto a conivência não é uma forma de responsabilidade? São essas perguntas que eu gostaria de ver respondidas não só pelos estudantes, mas pelo diretor do Instituto e por outros que sempre consideraram um absurdo a universidade acolher festas, manifestações culturais, acolher as diferenças.

            O que as eleições do CAECO tem a ver com isso? Tudo. A frieza que o ambiente universitário impõe, em suas relações para dentro e para a fora, faz crescer o discurso de que a integração deve ser atomizada. Deve ser uma “integração separatista”, uma integração para dentro (fascimo). Estar próximo a outros estudantes, a outros setores da sociedade, não é integração, é divórcio da sua função bem definida na burocracia acadêmica. As novas gerações de estudantes, na ausência de um outro testemunho do que seja integrar, devem estar atentas a essas concepções fracas e vazias de conteúdo e construir, na medida em que acumularem forças, novos significados para esses termos. Boicotar jogos e festas poderá ser uma consequência, mas deve ser uma consequência refletida, consciente, crítica e não apenas rebelde. Vivi isso quando busquei “sair” do IE em busca de ar fresco, de liberdade, de afetividade, de amor. E vi que dava tempo de apostar em outros valores, se despojar das bestialidades que estão por aí. Sempre há tempo para o verdadeiro diálogo (o diálogo que é feito com amor, carinho e esperança, não o diálogo defensivo que o preconceito clama para se justificar).

            Por fim, devemos ter em mente o aspecto estrutural de todo esse processo e questionar a concepção das instâncias de poder do que é público e o que é privado. Os estudantes que tanto prezam pela diversão e integração dos alunos do IE estão, por linhas tortas, selando um pacto de mediocridade com as instâncias de poder onde são eles mesmos que perdem, ao não explicitar os problemas crônicos de que padece a Universidade e que tem relação direta com a nossa saúde física e psicológica neste lugar.  Neste contexto, a solução é fazer uma festa aqui, outra acolá. Que me perdoem arautos da masculinidade, mas essa verdadeira pagação de pau para a universidade e para o sistema como um todo é das coisas mais broxantes que podem existir.

 Em apoio a Daphnae e Flávia,

 Taufic 06

Hay hombres (e mulheres) que viven contentos aunque vivan sin decoro. Hay otros que padecen como en agonía cuando ven que los hombres (e mulheres) viven sin decoro a su alrededor. En el mundo ha de haber cierta cantidad de decoro, así como ha de haber cierta cantidad de luz. Cuando hay muchos hombres (e mulheres) sin decoro, hay siempre otros que tienen en sí el decoro de muchos hombres (e mulheres). Esos son los que se rebelan con fuerza terrible contra los que les roban a los pueblos su libertad, que es robarles a los hombres (e mulheres) su decoro. En esos hombres (e mulheres) van miles de hombres (e mulheres), va un pueblo entero, va la dignidad humana. Esos hombres (e mulheres) son sagrados.

Martí 

Dentre as diversas formas de ser sórdido, uma das mais esquivas é pelo uso da anedota, porque ela agride e desautoriza os ofendidos a reagir contra ela.

Duas estudantes do IE e militantes do coletivo feminista Pão e Rosas publicaram um artigo no Jornal do CAECO (ieunicamp.wordpress.com) no qual elas primeiro afirmam a existência de uma ideologia de violência contra mulher na sociedade e, posteriormente, apontam como a mesma coisa se verifica no ambiente universitário específico do Instituto de Economia da UNICAMP: contra alunas e contra funcionárias.

O ponto herético foi criticar o jogo universitário, o evento religioso mais importante no calendário da Atlética. A prática esportiva, nunca deixa de ser, também, uma prática lúdica e cultural. E as dimensões culturais possíveis passam por várias possibilidades construtivas ou não. Nossa intocável entidade reproduz – embora não precisasse – uma espécie de High School Musical do ensino superior.

A crítica feita por elas é a forma como a premissa do esporte é apropriada para reproduzir uma cultura de coisificação e violência contra a mulher entre os estudantes. E a excelente denúncia do machismo é forte, porque ela é notada no seio da insuspeita elite rica, branca, educada, cristã, é dirigida aos seus filhotes irrepreensíveis.

No imaginário machista circulam dois estereótipos categóricos e definitivos sobre a condição da mulher: submissa ou desvairada. A mulher que não se coloca na sua posição de adequação ao homem é a mulher louca que transtorna as relações e o seu lugar social.

A reação ao artigo foi brutal, ferocíssima, infame. No mesmo espaço se registraram inúmeras respostas – a maioria anônimas, outras não – com apologia explícita e chocante da violência contra mulher em geral e contra as duas em específico.

Na noite do dia 20/06 o coletivo Pão e Rosas da qual fazem parte, organizou um ato de exposição – prática recorrente da luta desses grupos – da violência que foi dirigida como resposta ao texto. Houve, por um lado, difusão pública da resposta nominal mais emblemática, registrada no espaço de comentários do Jornal, feita por Renato César Martins Pinto, estudante do curso noturno: “Uma mulher que não sabe diferenciar um hino universitário de estupro, espancamento ou qualquer outra forma de violência realmente merece ser subjulgada.” (sic). (Que fique claro, existem inúmeras outras respostas tão ou mais graves registradas anonimamente ou não no mesmo espaço).

Por outro, houve a coleta de assinaturas para uma nota pública de repúdio ao machismo na universidade, acompanhada da uma discussão conduzida pelo grupo para problematizar a questão, principalmente, entre as mulheres do curso.

Dessa vez a reação foi algo mais que brutal, ferocíssima e infame porque foi temperada com a reação das duas chapas em disputa pelo Centro Acadêmico do Instituto.

A chapa composta por ex-membros da Atlética, uma chapa situacionista porque não propõe o enfrentamento de nenhuma das várias questões críticas que permeiam a universidade, partiu em defesa da vítima: o estudante Renato. Isso mesmo. O estudante que estava sendo constrangido e se tornou um mártir do sacro-direito de subjulgar (sic) uma mulher.

Os advogados de defesa argumentaram por dois lados. Primeiro, ele tem o direito de manifestar suas convicções. Segundo, as agressoras, desvairadas, estavam criando um verdadeiro escândalo com base em exagero e manipulação de agentes subversivos soviéticos estudantes do IFCH. De fato, existem estudantes do IFCH no coletivo Pão e Rosas, o que especialmente causa ojeriza nos estudantes do IE, mas também há estudantes de outras faculdades. Todos eles estavam presentes enquanto parte do coletivo.

Bem, há quem diga que a movimentação toda consistiu num golpe eleitoreiro. Não foi. Antes tivesse sido. Explico.

A posição da outra chapa foi explicitamente: a) não intervir, porque não era um problema especificamente dela, apesar de possuir uma pauta contra opressões em sua carta-programa, tratar-se de colegas e alunas de/em seu Instituto; b) não intervir para não ter sua credibilidade de maneira nenhuma associada ao ato das estudantes, à presença de estudantes do IFCH no IE ou atritos com a sacra-atlética.

Por sorte, os oprimidos não precisam da sensibilidade de terceiros para expressar indignação contra seus opressores. Qualquer cultura é difícil de mudar, principalmente uma cultura opressiva. Mas se é possível, a mudança certamente passa por uma reação à violência, por uma exposição dos agressores e pela expressão legítima da indignação das pessoas ameaçadas.

Mas o que se vê, contudo, é uma reação oportunista de isolamento das estudantes. Acontece, por um lado, pela relativização da agressão e, por outro, pela acusação de desvario. O problema do machismo volta a pairar nas nuvens, quase sem nos tocar, e o caso se reduz a meia dúzia de linhas infelizes contra duas pessoas em particular.

O absurdo dessa situação reflete uma deterioração humana sem tamanho. Uma cultura de opressão que brutaliza mulheres, negros, homossexuais não deve jamais ser naturalizada, relativizada, consentida e muito menos ignorada. Sim, haverá barulho, sim, haverá desconforto, sim, haverão rostos desconhecidos e sim, haverá denúncia pública e irrestrita.

Quero declarar minha total solidariedade e respeito a todas as mulheres que se sentiram ofendidas, principalmente à Flávia, à Daphnae e ao senso de dignidade que carregam. Foram agredidas, sofreram esse assédio moral explicitamente por serem mulheres, mas não foram subjugadas por ninguém, em hipótese alguma, sob quaisquer custos.

 Daniel – Fantasma Jedi

Muitos fatos que acontecem na sociedade nos passam despercebidos. Estamos tão acostumadas à mentira de uma sociedade livre e de iguais condições somada a uma visão fatalista de nossas vidas, que acabamos por naturalizar vários tipos de violência: fome, desigualdade, falta de acesso à água potável e rede de esgoto, analfabetismo, discriminação racial, xenofobia etc. A violência contra a mulher é uma delas: a mulher morta e esquartejada pelo companheiro, a mulher que fica paralítica vítima da violência doméstica, os vários casos de estupros, de abusos, de tráfico de mulheres são capazes de nos sensibilizar, geram ódio, raiva, pena, mas não são capazes de nos mobilizar. Por exemplo, em Campinas, conforme dados da Secretaria de Segurança de SP, só nos primeiros quatro meses desse ano, foram registrados 73 casos de estupro. No estado de SP, em 2011, já ocorreram 2699 casos! Esses dados são reflexos daquilo que ocorre diariamente, e é por nós, mulheres e homens, naturalizado ou banalizado.

Segundo a Unesco, uma em cada três ou quatro meninas é abusada sexualmente antes de completar 18 anos e segundo a ONU, uma em cada em três mulheres será espancada, violentada ou estuprada em algum momento de sua vida. Qual a razão desses dados bárbaros? Na nossa sociedade capitalista patriarcal em que tudo é transformado em mercadoria, desde os direitos elementares para sobrevivência humana até o próprio ser humano e suas relações, as mulheres são vistas pelos homens e por elas mesmas como uma propriedade masculina, um objeto, e não um sujeito independente (num sentido amplo que ultrapassa o conceito meramente financeiro englobando a sua independência plena com relação ao homem, à maternidade, à família), capaz de transformar a realidade. A Igreja, o Estado burguês, a mídia possuem um papel fundamental na difusão dessa visão de mulher enquanto objeto sexual, na qual se destaca o papel reprodutivo e o papel submisso de usufruto do homem.

Essa ideologia que legitima e gera esses atos e esses números inadmissíveis é a mesma que se expressa nas Economíadas. O que a princípio pode parecer apenas um torneio esportivo despido de qualquer conteúdo ideológico revela, num olhar mais atento e crítico, o machismo, a homofobia e o elitismo ocultos. Na Economíadas Caipira do ano passado, vimos um exemplo escancarado (!) nos hinos divulgados em material oficial da Atlética, ou seja, nas músicas que resumem os objetivos e os valores dos estudantes de economia. “Pinga, maconha, mulher e baixaria/quem manda nessa porra é Unicamp economia”, “Ela diz que é gatinha, que seu peito é natural/Diz que sua bolsa Prada foi presente de Natal/Mas eu to ligada na pura realidade/Chupa rola e dá o cu pra pagar mensalidade/ Ela é puta graduada!”, “Aqui só tem coiote louco/Quero beber, quero cheirar/Cuidado biscatinha da Puccamp porque a fodeu vai te pegar!” ou “Essa é a escola que todos desejam, mas poucos conseguem entrar/Você que tentou e não conseguiu, vai pra puta que pariu!” são alguns exemplos dos hinos cantados. 2011 é mais um ano em que esses mesmos estudantes se animam para, nos jogos e nas festas, ostentarem “a melhor escola do Brasil”, cheia de encantos – mas só para os poucos vencedores que passaram no vestibular.

Essa visão está tão presente e tão arraigada nos homens e nas mulheres, que o fato de a Atlética ter uma presidente mulher não é capaz de alterar em nada o caráter machista e opressor das festas, como a festa da Senha; dos trotes, com concursos de miss e elefantinhos; dos eventos financiados e promovidos pela entidade cujo símbolo do coiote com a coiote fêmea estereotipada, dinheiro e cerveja está sempre presente.

Esse não é um fato isolado das Economíadas, está na maioria dos jogos universitários, independente das faculdades que os organizam. No InterUnesp do ano passado vimos a expressão máxima da barbaridade que permeia esses eventos com o “Rodeio das Gordas”, no qual os homens se aproximavam das mulheres que consideravam gordas, as empurravam no chão, montavam em cima e cronometravam quanto tempo conseguiam ficar sobre elas.

É importante lembrar que tanto o InterUnesp, como as Engenharíadas, as Economíadas e outros desses eventos recebem financiamento de empresas privadas, tais como as de cerveja, cuja publicidade machista é difundida na mídia e nesses tipos de festas, e das reitorias das universidades. No IE sabemos que a Atlética já tentou realizar acordos com empresas como o SANTANDER em troca de publicidade para o banco no uniforme dos times e dentro do instituto, além de receber uma verba da diretoria para a realização das Economíadas.

Ao passo que, quando há a tentativa de se contrapor a esse tipo de festa, construindo de forma politizada e consciente uma outra forma de sociabilidade, sem machismo, sem homofobia, sem hierarquia, se propondo a romper com toda a tradição tão reivindicada por essas entidades, como foi no caso do Festival Contra as Opressões promovido pelo DCE da Unesp no ano passado, a resposta dada pela reitoria são processos de sindicância aos alunos organizadores. No IE não é diferente, enquanto temos o auditório negado pela direção para a realização de ciclo de estudos de autores marxistas sob a alegação de que esse não é um assunto de relevância acadêmica, a Atlética tem as portas do auditório escancaradas para a realização do seu “Momento Economíadas”.

Diante de tudo aquilo que denunciamos nas linhas acima não cabe mais aceitarmos os discursos dos que nos dizem que essa é uma questão subjetiva, apenas uma brincadeira, que depende da interpretação individual. Esta é uma situação diante da qual não podemos mais nos calar, achando que é natural. É preciso rompermos o silêncio, é preciso denunciarmos essas atitudes, boicotando esses tipos de eventos, pressionando e discutindo politicamente com e nessas entidades para mudarmos essa realidade bárbara.

Flávia Ferreira, 09, militante do Pão e Rosas

Daphnae Picoli, 09, militante do Pão e Rosas

“Sim, a precarização do trabalho em nosso país tem rosto de mulher. E é justamente aí que reside o perigo desta constatação: o que aconteceria se milhões de mulheres pobres, trabalhadoras terceirizadas, informais, donas de casa, desempregadas, esse verdadeiro exército silencioso, se levantasse de uma só vez contra todas as formas de opressão e contra este sistema que nos explora e superexplora cada vez mais?”[1].

Nosso Brasil do crescimento e desenvolvimento econômico, do Pré-Sal, da Copa do Mundo e das Olimpíadas, incluído entre as maiores economias do mundo, esconde uma realidade muito distinta dessa aí, propagada pelo governo e pela mídia burguesa para todo o mundo. O crescimento que aconteceu com o Governo Lula e continua com o da Dilma ocorreu, como apontam os dados estatísticos do IBGE, com queda no desemprego e maior criação de empregos formais, ocupados principalmente pela força de trabalho feminina. Contudo, o que permanece oculto é que estes postos de trabalho são, na realidade, trabalhos precarizados, sem estabilidade, sem condições decentes no local de trabalho e com contratos flexibilizados – sem garantia de direitos historicamente conquistados, como licença-maternidade, 8 horas diárias de trabalho e auxílios -, permitindo que os trabalhadores ganhem menos de um salário mínino.

Essa realidade do mercado de trabalho que parece tão distante está escancarada na nossa frente. Os terceirizados da limpeza, do bandejão, da segurança, da construção civil aqui da Unicamp são todos empregados com esse tipo de contrato. Trabalham dez horas por dia, inclusive finais de semana, e recebem (líquido) menos que um salário mínimo, não possuem lugar para descansar (no IE, por exemplo, as terceirizadas descansam no bosque porque não possuem um local adequado para ficarem durante o horário de almoço), não possuem direitos trabalhistas, não podem faltar nem se estão doentes porque são ameaçados de serem demitidos, são ignorados pelos alunos, professores e funcionários efetivos, não podem conversar com estes e caso o façam podem sofrer punições, serem demitidos ou transferidos para outra unidade(essa fiscalização aqui na Unicamp tornou-se mais rígida após a tentativa de contato de alguns estudantes com os trabalhadores terceirizados e a mobilização dos primeiros contra a terceirização, no ano passado), enfim, trabalham num regime de semi-escravidão.

A precarização do trabalho, chamada de terceirização, atinge toda a classe trabalhadora, mas está mais presente entre nós, mulheres. Isto porque a mão-de-obra feminina, sendo considerada por nossa sociedade capitalista como inferior à masculina, recebe salários menores e este fato serve como pretexto para que o salário de toda a classe trabalhadora seja rebaixado. Nós, mulheres, ocupamos os postos de trabalho mais precarizados, com menor remuneração e com serviços que são, em sua maioria, extensão do serviço doméstico.

Além desse trabalho realizado em condições desumanizadoras, estas trabalhadoras ainda possuem sob sua responsabilidade o serviço doméstico e o cuidado da família, realizando uma dupla jornada. De acordo com os dados do Ipea, as mulheres chefes de família e com filho trabalham cerca de 13 horas semanais a mais que os homens na mesma situação, realizam 30 horas semanais de trabalho não remunerado, ou seja, trabalho doméstico, e isso é três vezes mais do tempo gasto pelos homens na realização das mesmas tarefas. É importante ressaltar que este trabalho feito em casa é essencial para o funcionamento do capitalismo, pois irá garantir a manutenção da força de trabalho: um trabalhador precisa se alimentar, ter sua roupa lavada, passada, viver em um local limpo, caso contrário não poderá ir trabalhar e tudo isso é garantido dentro de casa, pela mulher, num papel que lhe é socialmente atribuído.

Estas trabalhadoras, ao contrário do que muitos dizem, não realizam funções secundárias dentro da universidade, são parte dela e são essenciais para o seu funcionamento. Contudo, sabemos que embora suas tarefas sejam essenciais para o funcionamento da universidade, a estes trabalhadores e aos seus filhos nunca será dada a oportunidade de ingressar na universidade com outro papel que não este. De acordo com os dados do Inep apenas cerca de 3,5% da população brasileira tem acesso ao ensino superior. O rendimento médio per capita da população é de 1,3 salários mínimos, já o dos estudantes da Unicamp é o dobro disso, 3 salários mínimos. No caso do curso de economia, um dos mais elitizados, essa renda média salta para cerca de 4,5 salários mínimos por pessoa da família.

Além disso, o conhecimento que é aqui gerado não retorna como benefícios para esses trabalhadores, ao contrário, são vendidos para as transnacionais em acordos com a reitoria e o governo do Estado, em troca de financiamento de laboratórios, festas, atléticas, intercâmbios aos estudantes, estágios. Estas são as mesmas transnacionais e empresas –representantes do imperialismo– que (como bem estudamos no nosso curso) no início dos anos 80, sob o pretexto de se ajustar a um ambiente instável de crise – gerada por elas – flexibilizaram, racionalizaram e terceirizaram a sua produção, aumentando os seus lucros por meio da superexploração dos trabalhadores em todo mundo, mas principalmente nos países subdesenvolvidos.

Estes trabalhadores e, principalmente estas trabalhadoras, mulheres, que sentem sobre si o peso da dupla exploração, dentro e fora de casa, não estão calados. Ainda nesse semestre, vimos as manifestações dos trabalhadores terceirizados em Jirau contra as condições precaríssimas de trabalho, numa obra em construção do grandioso PAC, que teve como resposta do governo federal o envio da Força de Segurança Nacional. E mais perto de nós, na USP, as trabalhadoras terceirizadas da limpeza também realizaram uma greve porque estavam trabalhando ser receber salário já havia três meses, um fato que era agravado pela razão da firma ter declarado falência. Uma greve que, no início, reivindicava apenas recebimento dos salários, transformou-se em uma luta contra a terceirização e pela efetivação sem concurso público dessas trabalhadoras, bandeira levantada também por nós do Pão e Rosas, pois se o objetivo do concurso público é provar a capacitação dessas trabalhadoras para exercerem as suas funções, a maior prova que podemos ter é o fato daquelas já as exercerem.  O apoio do SINTUSP (Sindicato dos funcionários da USP) e dos estudantes (que foram chamados pelas trabalhadoras a saírem das salas de aula e lutarem com elas) teve como resultado o pagamento dos seus salários pela Reitoria da USP, apesar de não terem sido efetivadas. É importante ressaltar que a Reitoria da USP a princípio tinha se negado a pagar estes direitos às trabalhadoras, sob a alegação de que isso era de responsabilidade da empresa que as contrataram, contudo, em razão das mobilizações, dos piquetes, dos atos e manifestações, da lutas destas trabalhadoras em aliança com os estudantes esse pagamento foi arrancado da Reitoria.

O movimento estudantil e os centros acadêmicos (especialmente este aqui, de economia, cujos alunos estudam esta questão diariamente) devem estar juntos na luta com e por estas trabalhadoras, numa perspectiva clara de uma democratização ampla e radical do acesso ao ensino superior público, gratuito e de qualidade, para que este tipo de trabalho realizado em condições desumanas não ocorra aqui na universidade e nem em local algum. Para que essa grande maioria, que não entra na universidade senão para limpar salas que nunca irão usar, construir prédios nos quais os seus filhos nunca poderão estudar, tenham acesso à universidade. Não podemos mais fechar os olhos e estudar em silêncio numa Universidade que explora trabalho semi-escravo de mulheres e homens para funcionar.

Nós, do grupo de mulheres Pão e Rosas, acreditamos que diante dessa realidade não adianta lutarmos sozinhas, é necessário que nós, mulheres, nos organizemos, para que juntas, nos aliando com os setores mais oprimidos da sociedade, consigamos exigir e arrancar os nossos direitos, tal qual nos ensinaram as trabalhadoras terceirizadas da USP. A nossa luta não deve ser contra os homens, mas sim contra esse sistema capitalista e patriarcal que nos explora e nos oprime diariamente – nos impondo dupla jornada de trabalho, exigindo de nós padrões de beleza inalcançáveis – e que necessita manter e perpetuar o machismo, a homofobia e o racismo pra funcionar. A emancipação da mulher, a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática, não virá por meio da chegada ao poder de uma ou outra mulher, que no final estão lá não para representar as milhares de trabalhadoras, tais como as terceirizadas, mas sim para atender ao interesse de uma pequena elite, da classe burguesa. Somente a partir da nossa auto-organização e da nossa luta anticapitalista e antiimperialista numa perspectiva classista poderemos mudar esta realidade.

Flávia Ferreira, 09, militante do Pão e Rosas
Daphnae Picoli, 09, militante do Pão e Rosas

[1] A precarização tem rosto de mulher, ORG. Diana Assunção. Ed. ISKRA, 2011.

Por muito tempo a Democracia foi ovacionada como forma de regime inerente a qualquer processo de desenvolvimento capitalista econômico e social. As ideologias nela embutidas – liberdade, individualidade, representatividade, etc. – são consideradas essenciais à vida político-social contemporânea. Entretanto, diversos acontecimentos recentes têm trazido à tona o questionamento de se, de fato, a Democracia vem cumprindo seu papel. A gigante mobilização de jovens na Espanha, a qual vem se espalhando por toda a Europa Ocidental, evidencia isso: ali não se reconhece mais no regime democrático, como ele é hoje, uma via de mudança, melhoramento. Não obstante, a Primavera Árabe mostra a outra face dessa questão: as ideologias nas quais a democracia deveria se basear são almejadas, mas até que ponto na prática a Democracia já não se esvaziou delas e se tornou apenas mais um artefato do status quo?

Tanto em nosso curso de Economia quanto em debates paralelos realizados pelos próprios estudantes,as interpretações mais coerentes para cenários conflitantes como este parecem ser as totalizantes: parte-se da apresentação das relações causais sistêmicasdos dilemas sociais, tal qual a apropriação de conceitos marxistas, com os quaisse defende que a hegemonia do capital por meio de relações de poder desiguais aprisiona a lógica de funcionamento de todas as esferas da sociedade. Mesmo o tão aclamado Estado Democrático de Direito estaria submetido ao capital, tendo sua funcionalidade original (“governar para todos”) distorcida (“governar para poucos”). Dentro dessa ótica, percebemos como é impossívelcompreender as relações locais, e mesmo globais, sem antes entendermos os fatores estruturais do sistema capitalista.

Apesar de essa ser uma leitura de mundo extremamente coerente e bem formulada, indispensável para a formação crítica de qualquer indivíduo, sinto que há nela um grande defeito no que diz respeito às possibilidades de solução e intervenção diretanos problemas político-sociais tão latentes na sociedade contemporânea – ainda que convençamos o mundo inteiro de que os dilemas capitalista-democráticos são fruto do próprio sistema, se não demonstrarmos qual o papel do cidadão dentro da superação desses dilemas, poderemos estar simplesmente alimentando no consciente das pessoas a ideia de que “não tem jeito”, “o sistema é assim e não há como muda-lo”. Daí, um discurso o qual em princípio tem o intuito de estimular a transformação, pode fazer o papel inverso, reafirmando o ideário fatalista. Por isso, considero de fundamental importância que tanto a Academia quanto os próprios estudantes parem de negligenciar um assunto tão importante, passando a discutir não só sobre quais as causas, mas também quais as possibilidades concretas de transformaçãoviaação individual earticulação coletiva, das quais são exemplos as mobilizações descritas no início. Do contrário, nunca sairemos do âmbito das abstrações e nossos debates continuarão esvaziados de sentido.

Para tanto, um primeiro passo me parece ser entender como nos articulamos no espaço, ou seja, qual o nível de alcance de nossas açõesdentro da localidade imediata. Em palavras mais simples: dentro do nosso cotidiano (faculdade, trabalho, casa, etc.) o que pode ser feito? E devo ressaltar que não estou tentando, tal qual fazem diversas teorias de cunho ortodoxo, atribuir aos indivíduos a responsabilidade total do alcance do “bem-estar geral”, mas antes, ressaltando que nenhuma transformação nasce do vento, sem que antes os próprios indivíduos venham a busca-la. Se quisermos uma Democracia verdadeiramente democrática (perdão pela redundância, mas se sou redundante é só porque deixamos que a palavra se esvaziasse de seu próprio significado…) e um país mais justo é necessário que a sociedade reaprenda seu papel dentro de tal regime; e tal papel jamais pode ser o de espectador, o de agente passivo.

Nesse sentido, no que tange à articulação no espaço em prol de transformações para uma sociedade melhor, acredito que as ações individuais têm importância fundamental: a não ser que as pessoas, dentro de seus locais de vivência particular, reavaliem seu modo de vida (repensando se vale a pena ter valores como o individualismo exagerado, o consumismo desenfreado, a passividade política, entre outros que muitos não admitem carregar, mas carregam, como machismo, homofobia ou outros preconceitos em geral) a sociedade não poderá evoluir pelas vias democráticas, pois permanecerá a Democracia enquanto aglomerado de gente com interesses social, ambiental e politicamente destrutivos. Pode soar um tanto quanto ingênuo dizer que o desenvolvimento por vias democráticas depende da mudança de mentalidade e também, em certa medida, de altruísmo; mas insisto na ideia, porque me parece contraditório a possível existência de um cidadão que ao mesmo tempo em que luta por uma sociedade melhor, tem hábitos completamente opostos ao que almeja.

Entretanto, apesar de considerar a ação individual importante, acredito que é a mobilização coletiva a maior ferramenta para seprezar pelos princípios do regime democrático – e, porém, a mais negligenciada. Daí a importância de esclarecer o que entendo por mobilização coletiva, pois a alienação de todos nós em relação aos espaços nos quais poderíamos intervir é tão grande, que o termo “mobilização coletiva” logo é considerado distorcidamente por muitos como ‘coisa de esquerdinha’ ou até ‘delinquência’. Por articulação coletiva quero dizer qualquer manifestação política, ou expressão artística, ou produção de textos, ou qualquer coisa externa ao indivíduo e sua própria bolha, feita em conjunto com outras pessoas.Trata-se não só de ter a capacidade de romper com a ‘naturalidade’ de uma vida enraizada num individualismo exacerbado no qual somos todos estranhos uns aos outros, como também de gerar qualquer contraponto (estético, de discurso, de qualquer formato!) dentro da rotina incessante na qual estamos imersos.

A Democracia está longe de ser a solução para as contradições capitalistas – e talvez em grande medida seja por vezes usada para reproduzi-las… -, contudo, quando a articulação social é capaz de ocupar os espaços de expressão que por princípio devem existir nesta forma de governo, podemos dar um pequeno passo em direção a princípios tão importantes quantoa própria liberdade: equidade, justiça, respeito aos Direitos Humanos. Por isso, gostaria de dirigir este texto não àqueles que o leram e agora estão de perguntando “E eu com isso?”, mas àqueles que, ainda que discordem de absolutamente tudo o que eu disse, queiram pensar um país melhor, uma Democracia melhor. Se discordam de mim: escrevam, se expressem. Se concordam comigo: escrevam, se expressem. Precisamos reocupar os espaços reservados para nós, sociedade, dentro disto tudo. Precisamos, tal como dizia Paulo Freire, abandonar essa estúpida mentalidade da passividade, do ‘ser menos’ e substituí-la pela do ‘ser mais’, do ser agente transformador.

Jéssica (Pocahontas) 09

*DIFUNDIR> Propuestas asamblea acampada Sol> Lo que pide Sol*

el Viernes, 20 de mayo de 2011 a las 16:14

Hola amig@s, estas son las propuestas aprobadas en la
asamblea de la protesta de Sol. Dificilmente se oirán en los medios y la
página web no para de caerse así que está bien difundirlas por email.

Abrazos!

Haced un esfuerzo para leerlas!!

Estas son algunas de las medidas que, en cuanto ciudadanos, consideramos
esenciales para la regeneración de nuestro sistema político y económico.
¡*Opina sobre las mismas y propón las tuyas en el foro*!

1. ELIMINACIÓN DE LOS PRIVILEGIOS DE LA CLASE POLÍTICA:

o   Control estricto del absentismo de los cargos electos en sus
respectivos puestos. Sanciones específicas por dejación de funciones.

o   Supresión de los privilegios en el pago de impuestos, los años de
cotización y el monto de las pensiones. Equiparación del salario de los
representantes electos al salario medio español más las dietas
necesarias indispensables para el ejercicio de sus funciones.

o   Eliminación de la inmunidad asociada al cargo. Imprescriptibilidad
de los delitos de corrupción.

o   Publicación obligatoria del patrimonio de todos los cargos públicos.

o   Reducción de los cargos de libre designación.

2. CONTRA EL DESEMPLEO:

o   Reparto del trabajo fomentando las reducciones de jornada y la
conciliación laboral hasta acabar con el desempleo estructural (es
decir, hasta que el desempleo descienda por debajo del 5%).

o   Jubilación a los 65 y ningún aumento de la edad de jubilación hasta
acabar con el desempleo juvenil.

o   Bonificaciones para aquellas empresas con menos de un 10% de
contratación temporal.

o   Seguridad en el empleo: imposibilidad de despidos colectivos o por
causas objetivas en las grandes empresas mientras haya beneficios,
fiscalización a las grandes empresas para asegurar que no cubren con
trabajadores temporales empleos que podrían ser fijos.

o   Restablecimiento del subsidio de 426EUR para todos los parados de
larga duración.

3. DERECHO A LA VIVIENDA:

o   Expropiación por el Estado de las viviendas construidas en stock que
no se han vendido para colocarlas en el mercado en régimen de alquiler
protegido.

o   Ayudas al alquiler para jóvenes y todas aquellas personas de bajos
recursos.

o   Que se permita la dación en pago de las viviendas para cancelar las
hipotecas.

4. SERVICIOS PÚBLICOS DE CALIDAD:

o   Supresión de gastos inútiles en las Administraciones Públicas y
establecimiento de un control independiente de presupuestos y gastos.

o   Contratación de personal sanitario hasta acabar con las listas de
espera.

o   Contratación de profesorado para garantizar la ratio de alumnos por
aula, los grupos de desdoble y los grupos de apoyo.

o   Reducción del coste de matrícula en toda la educación universitaria,
equiparando el precio de los posgrados al de los grados.

o   Financiación pública de la investigación para garantizar su
independencia.

o   Transporte público barato, de calidad y ecológicamente sostenible:
restablecimiento de los trenes que se están sustituyendo por el AVE con
los precios originarios, abaratamiento de los abonos de transporte,
restricción del tráfico rodado privado en el centro de las ciudades,
construcción de carriles bici.

o   Recursos sociales locales: aplicación efectiva de la Ley de
Dependencia, redes de cuidadores locales municipales, servicios locales
de mediación y tutelaje.

5. CONTROL DE LAS ENTIDADES BANCARIAS:

o   Prohibición de cualquier tipo de rescate o inyección de capital a
entidades bancarias: aquellas entidades en dificultades deben quebrar o
ser nacionalizadas para constituir una banca pública bajo control social.

o   Elevación de los impuestos a la banca de manera directamente
proporcional al gasto social ocasionado por la crisis generada por su
mala gestión.

o   Devolución a las arcas públicas por parte de los bancos de todo
capital público aportado.

o   Prohibición de inversión de bancos españoles en paraísos fiscales.

o   Regulación de sanciones a los movimientos especulativos y a la mala
praxis bancaria.

6. FISCALIDAD:

o   Aumento del tipo impositivo a las grandes fortunas y entidades
bancarias.

o   Eliminación de las SICAV.

o   Recuperación del Impuesto sobre el Patrimonio.

o   Control real y efectivo del fraude fiscal y de la fuga de capitales
a paraísos fiscales.

o   Promoción a nivel internacional de la adopción de una tasa a las
transacciones internacionales (tasa Tobin).

7. LIBERTADES CIUDADANAS Y DEMOCRACIA PARTICIPATIVA:

o   No al control de internet. Abolición de la Ley Sinde.

o   Protección de la libertad de información y del periodismo de
investigación.

o   Referéndums obligatorios y vinculantes para las cuestiones de gran
calado que modifican las condiciones de vida de los ciudadanos.

o   Referéndums obligatorios para toda introducción de medidas dictadas
desde la Unión Europea.

o   Modificación de la Ley Electoral para garantizar un sistema
auténticamente representativo y proporcional que no discrimine a ninguna
fuerza política ni voluntad social, donde el voto en blanco y el voto
nulo también tengan su representación en el legislativo.

o   Independencia del Poder Judicial: reforma de la figura del
Ministerio Fiscal para garantizar su independencia, no al nombramiento
de miembros del Tribunal Constitucional y del Consejo General del Poder
Judicial por parte del Poder Ejecutivo.

o   Establecimiento de mecanismos efectivos que garanticen la democracia
interna en los partidos políticos.

8. REDUCCIÓN DEL GASTO MILITAR