Jornal do CAECO

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Vimos por meio desta colocar todo nosso apoio aos estudantes do IE da Unicamp. Os fatos a nós narrados parecem ter saído de um livro de história. Remetem a um período de repressão e censura remonta a ditadura militar. Mas os fatos são de hoje. Em pleno 2010 estudantes ainda são perseguidos por se manifestarem e se colocarem contra os professores.

A punição às festas na Unicamp, inserida num contexto geral de reformas universitárias e de discussão sobre uso do espaço público, tem ligação direta com a repressão aos estudantes do IE, notadamente alguns membros do Centro Acadêmico (CAECO) os quais tiveram seus nomes injustamente enviados à polícia para responderem à intimação policial. Assim, foram reabertos processos judiciais e policiais com objetivo de punir estudantes supostamente e arbitrariamente muitas vezes (como no caso do IE) por organizarem festas proibidas no campus. Instaura-se portanto, um clima de medo e ameaça constantes de novas punições e de entrada da PM no campus e advertências e abertura de sindicâncias  podem ser feitas a qualquer momento para “dar o exemplo” de que não se deve  “desobedecer” a liminar do Ministério Público que proíbe festas na Unicamp. Ademais, vê-se uma clara política de tratamento das manifestações artísticas e culturais estudantis como “caso de polícia”, além de toda a política de privatização da universidade pública. As punições, assim, vão se revestindo nitidamente de contornos políticos os quais evolvem diretamente o movimento estudantil, nesse sentido, a greve no IE, diante das arbitrariedades ocorridas, é reflexo da indignação estudantil com relação à truculência do diretor do IE que por sua vez, acatou ordens do REItor Fernando Costa.

A FENECO (Federação Nacional de Economia) traz essa mensagem de apoio em nome de todos os estudantes de economia do Brasil. É um absurdo vermos nossos colegas serem perseguidos e atacados por pensarem e agirem diferente dos demais. Tais atos promovidos pela direção do IE da Unicamp só evidenciam que as lutas dos estudantes dessa universidade não devem parar. Colocamos-nos a disposição para qualquer ajuda no sentido de fortalecer o Movimento Estudantil e a greve dos estudantes.

NENHUMA PUNIÇÃO AOS LUTADORES!

CONTRA A REPRESSÃO E PERSEGUIÇÃO DOS ESTUDANTES !

POR UM ENSINO CRÍTICO PARA A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL !

Federação Nacional dos Estudantes de  Economia ( FENECO ) – 5 de novembro de 2010

In vino veritas

 Fruto que sou do período da ditadura militar, em que lutávamos contra o arbítrio dentro e fora da universidade, espanta-me a passividade de nossos alunos atuais. São jovens, cada vez mais novos e que trazem um repertório muito restrito de experiências de vida. Muitos nunca visitaram a capital do estado, ou tiveram alguma experiência de participação coletiva, seja em grêmios escolares, partidos políticos, grupos religiosos, ou sindicatos. Em plena ditadura militar, em 1979, acampamos um mês em frente à reitoria da USP na luta por mordia estudantil e, em nenhum momento, a direção da universidade pensou em chamar a polícia ou o exército; talvez por entender que a universidade seja uma instituição na qual as coisas devem ser resolvidas por meio do diálogo e da argumentação fundamentada. Reivindicávamos moradia, ocupamos o Bloco A do campus Butantã e o reitor respeitou a luta dos estudantes. Afinal, foi a mesma ditadura que expulsou os estudantes do CRUSP, em 1968. Hoje, por qualquer ‘de cá uma palha’, vemos a polícia nos campi das universidades públicas paulistas.

 

Uma lei hipócrita e baseada em falso moralismo proibiu o consumo de bebidas com teor alcoólico superior a 4,5 ° GL nos estabelecimentos de ensino do estado de São Paulo. O que se pretende com isso? Diminuir o consumo de álcool no Estado de São Paulo? Alguém se lembra do efeito da lei seca nos EUA? Ou desobrigar as instituições educacionais de exercer seu papel formativo com os jovens? Ao, na prática, impedir a realização de festas nas escolas, o que se faz é empurrar os estudantes para o famigerado “open bar”, no qual bebe-se até o coma. A bebida, que se utilizada de forma adequada, poderia ser um mecanismo de estímulo à socialização, acaba se transformando num fim em si mesmo, com danos irreparáveis à saúde desses jovens.  No caso das universidades, para muitos jovens é a primeira vez que saem de casa. Os pais lhes entregam os filhos, e elas, o que fazem? Adotam uma política de avestruz. Agora, esses jovens estão livres para serem atraídos pelos ‘empreendedores’ dessas falsas festas, nas quais não há lugar para a velha e boa conversa. É essa omissão que se espera de uma instituição que tem, segundo a Constituição, o papel de formar o cidadão? 

Para onde vão nossas festas juninas regadas a vinho quente e quentão? O que será do IX de Agosto, onde o atual Magnífico deve ter participado de boas tertúlias literárias e políticas?

 

O ditado que abre este artigo, existente em quase todas as línguas do mundo, indica que é difícil mentir quando se está sob o efeito da bebida. Será este o objetivo verdadeiro dessa infeliz lei? Proteger a mentira? Vinda de onde vem, é uma hipótese que merece consideração.

 

Tenho certeza, contudo, que a criatividade estudantil inventará um jeito de driblar regras como esta que trazem um forte ranço de fascismo. Não tenho dúvidas de que ainda se pode tomar uma ‘gelada’ no território livre do CA XI de Agosto, nos porões vivos da Academia do Largo de São Francisco e se conversar sobre o que se conversa numa roda de amigos. Tenho convicção de que, em breve, teremos uma cerveja de 4° GL, e um quentão de 3,5% GL para fazermos muitas e gostosas festas nos campi das escolas do estado de São Paulo. Um brinde à convivência sadia e uma vaia à hipocrisia.

 

José Marcelino de Rezende Pinto

docente da FFCLRP

 

 

Rafael Morita (Mijão)

Conselho A.A.A.F.C.F.

Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo

FEA-RP/USP

À Comunidade Acadêmica do IE

 Venho à presença de todos relatar que recebi nesta data uma delegação das três entidades representativas dos estudantes de graduação do IE (Caeco, Atlética e Econômica). Na reunião, que transcorreu das 11:30h às 14:00h e que contou com a presença do Diretor Associado e de representantes da Comissão de Graduação, foi-me entregue uma carta assinada pelas três entidades (que reproduzo em anexo) contendo “cinco questões essenciais para o corpo discente nesse momento”.

Após a leitura dos cinco pontos pelo representante do Caeco, foram feitos esclarecimentos e assumidos compromissos que passo a relatar, depois de dividir os assuntos em dois grupos de questões: as mais atinentes à vida interna do IE (pontos 2, 3 e 4 da carta das três entidades) e aquelas que se encontram na alçada das instâncias superiores da Universidade e que envolvem outras Unidades (pontos 1 e 5 da mesma carta).

Assessoria jurídica e apoio institucional aos membros do Caeco. Nunca houve e não haverá qualquer intenção de colocar alunos do IE em situação de risco de qualquer natureza. Pelo contrário, tudo que fiz desde que recebi a solicitação do Procurador Geral da Universidade foi com o intuito de protegê-los. Neste sentido, reafirmo compromisso que já assumi anteriormente com representantes do Centro Acadêmico de garantir todo o apoio institucional necessário à proteção dos alunos. Aproveito para deixar claro que informei nomes da atual diretoria do Caeco na certeza de que estes, na condição de legítimos representantes dos alunos, são as pessoas indicadas para atestar que não houve qualquer envolvimento do IE na promoção do “Encontro de Baterias” realizado em 2009. Para não haver dúvida, antecipei esta informação na minha carta-resposta à Procuradoria.

Garantia de que não haverá punição ou perseguição. Tendo em vista garantir que as atividades letivas não sejam prejudicadas, tão logo sejam retomadas as aulas a Comissão de Graduação emitirá circular a todos os professores e alunos propondo formas que permitam a reposição de aulas e a realização de outras atividades (provas, trabalhos, seminários) que não puderam ser realizadas, de modo que não haverá motivo para punições ou perseguições. Ademais, seguindo a tradição do IE, a manutenção do diálogo aberto e das práticas democráticas é do interesse de todos.

Reconhecimento da legitimidade do movimento discente. O fato de ter mantida a Direção aberta para receber os representantes discentes e manifestações individuais de alunos durante todo o tempo, inclusive contribuindo com a circulação de informações, testemunha meu reconhecimento sobre a legitimidade deste movimento que nasceu fruto de uma preocupação sincera dos alunos com a possibilidade de que colegas fossem prejudicados. Reafirmo que esta possibilidade nunca foi aventada, de modo que o que se sucedeu foi produto em grande medida de falhas de comunicação. Tivesse esta reunião de hoje com representantes discentes ocorrido na segunda-feira passada como eu pretendia, estou certo que outro teria sido o encaminhamento. Embora o motivo que mobilizou os alunos tenha sido nobre, reafirmo minha convicção de houve instrumentalização política do problema. Da experiência emerge o compromisso de criar um sistema de comunicação mais direto e eficiente entre Direção e corpo discente, com a participação da Comissão de Graduação. Quanto à solicitação de pedido de desculpas aos pós-graduandos Armando e Daniel, não cabe. Da minha parte, não desferi ofensas pessoais a nenhum dos dois. O que há, isto sim, são profundas diferenças de posturas políticas.

Pontos de alçada externa ao IE (boletim de ocorrência e liminar). O encaminhamento das solicitações sugeridas nos pontos 1 e 5 da carta assinada pelas três entidades, do meu ponto de vista é completamente inócuo. As questões envolvidas são complexas e envolvem um processo que vem se arrastando por anos, com crescente acirramento entre as partes (estudantes e vizinhos da Unicamp), culminando em uma situação concreta em que na posição de réu se encontra a Universidade, com as conseqüências nefastas indesejadas por todos. O compromisso que assumo publicamente é o de me empenhar no sentido de tentar construir uma saída apoiada no diálogo, que contribua para neutralizar a ameaça à autonomia da Universidade. Neste sentido, também na tarde de hoje o Procurador Geral da Universidade esteve no IE das 16:30h às 17:30h em uma reunião com representantes das três entidades visando esclarecer suas dúvidas. Depois de responder todas as perguntas, o Dr. Otacílio deixou claro o empenho da Universidade para arquivar o inquérito referente ao Encontro das Baterias-2009 e para construir uma solução para o problema das megafestas no campus, bem como se comprometeu em prestar o apoio jurídico solicitado pelos estudantes.

 Direção do IE, 03 de novembro de 2010                              Prof. Mariano Francisco Laplane

Campinas, 27 de outubro de 2010.

Ao Diretor Mariano Laplane,

Reconhecendo eventuais desentendimentos e considerando o clima de insegurança que se instaurou entre os estudantes após a entrega da lista com os nomes de membros da atual gestão do Centro Acadêmico à Procuradoria Geral da Unicamp (PG), as entidades estudantis do IE – CAECO e Atlética – propõem a negociação de cinco questões essenciais para o corpo discente nesse momento:  

  1. Pedir para a PG retirar o Boletim de Ocorrência 2484/09 que gerou a Portaria do 7º Distrito Policial de Campinas do dia 19/11/2009 que notifica a Reitoria para, se possível, entregar os nomes dos responsáveis pelos Centros Acadêmicos e Diretórios que teriam promovido o “Encontro de Baterias”.
  2. Garantir formalmente assessoria jurídica e apoio institucional aos membros do CAECO indicados pela direção à PG. Pedimos explicações acerca das razões de tal indicação – dado que, conforme reconhecido pelo diretor, os nomes são de conhecimento público –, uma vez que a própria direção do Instituto admite que esses estudantes nada têm a ver com o “Encontro de Baterias” realizado em 2009.
  3. Assegurar que não haja qualquer forma de punição ou perseguição (acadêmica ou política) aos estudantes supracitados, assim como aos estudantes que participam da atual greve.
  4. Admitir a legitimidade da greve, reconhecendo que não houve nenhuma forma de manipulação pessoal ou institucional, interna ou externa. Gostaríamos que fosse feito um pedido de desculpas aos estudantes Armando Palermo Funari e Daniel de Oliveira Nery Costa, acusados nominalmente pelo Prof. Mariano Laplane.
  5. Encaminhar à reitoria uma solicitação da Diretoria do Instituto de Economia para que a PG entre com um pedido de cassação da liminar concedida nos autos da ação civil pública (processo nº114.01.2010.057529-0) que impede a realização de qualquer atividade artístico-cultural no campus.

 Cordialmente,

CAECO, Atlética e Economica.

Quinta-feira, 21 de outubro de 2010

1. Policiais Militares, em 3 viaturas, foram ao IFCH com liminar que permitia apreensão de qualquer material que se interpretasse como indício de festa nas dependências da Unicamp.

Sexta-feira, 22 de outubro de 2010

1. Orlando procura, informalmente, membros do Centro Acadêmico e Atlética perguntando a composição das gestões de 2009 e 2010. O propósito manifestado era manutenção de contato.

2. Após conseguir tais informações, comunica que se trata de uma solicitação da Polícia Civil.

3. Armando, Daniel, Carolina e Diego, preocupados com a questão, procuram se informar com o Orlando, pedindo para copiar os documentos apresentados anteriormente aos alunos. Orlando afirmou precisar da anuência do diretor. Três desses alunos (Diego ausentou-se) foram chamados para uma reunião informal com o Prof. Mariano Laplane.

4. Na reunião, prof. Mariano Laplane disse que estava obrigado a enviar os nomes dos responsáveis pela organização da festa “Encontro de Baterias”, que se realizou em Novembro de 2009. Como sabia que a bateria era de responsabilidade da Atlética, os nomes que e enviaria eram dos diretores presidente e financeiro da entidade (Matheus(Tintin) e Rafael(Agroboy).

5. Armando e Daniel pediram uma cópia dos documentos referentes ao caso. Após conseguirem os ofícios da Polícia Civil e da Procuradoria Geral da Unicamp, encaminharam-nos ao grupo caeco2009, juntamente com relato do ocorrido. O e-mail foi repassado para diversos grupos do IE e da Unicamp. 

Durante o final de semana, foi marcada Assembléia dos Estudantes para segunda-feira ao meio-dia, para que os 2 estudantes da Atlética fossem para uma reunião com o diretor já com o respaldo de uma assembléia.

 

Segunda-feira, 25 de outubro de 2010.

1. Foi-nos informado que Tintin e Agroboy teriam reunião com o Prof. Mariano Laplane às 17h30.

2. Ao meio-dia, como agendado, realizou-se a Assembléia. Nela, decidimos paralisar o Instituto para que os estudantes pudessem participar de manifestação em frente à sala onde se reuniria a Congregação, com o objetivo de conseguir que o Prof. Mariano Laplane se comprometesse formalmente a não enviar nenhum nome à Procuradoria Geral da Unicamp.

3. Às 14h30, depois de iniciada a reunião da Congregação, pouco mais de uma centena de estudantes reuniram-se em frente à sala 3.

4. O Prof. Mariano Laplane compareceu à porta da sala e comunicou que havia barulho. Uma representante dos estudantes, Daphnae, foi destacada para dialogar com o professor, informando-o das razões que nos levavam àquela mobilização. Pediu-se para ler uma carta e para que ele se comprometesse em não enviar nenhum nome.

5. O Prof. Mariano Laplane argumentou que, se não tínhamos confiança nos representantes discentes na Congregação, poderíamos indicar um aluno para participar da reunião e ler a carta no momento conveniente.

6. Recusou-se a proposta, pedindo para que a reunião fosse pública. O Prof. Mariano Laplane afirmou que o espaço físico em que se realizava a Congregação não comportava aquela quantidade de estudantes. Pediu-se para que pudessem entrar quantos coubessem. Ele negou. Sugerimos, então, que a reunião fosse transferida para o auditório, o que foi imediatamente recusado pelo diretor, que retornou à sala, fechando a porta.

7. Continuamos em frente à porta e decidimos destacar três estudantes, representando cada uma das entidades estudantis (Jéssica, Robinson, Rafael(91)), para entrar na Congregação e apresentar a carta. Os três foram prontamente barrados pelo Orlando e saíram da sala, seguidos pelo Prof. Mariano Laplane.

8. Novamente, sugerimos que a Congregação fosse realizada no auditório, sugestão mais uma vez recusada. Ao tentar fechar a porta, houve disputa entre o Prof. Mariano Laplane e um estudante, com acusações recíprocas de truculência.

9. O Prof. Mariano Laplane retornou à sala, fechando a porta. Em coro, repetimos palavras de ordem em resposta à truculência com que foi tratada a questão. Frustrados na nossa intenção de conseguir que o Prof. Laplane se comprometesse a não enviar nenhum nome à PG, decidiu-se trazer a bateria para a porta da sala da Congregação. Como decidiu-se em assembléia, caso o diálogo falhasse, seria feito um protesto.

10. A bateria começou a tocar e logo em seguida foi encerrada a reunião da Congregação. Os professores saíram da sala abrindo espaço, agressivamente, entre os estudantes. À sua volta, a bateria tocava e os estudantes repetiam palavras de ordem.

11. Os estudantes se reuniram novamente em Assembléia e votaram greve e piquete no Instituto de Economia caso o Prof. Mariano Laplane não se comprometesse a não entregar nenhum nome. Nova Assembléia foi marcada para o dia seguinte, ao meio-dia.

12. Depois de nova tentativa frustrada de alguns alunos em dialogar com a direção, uma comissão de alunos foi recebida. Mais uma vez não houve compromisso da direção de não passar os nomes. O diretor disse que a decisão seria feita de acordo com sua consciência. Tendo falhado mais esta tentativa, entrou-se em greve.

13. Foi publicada circular da direção, em que era narrada a versão da direção sobre os fatos ocorridos no dia.

14. Os estudantes responsáveis pela Atlética em 2009, Matheus (Tintin) e Rafael (Agroboy) que teriam seus nomes indicados para a PG, participaram de reunião com o Prof. Mariano Laplane, a portas fechadas, onde foram informados de que seus nomes não seriam enviados. 

15. Reunião de uma comissão contra criminalização de festas no campus, ligada ao DCE foi convidada para ser feita, à noite, extraordinariamente no IE, como atividade uma vez que houve interrupção das aulas.

16. Durante a noite, houve reunião para avaliar os acontecimentos e ações do dia e programar as atividades do dia seguinte, apenas com alunos do IE.

 

Terça-feira, 26 de outubro de 2010.

1. Pela manhã, alunos foram designados para escrever uma carta em resposta à versão distribuída pela direção. As 3 entidades estudantis do IE também se reuniram para divulgar uma carta sobre os acontecimentos da segunda-feira.

2. Ocorreu nova Assembléia, na qual se notificou que a direção não havia passado os nomes da Atlética a Reitoria. A greve foi mantida, por votação, em protesto à forma autoritária que a questão vinha sendo levada pela direção e demais instâncias da Universidade. Uma nova assembléia ficou marcada para a 4a-feira da semana seguinte, 03 de Novembro.

3. No início da tarde, como atividade de greve, acompanhou-se ato em frente à reitoria, contra a liminar que proíbe e transforma em assunto de polícia a realização de festas no campus.

4. A mobilização de estudantes retornava ao IE quando se soube que a direção emitiu novo comunicado à comunidade do IE. Nele, o diretor confirmou que não havia passado os nomes da Atlética à reitoria, afirmando que não se faria nada sem antes conversar com os interessados. Contudo, na mesma circular, afirma ter repassado nomes da gestão atual do CAECO. Nenhum dos estudantes em questão teve oportunidade de conversar com o diretor antes de sua decisão. Disse ainda que havia repassado os nomes dos estudantes, sabendo, ao que lhe constava, de que eram inocentes.

5. Quatro membros do CAECO foram conversar com a direção, por iniciativa própria, para confirmar os nomes repassados e os termos em que isso tinha sido feito. O diretor lhes disse que passou 4 nomes à reitoria e que havia procedido de maneira similar a outros diretores de instituto, inclusive com a ressalva de que, no seu entendimento, eram inocentes. O documento acusando envio dos nomes foi mostrado a estes alunos.

6. Como atividade de greve, no fim da tarde, fez-se uma aula pública com os profs. Plínio de Arruda Sampaio Jr. E Cristian Castillo (da Universidade de Buenos Aires) com o tema: “Projeto de Universidade e movimentos na França e Argentina”.

7. No fim da noite houve reunião dos estudantes para organizar a programação do dia seguinte.

 

Quarta-feira, 27 de outubro de 2010.

 1. No período da manhã foram montadas comissões para elaborar cartas em resposta aos novos acontecimentos de 3a-feira, bem como reunião para organização das reivindicações de greve.

2. No início da tarde realizou-se uma reunião, contando com alunos das 3 entidades estudantis e demais alunos interessados sobre os problemas do IE.

3. Armando e Jéssica fizeram reunião com o Chefe de Gabinete do Reitor, Prof. Anido, onde confirmou-se que os nomes indicados pelo prof. Laplane seriam enviados à polícia. O prof. Anido ainda atestou que apenas 2, entre todos os institutos envolvidos tinham respondido à solicitação da Reitoria: A Biologia (afirmando que lá não existe Bateria) e a Economia, com 4 nomes do CAECO.

4. Por volta das 18h a carta de reivindicações foi assinada pelas 3 entidades estudantis do IE.

5. No horário letivo do noturno promoveu-se uma discussão sobre a greve e os acontecimentos desde 6a-feira.

6. Foi solicitada reunião com o diretor na 4a-feira para discussão das reivindicações com a presença das 3 entidades estudantis.

 

CAECO 2010

Despertar é preciso.

Campinas, 27 de outubro de 2010.

Ao Diretor Mariano Laplane,

Reconhecendo eventuais desentendimentos e considerando o clima de insegurança que se instaurou entre os estudantes após a entrega da lista com os nomes de membros da atual gestão do Centro Acadêmico à Procuradoria Geral da Unicamp (PG), as entidades estudantis do IE – CAECO e Atlética – propõem a negociação de cinco questões essenciais para o corpo discente nesse momento:

  1. Pedir para a PG retirar o Boletim de Ocorrência 2484/09 que gerou a Portaria do 7º Distrito Policial de Campinas do dia 19/11/2009 que notifica a Reitoria para, se possível, entregar os nomes dos responsáveis pelos Centros Acadêmicos e Diretórios que teriam promovido o “Encontro de Baterias”.
  2. Garantir formalmente assessoria jurídica e apoio institucional aos membros do CAECO indicados pela direção à PG. Pedimos explicações acerca das razões de tal indicação – dado que, conforme reconhecido pelo diretor, os nomes são de conhecimento público –, uma vez que a própria direção do Instituto admite que esses estudantes nada têm a ver com o “Encontro de Baterias” realizado em 2009.
  3. Assegurar que não haja qualquer forma de punição ou perseguição (acadêmica ou política) aos estudantes supracitados, assim como aos estudantes que participam da atual greve.
  4. Admitir a legitimidade da greve, reconhecendo que não houve nenhuma forma de manipulação pessoal ou institucional, interna ou externa. Gostaríamos que fosse feito um pedido de desculpas aos estudantes Armando Palermo Funari e Daniel de Oliveira Nery Costa, acusados nominalmente pelo Prof. Mariano Laplane.
  5. Encaminhar à reitoria uma solicitação da Diretoria do Instituto de Economia para que a PG entre com um pedido de cassação da liminar concedida nos autos da ação civil pública (processo nº114.01.2010.057529-0) que impede a realização de qualquer atividade artístico-cultural no campus.

Cordialmente,

CAECO, Atlética e Economica.

AOS ESTUDANTES, PROFESSORES E FUNCIONÁRIOS DA UNIVERSIDADE:

 

Gostaríamos, por meio desta carta, de explicitar nosso completo repúdio à acusação do diretor Mariano Laplane de que a ação estudantil do dia 25 de outubro de 2010 tenha sido manobrada pessoalmente por nós ou por estudantes do IFCH.

O diretor se vale da prerrogativa de impor sua versão de autoridade sobre discussões travadas a portas fechadas para desmoralizar e distorcer uma iniciativa legítima dos estudantes.

Lembramos a todos e a todas que o informe divulgado eletronicamente continha, além dos três documentos que compunham o processo, um sumário de seu conteúdo, uma crítica à forma como os estudantes foram abordados pela direção do IE e uma crítica (que as entidades estudantis têm todo o direito de fazer) ao trato dispensado pelas autoridades à questão do uso público do espaço.

Por último, propunha aos estudantes uma assembléia para fazer um pedido formal ao diretor do Instituto que não tomasse parte em práticas entendidas como autoritárias. O trato policial das questões estudantis não deve jamais ser naturalizado.

A assembléia foi feita, a questão foi discutida e uma carta foi elaborada para ser entregue em mãos ao diretor. Até então, em nenhum momento havia sido mencionada uma greve ou qualquer nota de repúdio a qualquer autoridade do IE.

No momento da entrega da carta, à presença de mais de uma centena de estudantes, o diretor reagiu reproduzindo todo o acervo de autoritarismos que o corpo discente pretendia questionar: não recebeu a carta, se defendeu de um ataque que não havia sido feito fechando a porta atrás de si e proclamando, na presença de representantes discentes, ameaças de convocação da PM (contra o que?), de apuração dos presentes e instauração de sindicâncias (sob qual pretexto?).

Foi nesse momento que o corpo discente, sensibilizado, se reuniu autonomamente, organizou novas comissões para restabelecer o diálogo e, frente à intransigência do diretor, decidiu paralisar suas atividades em repúdio.

Ressaltamos que, ao contrário da prática docente, todas as nossas críticas pessoais, as quais temos total direito de expressar, foram feitas pela nossa própria voz, em público e até mesmo manifestadas por escrito em outras ocasiões.

Ironicamente, embora o pleito estudantil tenha sido acusado de “infundado e fantasioso”, seu desfecho não podia ser mais concreto: quatro nomes foram enviados pelo diretor (com critérios absolutamente incoerentes) para apuração nos marcos do autoritarismo denunciado. Fez-se o cumpra-se. (Qual o problema? Convenientemente, agora se tratam apenas de lideranças do CAECO…).

Acreditamos que a democracia é tão estreita quanto menores forem os espaços para o conflito de posições. Nesse princípio, nossa responsabilidade reside, sim, em tornar de amplo conhecimento o recrudescimento dos autoritarismos no campus. Nosso compromisso com essa tarefa dispensa quaisquer mediações estranhas ao corpo discente.

Lamentamos que, inclusive no Instituto de Economia, as autoridades sejam tão insensíveis e intolerantes aos apelos de diálogo. Os mesmos professores que hoje nos acusam de intransigência são os que outrora reprimiram o movimento estudantil que se opôs aos decretos estaduais em 2007, à invasão da polícia militar na USP em 2009 e, agora, ao tratamento criminal dispensado às nossas manifestações.

Por último, agradecemos a solidariedade de nossos pares e lamentamos novamente que o corpo docente do IE tenha tanto horror àquilo que não consegue manter estritamente sob seu controle, inclusive a autonomia de seus estudantes.

 

Campinas, 27 de outubro de 2010

Daniel de Oliveira Nery Costa

Armando Palermo Funari