Jornal do CAECO

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            Há menos de um ano atrás, estudantes do Instituto de Economia mobilizaram-se contra a efetivação de uma delação requisitada pela reitoria ao diretor do Instituto de Economia, Mariano Laplane. A instância máxima de poder dentro da universidade buscava nomes de responsáveis pela realização de uma festa no campus, o “Encontro de Baterias”, que tradicionalmente ocorre no Teatro de Arena.

            A cruzada contra as festas caminhava a passos largos. O IFCHSTOCK, maior festa realizada no campus, foi definitivamente proibido no mesmo período. A Polícia Militar ordenou a retirada de todo o material que estava armazenado dentro das dependências do Centro Acadêmico de Ciências Humanas. Não mandou recado. Fez isso presencialmente, e durante uma tarde o que se viu foram dezenas de estudantes carregando milhares de cervejas para fora da Unicamp. Aquela cena marcou, para aqueles que viveram outros tempos, o fim de um projeto de integração dos estudantes entre si e da universidade com o entorno. Um projeto construído, com todas suas contradições, deficiências e limites, pelo movimento estudantil, por jovens que viam a Festa como oportunidade política, para além da retórica dos partidos, dos movimentos, do hoje tão repugnante “esquerdismo”.

            Por esse motivo, o IFCHSTOCK ficou conhecido como a MANIfesta. O fato de ocorrer no espaço público, e ser concebido por aqueles que valorizam este espaço (não em termos contábeis, ou estratégicos, mas em termos de formação cívica, moral, da gestação do respeito e da tolerância frente ao diferente), fazia com que nestas festas fosse fortemente desestimulada qualquer atitude opressiva, seja em relação às mulheres, aos homossexuais, aos gordos e gordas, feias e feios, negros, índios, pardos, pobres etc. Essa concepção de encontro no espaço público reverberava de certa forma para todas as outras festas realizadas na Unicamp. Nesse contexto, muitos mudaram suas concepções. Muitos conheceram pessoas diferentes de si e as entenderam. Beberam cervejas juntos, conversaram juntos, embora isso parecesse impossível caso o isolamento do privado nunca tivesse sido rompido. Não descrevo aqui um conto de fadas, só quero deixar claro que essa era uma oportunidade aberta aos universitários: rever, a partir da utilização do espaço público, suas concepções de classe, seus preconceitos, suas ideologias, a dimensão de sua visão de mundo. Do ponto de vista acadêmico, essas atividades sempre concentraram um gigantesco potencial de fazer valer a universidade como universidade, e não como coleção de especificidades.

            A convivência com as celebrações privadas sempre ocorreu. No caso do IE, elas são majoritariamente representadas pelos jogos universitários, com todas as suas contradições e limites. Nestes eventos, as preocupações com o caráter coletivo e público sempre foram muito pouco respaldadas, embora possamos sim encontrá-las nas atitudes de determinados participantes. Entretanto, são poucos. A maior fonte de diversão são as diversas esferas de concorrência e competição (a melhor equipe, a melhor torcida, o mais bêbado, o mais “causador”, o mais pegador…) e geralmente isso leva a reforçar padrões grotescos de sociabilidade e incitar a reprodução dos signos de “superioridade” tão fortes em nossa sociedade (o machismo, a homofobia, a humilhação, a segregação, o preconceito).

            Há dois dias duas estudantes denunciaram essa faceta dos jogos universitários e das festas. Expuseram provas concretas de como se manifestam entre os estudantes e trouxeram outros casos de igual relevância (o “rodeio das gordas”) para questionar: qual o limite de nossa tolerância? Até que ponto admitiremos sem problematizar, sem se incomodar? Até que ponto a conivência não é uma forma de responsabilidade? São essas perguntas que eu gostaria de ver respondidas não só pelos estudantes, mas pelo diretor do Instituto e por outros que sempre consideraram um absurdo a universidade acolher festas, manifestações culturais, acolher as diferenças.

            O que as eleições do CAECO tem a ver com isso? Tudo. A frieza que o ambiente universitário impõe, em suas relações para dentro e para a fora, faz crescer o discurso de que a integração deve ser atomizada. Deve ser uma “integração separatista”, uma integração para dentro (fascimo). Estar próximo a outros estudantes, a outros setores da sociedade, não é integração, é divórcio da sua função bem definida na burocracia acadêmica. As novas gerações de estudantes, na ausência de um outro testemunho do que seja integrar, devem estar atentas a essas concepções fracas e vazias de conteúdo e construir, na medida em que acumularem forças, novos significados para esses termos. Boicotar jogos e festas poderá ser uma consequência, mas deve ser uma consequência refletida, consciente, crítica e não apenas rebelde. Vivi isso quando busquei “sair” do IE em busca de ar fresco, de liberdade, de afetividade, de amor. E vi que dava tempo de apostar em outros valores, se despojar das bestialidades que estão por aí. Sempre há tempo para o verdadeiro diálogo (o diálogo que é feito com amor, carinho e esperança, não o diálogo defensivo que o preconceito clama para se justificar).

            Por fim, devemos ter em mente o aspecto estrutural de todo esse processo e questionar a concepção das instâncias de poder do que é público e o que é privado. Os estudantes que tanto prezam pela diversão e integração dos alunos do IE estão, por linhas tortas, selando um pacto de mediocridade com as instâncias de poder onde são eles mesmos que perdem, ao não explicitar os problemas crônicos de que padece a Universidade e que tem relação direta com a nossa saúde física e psicológica neste lugar.  Neste contexto, a solução é fazer uma festa aqui, outra acolá. Que me perdoem arautos da masculinidade, mas essa verdadeira pagação de pau para a universidade e para o sistema como um todo é das coisas mais broxantes que podem existir.

 Em apoio a Daphnae e Flávia,

 Taufic 06

Hay hombres (e mulheres) que viven contentos aunque vivan sin decoro. Hay otros que padecen como en agonía cuando ven que los hombres (e mulheres) viven sin decoro a su alrededor. En el mundo ha de haber cierta cantidad de decoro, así como ha de haber cierta cantidad de luz. Cuando hay muchos hombres (e mulheres) sin decoro, hay siempre otros que tienen en sí el decoro de muchos hombres (e mulheres). Esos son los que se rebelan con fuerza terrible contra los que les roban a los pueblos su libertad, que es robarles a los hombres (e mulheres) su decoro. En esos hombres (e mulheres) van miles de hombres (e mulheres), va un pueblo entero, va la dignidad humana. Esos hombres (e mulheres) son sagrados.

Martí 

Dentre as diversas formas de ser sórdido, uma das mais esquivas é pelo uso da anedota, porque ela agride e desautoriza os ofendidos a reagir contra ela.

Duas estudantes do IE e militantes do coletivo feminista Pão e Rosas publicaram um artigo no Jornal do CAECO (ieunicamp.wordpress.com) no qual elas primeiro afirmam a existência de uma ideologia de violência contra mulher na sociedade e, posteriormente, apontam como a mesma coisa se verifica no ambiente universitário específico do Instituto de Economia da UNICAMP: contra alunas e contra funcionárias.

O ponto herético foi criticar o jogo universitário, o evento religioso mais importante no calendário da Atlética. A prática esportiva, nunca deixa de ser, também, uma prática lúdica e cultural. E as dimensões culturais possíveis passam por várias possibilidades construtivas ou não. Nossa intocável entidade reproduz – embora não precisasse – uma espécie de High School Musical do ensino superior.

A crítica feita por elas é a forma como a premissa do esporte é apropriada para reproduzir uma cultura de coisificação e violência contra a mulher entre os estudantes. E a excelente denúncia do machismo é forte, porque ela é notada no seio da insuspeita elite rica, branca, educada, cristã, é dirigida aos seus filhotes irrepreensíveis.

No imaginário machista circulam dois estereótipos categóricos e definitivos sobre a condição da mulher: submissa ou desvairada. A mulher que não se coloca na sua posição de adequação ao homem é a mulher louca que transtorna as relações e o seu lugar social.

A reação ao artigo foi brutal, ferocíssima, infame. No mesmo espaço se registraram inúmeras respostas – a maioria anônimas, outras não – com apologia explícita e chocante da violência contra mulher em geral e contra as duas em específico.

Na noite do dia 20/06 o coletivo Pão e Rosas da qual fazem parte, organizou um ato de exposição – prática recorrente da luta desses grupos – da violência que foi dirigida como resposta ao texto. Houve, por um lado, difusão pública da resposta nominal mais emblemática, registrada no espaço de comentários do Jornal, feita por Renato César Martins Pinto, estudante do curso noturno: “Uma mulher que não sabe diferenciar um hino universitário de estupro, espancamento ou qualquer outra forma de violência realmente merece ser subjulgada.” (sic). (Que fique claro, existem inúmeras outras respostas tão ou mais graves registradas anonimamente ou não no mesmo espaço).

Por outro, houve a coleta de assinaturas para uma nota pública de repúdio ao machismo na universidade, acompanhada da uma discussão conduzida pelo grupo para problematizar a questão, principalmente, entre as mulheres do curso.

Dessa vez a reação foi algo mais que brutal, ferocíssima e infame porque foi temperada com a reação das duas chapas em disputa pelo Centro Acadêmico do Instituto.

A chapa composta por ex-membros da Atlética, uma chapa situacionista porque não propõe o enfrentamento de nenhuma das várias questões críticas que permeiam a universidade, partiu em defesa da vítima: o estudante Renato. Isso mesmo. O estudante que estava sendo constrangido e se tornou um mártir do sacro-direito de subjulgar (sic) uma mulher.

Os advogados de defesa argumentaram por dois lados. Primeiro, ele tem o direito de manifestar suas convicções. Segundo, as agressoras, desvairadas, estavam criando um verdadeiro escândalo com base em exagero e manipulação de agentes subversivos soviéticos estudantes do IFCH. De fato, existem estudantes do IFCH no coletivo Pão e Rosas, o que especialmente causa ojeriza nos estudantes do IE, mas também há estudantes de outras faculdades. Todos eles estavam presentes enquanto parte do coletivo.

Bem, há quem diga que a movimentação toda consistiu num golpe eleitoreiro. Não foi. Antes tivesse sido. Explico.

A posição da outra chapa foi explicitamente: a) não intervir, porque não era um problema especificamente dela, apesar de possuir uma pauta contra opressões em sua carta-programa, tratar-se de colegas e alunas de/em seu Instituto; b) não intervir para não ter sua credibilidade de maneira nenhuma associada ao ato das estudantes, à presença de estudantes do IFCH no IE ou atritos com a sacra-atlética.

Por sorte, os oprimidos não precisam da sensibilidade de terceiros para expressar indignação contra seus opressores. Qualquer cultura é difícil de mudar, principalmente uma cultura opressiva. Mas se é possível, a mudança certamente passa por uma reação à violência, por uma exposição dos agressores e pela expressão legítima da indignação das pessoas ameaçadas.

Mas o que se vê, contudo, é uma reação oportunista de isolamento das estudantes. Acontece, por um lado, pela relativização da agressão e, por outro, pela acusação de desvario. O problema do machismo volta a pairar nas nuvens, quase sem nos tocar, e o caso se reduz a meia dúzia de linhas infelizes contra duas pessoas em particular.

O absurdo dessa situação reflete uma deterioração humana sem tamanho. Uma cultura de opressão que brutaliza mulheres, negros, homossexuais não deve jamais ser naturalizada, relativizada, consentida e muito menos ignorada. Sim, haverá barulho, sim, haverá desconforto, sim, haverão rostos desconhecidos e sim, haverá denúncia pública e irrestrita.

Quero declarar minha total solidariedade e respeito a todas as mulheres que se sentiram ofendidas, principalmente à Flávia, à Daphnae e ao senso de dignidade que carregam. Foram agredidas, sofreram esse assédio moral explicitamente por serem mulheres, mas não foram subjugadas por ninguém, em hipótese alguma, sob quaisquer custos.

 Daniel – Fantasma Jedi

Muitos fatos que acontecem na sociedade nos passam despercebidos. Estamos tão acostumadas à mentira de uma sociedade livre e de iguais condições somada a uma visão fatalista de nossas vidas, que acabamos por naturalizar vários tipos de violência: fome, desigualdade, falta de acesso à água potável e rede de esgoto, analfabetismo, discriminação racial, xenofobia etc. A violência contra a mulher é uma delas: a mulher morta e esquartejada pelo companheiro, a mulher que fica paralítica vítima da violência doméstica, os vários casos de estupros, de abusos, de tráfico de mulheres são capazes de nos sensibilizar, geram ódio, raiva, pena, mas não são capazes de nos mobilizar. Por exemplo, em Campinas, conforme dados da Secretaria de Segurança de SP, só nos primeiros quatro meses desse ano, foram registrados 73 casos de estupro. No estado de SP, em 2011, já ocorreram 2699 casos! Esses dados são reflexos daquilo que ocorre diariamente, e é por nós, mulheres e homens, naturalizado ou banalizado.

Segundo a Unesco, uma em cada três ou quatro meninas é abusada sexualmente antes de completar 18 anos e segundo a ONU, uma em cada em três mulheres será espancada, violentada ou estuprada em algum momento de sua vida. Qual a razão desses dados bárbaros? Na nossa sociedade capitalista patriarcal em que tudo é transformado em mercadoria, desde os direitos elementares para sobrevivência humana até o próprio ser humano e suas relações, as mulheres são vistas pelos homens e por elas mesmas como uma propriedade masculina, um objeto, e não um sujeito independente (num sentido amplo que ultrapassa o conceito meramente financeiro englobando a sua independência plena com relação ao homem, à maternidade, à família), capaz de transformar a realidade. A Igreja, o Estado burguês, a mídia possuem um papel fundamental na difusão dessa visão de mulher enquanto objeto sexual, na qual se destaca o papel reprodutivo e o papel submisso de usufruto do homem.

Essa ideologia que legitima e gera esses atos e esses números inadmissíveis é a mesma que se expressa nas Economíadas. O que a princípio pode parecer apenas um torneio esportivo despido de qualquer conteúdo ideológico revela, num olhar mais atento e crítico, o machismo, a homofobia e o elitismo ocultos. Na Economíadas Caipira do ano passado, vimos um exemplo escancarado (!) nos hinos divulgados em material oficial da Atlética, ou seja, nas músicas que resumem os objetivos e os valores dos estudantes de economia. “Pinga, maconha, mulher e baixaria/quem manda nessa porra é Unicamp economia”, “Ela diz que é gatinha, que seu peito é natural/Diz que sua bolsa Prada foi presente de Natal/Mas eu to ligada na pura realidade/Chupa rola e dá o cu pra pagar mensalidade/ Ela é puta graduada!”, “Aqui só tem coiote louco/Quero beber, quero cheirar/Cuidado biscatinha da Puccamp porque a fodeu vai te pegar!” ou “Essa é a escola que todos desejam, mas poucos conseguem entrar/Você que tentou e não conseguiu, vai pra puta que pariu!” são alguns exemplos dos hinos cantados. 2011 é mais um ano em que esses mesmos estudantes se animam para, nos jogos e nas festas, ostentarem “a melhor escola do Brasil”, cheia de encantos – mas só para os poucos vencedores que passaram no vestibular.

Essa visão está tão presente e tão arraigada nos homens e nas mulheres, que o fato de a Atlética ter uma presidente mulher não é capaz de alterar em nada o caráter machista e opressor das festas, como a festa da Senha; dos trotes, com concursos de miss e elefantinhos; dos eventos financiados e promovidos pela entidade cujo símbolo do coiote com a coiote fêmea estereotipada, dinheiro e cerveja está sempre presente.

Esse não é um fato isolado das Economíadas, está na maioria dos jogos universitários, independente das faculdades que os organizam. No InterUnesp do ano passado vimos a expressão máxima da barbaridade que permeia esses eventos com o “Rodeio das Gordas”, no qual os homens se aproximavam das mulheres que consideravam gordas, as empurravam no chão, montavam em cima e cronometravam quanto tempo conseguiam ficar sobre elas.

É importante lembrar que tanto o InterUnesp, como as Engenharíadas, as Economíadas e outros desses eventos recebem financiamento de empresas privadas, tais como as de cerveja, cuja publicidade machista é difundida na mídia e nesses tipos de festas, e das reitorias das universidades. No IE sabemos que a Atlética já tentou realizar acordos com empresas como o SANTANDER em troca de publicidade para o banco no uniforme dos times e dentro do instituto, além de receber uma verba da diretoria para a realização das Economíadas.

Ao passo que, quando há a tentativa de se contrapor a esse tipo de festa, construindo de forma politizada e consciente uma outra forma de sociabilidade, sem machismo, sem homofobia, sem hierarquia, se propondo a romper com toda a tradição tão reivindicada por essas entidades, como foi no caso do Festival Contra as Opressões promovido pelo DCE da Unesp no ano passado, a resposta dada pela reitoria são processos de sindicância aos alunos organizadores. No IE não é diferente, enquanto temos o auditório negado pela direção para a realização de ciclo de estudos de autores marxistas sob a alegação de que esse não é um assunto de relevância acadêmica, a Atlética tem as portas do auditório escancaradas para a realização do seu “Momento Economíadas”.

Diante de tudo aquilo que denunciamos nas linhas acima não cabe mais aceitarmos os discursos dos que nos dizem que essa é uma questão subjetiva, apenas uma brincadeira, que depende da interpretação individual. Esta é uma situação diante da qual não podemos mais nos calar, achando que é natural. É preciso rompermos o silêncio, é preciso denunciarmos essas atitudes, boicotando esses tipos de eventos, pressionando e discutindo politicamente com e nessas entidades para mudarmos essa realidade bárbara.

Flávia Ferreira, 09, militante do Pão e Rosas

Daphnae Picoli, 09, militante do Pão e Rosas

Ter visto o segundo debate das eleições do CAECO foi uma experiência muito peculiar. Como no primeiro, já imaginava que meu animo iria se exaltar, mas o humor (ou mau-humor) que senti diante daquela discussão, acalorada, sobre “integração” e diante do festival de acusações, que permeou o debate, é inexplicável. Por não conseguir conte-lo em mim, escrevo aqui minhas impressões dos dois debates.

Imagino que ambas as chapas tenham idéias incríveis para “integrar” todo mundo do IE, que acreditem que estão mais bem preparadas e têm mais competência para fazer isso. Mas uma coisa me chamou a atenção: como a chapa “Um CAECO para você” imagina promover essa tão famigerada INTEGRAÇÃO!

No fim da tarde de uma terça-feira fria algumas pessoas se reúnem para assistir o segundo grande debate das eleições do CAECO 2011. As chapas se preparam, as regras são explicadas em meio algum tumulto da platéia, que se ajeita como dá. O relógio é ativado e… Primeira a falar “Um CAECO para você”: Começa esclarecendo o famoso incidente da “bola de cristal” que aparentemente rendeu vários posts no Facebook. Tudo explicado, agora é hora de mostrar por que eles são melhores em “integrar”. E a justificativa? É só olhar os eventos da atlética! Eles “Integram” bastante, muita gente vai, a maioria das pessoas tem uma ligação com a atlética e/ou com seus integrantes (bem como com as pessoas que compõe a chapa, fato importantíssimo que foi citado em outro momento). O restante do debate me parece meio obscuro, já que essa fala foi o suficiente para me tirar o animo.

Ok. Vamos supor que seja verdade, vamos supor que a maioria dos alunos do IE gosta e freqüenta esses eventos (será?). Eu fico me perguntando e eu? Eu não me sinto “integrada” com a atlética, não freqüento muitos eventos da economia. Aparentemente, por ser minoria eu tenho que me conformar e seguir a tendência. Tudo bem, maioria é maioria… Mas a idéia toda dessa tal de “integração” não é juntar todo mundo? Maioria, minoria, mulheres, homens e afins? Como a chapa pretende fazer isso se já vem com essa idéia de que representa a maioria (maioria de que? De quem?) e de que essa é a função do CAECO?

E a palavra da moda é “Integração”!! Achei estranho ter ouvido poucas vezes “tolerância” e “respeito”. Para mim, é quase impossível desconectar essas três palavras. Tolerância e respeito, na minha visão, são essenciais para que ocorra essa integração megalomaníaca que se espera. Por isso além de mau humor, fiquei confusa com a posição tomada pela chapa “Um caeco para você”. Não era justamente a falta de espaço para visões diferentes que eles criticam na gestão atual? E desde quando “maioria” é “diferente”? Afinal, intolerância da maioria ou da minoria, no limite não é intolerância de qualquer forma? Talvez os integrantes da chapa não tenham pensado nisso, talvez, não tenha sido isso que eles queriam dizer. O que importa é que foi dito, mais de uma vez.

Recordo-me de um episódio do primeiro debate, em que foi feita uma pergunta nesse sentido. Ao serem questionados sobre o machismo e a homofobia, os integrantes da tal da chapa de “oposição” se colocaram, obviamente, contra essas manifestações, mas admitiram nunca terem pensado no assunto(????).

Bom, vivemos em um mundo intolerante. Um mundo repleto de pré-conceitos, fobias, pudores, fascismos, em todos os âmbitos de nossas vidas e nas relações hierárquicas que construímos e mantemos todos os dias. A intolerância, de muitos tipos, nos rodeia o tempo todo, está dentro de nós, está em todos os lugares. Não ficou claro se os integrantes da chapa “Um CAECO pra você” acredita realmente que por algum motivo transcendental, o IE está livre dessas intolerâncias e por isso, contornam discussões desse tipo, ignoram as minorias, o diferente, ou se o fazem por que não reconhecem o assunto como sendo relevante e nunca “pensaram nisso”. Acho que o festival de acusações que ocorreu durante os debates, por parte de ambas as chapas e por parte dos que estavam assistindo, é uma prova irrefutável de que infelizmente não, nosso querido Instituto de Economia não alcançou o nirvana. Outra demonstração desse fato, foi o repudio da chapa em questão, em nome de TODOS, a uma ação individual que ocorreu durante a greve- a pichação do muro- (Oh não! eu não repudiei a ação, sou minoria de novo). Por esses e outros tantos fatos vou supor a segunda opção: eles não reconhecem o assunto como sendo relevante.

Dessa forma, a questão que ficou martelando na minha cabeça foi: como posso acreditar que uma chapa que não consegue identificar essa intolerância tão obvia, a ponto de nunca ter se proposto a refletir sobre ela; e parte do pressuposto de que a “maioria” e “todo mundo” são sinônimos, pode realmente conseguir unir pessoas de diferentes tipos para construir um espaço de e com todos? A conclusão: acho que não posso acreditar.

Eu não quero um centro acadêmico da maioria, nem da minoria, nem de ninguém. Eu quero um centro acadêmico livre de qualquer tipo de pensamento pré-moldado. Um espaço em que todas as manifestações, atividades, propostas, idéias, sejam bem-vindas. Um espaço dos estudantes e para os estudantes. Utópico? Talvez. Mas para mim isso sim é integração e eu acho que a chapa um “CAECO para você” está caminhando na direção contraria.

Marina 09

Não pensava originalmente em escrever nada sobre as atuais eleições do CAECO, mas me senti pressionado a fazê-lo por conta dos debates que tive o desprazer de assistir nas últimas duas semanas. Sim, por uma lado foi ótimo ver nosso pacato instituto conseguir mobilizar gente e ideias num debate. Convenhamos com pesar, não é algo patente na nossa “febril e fabril” rotina estudantil.

Mas o que teria me feito romper o silêncio? Despejo de uma só vez: a prática irresponsável e inconseqüente do uso da mentira e da falácia pra mobilizar de forma pequena e tacanha a opinião dos estudantes. Nada de novo no instituto. Seria possível que teríamos que nos acostumar com “laplaneadas” desse calibre?

No ano passado fui acusado nominalmente pelo diretor deste instituto, juntamente com Daniel Costa, de sozinhos inventarmos, manobrarmos e sustentarmos uma greve. O motivo, segundo o diretor, era um interesse político partidário de nossa parte. O que estava em questão? O envio de nomes de alunos da Atlética para a reitoria e consequentemente para a polícia. Esses nomes foram salvos, graças à ação autônoma dos estudantes (vulgo greve e protesto pelos mesmos). Mas mesmo assim 4 estudantes do CAECO tiveram seus nomes enviados e eu e Daniel fomos completamente tolhidos de qualquer perspectiva dentro do instituto. Fato que pra mim se confirmou com a perseguição que sofri este ano no exercício, pelo meu quarto ano, de PED de introdução a economia (o qual me vi obrigado a largar). Fato: nem eu, nem Daniel temos qualquer envolvimento partidário, fato de conhecimento amplo, principalmente entre nossos círculos de amigos e que nos rendem recorrentes críticas dos mesmos (diga-se, fazer parte de um partido, na última vez que chequei, não é crime nem moralmente condenável). Mas o Sr. Diretor em nenhum momento pensou em saber se sua acusação procedia.  Retomo essa pequena história porque os debates tiveram 2 elementos centrais e reincidentes. De um lado, a gestão da chapa que encerra seu ciclo (“Despertar é preciso”, doravante DeP) e por outro, o envolvimento da chapa “Um CAECO pra você” (1Cpvc) com a atlética. Gostaria de desenvolver alguns questionamentos sobre ambos.

Em primeiro lugar, gostaria de entender melhor a esquizofrênica relação que a aspirante “1Cpvc” mantém com a atual chapa, “DeP”. Pelo que entendi, a atual chapa faz tudo errado, não faz nada pelos alunos do IE, é objeto de manobra político-partidária e também abre mais espaço pra outros centros acadêmicos do que para os próprios estudantes do IE. Eis, senhoras e senhores, uma verdadeira “laplaneada”. Tive contato muito próximo com a chapa “DeP”, pois fui representante discente na congregação do IE em grande parte do seu mandato. Como tal, sempre me reportei à entidade que de fato representa à coletividade estudantil do IE, o CAECO. Compareci a reuniões e sempre que fui procurado tentei atender às solicitações dessa entidade representativa. Aliás, foi como representante estudantil que tomei ciência da situação que veio a originar a greve de 2010.  Ocorre que desde 2002, ano em que ingressei no IE (estou no doutorado), esta foi a chapa que mais fez em prol dos alunos deste instituto. Cito, de memória, a reativação da representação na Comissão de Graduação, uma choppada sem trote (a despeito dos esforços de alguns), discussões sobre as reformas da graduação e da pós, discussões sobre a formação do economista e o curso do IE, intervenção no congresso nacional da Associação Nacional de Graduação em Economia, discussão sobre a moradia da Unicamp, empréstimo de dinheiro a Atlética que passava por dificuldades financeiras, elaboração de uma avaliação de curso alternativa à péssima elaborada pela comissão de graduação, debate entre ideias partidárias (pasmem!) para as eleições presidenciais, festa latino-americana, além da já mencionada justa defesa de alunos da atlética frente a um diretor que declarou e cumpriu sua delação. Só no período de greve, que sempre teve suas pautas votadas em assembléia, com votos contados apenas por alunos do IE (os alunos de outros institutos podem falar, mas não votar), lembro-me de algumas iniciativas, inclusive assinadas conjuntamente pela Atlética, ECONOMICA e CAECO, apontando problemas de ordem didática, curricular e de infra-estrutura.

O que me causou estranheza é que a chapa “1Cpvc” consegue, dentro dessa lista de feitos, afirmar, sem pestanejar, que NADA foi feito para os alunos, mesmo que reconheçam, em discurso, que discutir o curso e sua qualidade seja importante. Me pergunto, desde quando isso virou importante para esses alunos? Em 2010 uma discussão sobre o curso levou o mesmo número de alunos que o debate para o chão preto. Se o curso é uma preocupação, onde estavam esses alunos? Por que não estavam lá? Nas reuniões do CAECO, que acusaram ser manobradas por partidos e usadas por outros centros acadêmicos, por que não estavam lá? Como podem acusar, sem apresentar provas ou nada que comprove as acusações, nem mesmo seu próprio testemunho, uma vez que não freqüentaram as reuniões pra saber quem ia ou deixava de ir? Que tipo de chapa levianamente joga esse tipo de acusação? Qual a diferença entre isso e o que foi feito de forma covarde pelo diretor do IE? Me senti mal de ver essa prática “laplaneana” ser reproduzida, inclusive por alguém que defendi com o que pude (e faria de novo) naquela greve. Não me venham dizer que a chapa “DeP” não fez nada… pra quem quis participar de fato, foi uma chapa que apresentou atividades quase semanalmente. Pelo que ouvi no debate, foram discussões e atividades inclusive endossadas pela chapa atleticana. Então ao mesmo tempo fizeram e não fizeram atividades para os alunos? A chapa “1Cpvc” pede pra coletividade dos estudantes aquilo que seus próprios membros não quiseram dar: participação. Nas propostas vemos apenas itens que não pressupõem de maneira nenhuma o controle da chapa para execução: bastava participarem das reuniões do CAECO e todas elas estariam contempladas.

A solução está naquilo que fariam melhor: a integração. O que me leva à relação que os membros da chapa têm com a atlética. De fato, como próprios membros da chapa atestam, sua atuação no IE se deu pela AAA XV de Julho. No mínimo é justo que julguemos então a chapa por aquilo que sabemos que fizeram por lá. Acho sim que o esporte integra e é essencial à saúde. Mas não é o esporte que está em pauta nas eleições pro CAECO. A pergunta é: que tipo de integração os estudantes podem esperar da chapa atleticana? Só posso me basear no que sei. Sei de churrascos onde pessoas são obrigadas a comer ração no chão, onde pessoas cospem cerveja na cara de pessoas. Nada diferente do que eu presenciei no churrasco que a atlética “ofereceu” quando ingressei na Unicamp, ou no ano seguinte, ou no seguinte… Por ironia do destino, um dos membros da chapa “Prisma” foi justamente vítima dessa última prática, pelas mãos (ou pela boca?) de um membro da chapa “1Cpvc”. Querem que eu acredite que é uma prática normal cuspir cerveja na cara de outra pessoa? E pior, dizem que não podemos tratar desse assunto em termos pessoais! De fato, cuspir cerveja em alguém deve ser algo essencialmente impessoal… Mesmo que não houvesse o caso envolvendo diretamente os membros das chapas em disputa, são práticas abertamente endossadas nos churrascos da atlética e em economíadas (ou alguém proíbe isso? E sim, já fui em 2 economíadas). Eu definitivamente não quero a generalização desse padrão através do CAECO.

Outro item que me comove é a preocupação dos ex-atleticanos com o orçamento e balanço do CAECO (que está afixado em sua sede). A atlética não recebe repasse de dinheiro público, tal qual o CAECO? Então se “accountability” é tão importante, por que essas mesmas pessoas de espírito público não divulgaram os balanços da atlética? Por que não alteraram o estatuto da atlética para que os alunos do IE possam saber onde e com que são gastos os recursos públicos? Por que as reuniões da atlética não são abertas ao público se a entidade recebe e gasta recursos públicos? Por que, magicamente, isso se torna um problema pro CAECO mas não pra Atlética? Não se trata aqui de questionar se membros desviaram dinheiro, pra mim isso é impensável, mas prestar contas e abrir diálogo com os estudantes e a sociedade, afinal se “o CAECO deveria ser pra você”, por que a atlética foi “só deles”? Fato é que esses mesmos estudantes poderiam muito bem ter promovido isso na atlética, mas por algum motivo pouco claro, não consideraram conveniente. Essas coisas são ou não são relevantes? Por que essa abordagem dual? O que mudou?

Fiquei decepcionado de ver como o bom trabalho da atual chapa do CAECO foi distorcido, até por aqueles que se beneficiaram dele. Teríamos um debate muito melhor se tratássemos das propostas e filosofias daqueles que virão a assumir o CAECO e não reduzir um trabalho que se teve falhas (e teve, os próprios membros da chapa têm suas críticas e estão dispostos a discuti-las), definitivamente não foi inerte, manobrado por alunos de fora do IE ou partidos políticos. Qualquer um que foi às reuniões ou compareceu às atividades pode atestar. Deixem pro Laplane “laplanear”.

Armando (02) Doutorado em Desenvolvimento Econômico

Campinas, 13 de Outubro de 2010

 

“Quem como eu critica e propõe com tamanha veemência, o faz porque acredita que é praticável erradicar a conivência, superar a mediocridade e vencer a alienação que denuncia. Obviamente meu discurso não se dirige aos que estão contentes com nossas sociedades e com as universidades que as servem ou desservem. Escrevo para os descontentes, para os que estão predispostos a mudar a América Latina que existe para edificar aqui e agora a primeira civilização solidária.” (Ribeiro, D. A Universidade Necessária – 1974).

 

A ANGE nasceu depois de um “amplo processo de debate nacional acerca da reforma do currículo de economia” em 1985. Transcorridos 25 anos desse processo, nós, estudantes do Instituto de Economia da UNICAMP, sediamos este congresso após uma experiência própria de reformas. Nessa via, os estudantes, em conjunto com o Centro Acadêmico, desenvolveram reflexões, partindo do questionamento de problemas cotidianos, acerca dos cursos de graduação em economia – tendo em foco o curso da Unicamp.

O momento é oportuno para relembrarmos as lições de Darcy Ribeiro: a universidade latino-americana tem um talento nato para defender ideologicamente as estruturas de privilégio, de desigualdade e de submissão próprias das sociedades – sim – subdesenvolvidas.

A universidade necessária, uma universidade que sirva a uma sociedade que reivindica para si a própria libertação – sim, inconclusa – estará sempre em questão enquanto a possibilidade do conflito ameaçar a intolerância acadêmica.

É importante ressaltar que essa carta não deve ser interpretada como uma forma de desmerecer o significado desta instituição ou o esforço empenhado pelos professores e pesquisadores na construção deste curso; muito menos deve ser tomada como um ataque à categoria docente. O verdadeiro propósito dessa carta é reivindicar o direito ao conflito em todas as instâncias acadêmicas.

Há uma insatisfação patente, mal digerida, entre os estudantes a respeito do conteúdo e das práticas de sua formação, contra a instrumentalização do ensino, a hostilização do debate e, principalmente, contra a inépcia do curso em tratar as grandes questões nacionais. Ocorre que tais aspectos são reforçados por um bloqueio de quaisquer tipos de conflitos no seio da academia; o professor sem voz e o estudante sem fibra são suas marcas. O primeiro padece de um falso decoro que o impede de se manifestar explicitamente acerca dos dilemas latentes na sociedade. O segundo, a exemplo de seus mestres, se mostra incapaz de se expressar política e criticamente.

Reconhecemos que toda essa acomodação tem raízes em questões concretas, tais como o acesso a canais de financiamento externos. Se por um lado estes se fazem estritamente necessários, em função da insuficiência dos recursos públicos destinados à universidade – fruto de uma decisão política dos governos estaduais e federais -, por outro lado exigem a submissão a determinados padrões de produtividade e ensino impostos – os quais rompem com a autonomia universitária e anulam a possibilidade de existência de espaços de expressão das divergências internas.

Ademais, o grande propósito ao qual os centros de ensino economia devem se prestar é o de uma intervenção social, acompanhado de uma reflexão crítica capaz de restabelecer à Universidade sua missão de racionalizar os dilemas e possibilidades de nosso tempo. Uma instituição de graduação em economia não se resume a uma linha de produção de economistas e nem unicamente a uma espécie de trampolim para a concretização de aspirações individuais, não justificando que provas como a ANPEC e concursos públicos transformem o espaço universitário em uma espécie de “cursinho superior”. O cumprimento de sua função enquanto escola é indissociável do princípio de intervenção prática na sociedade. E é em face desse desafio que denunciamos o empobrecimento dos cursos.

Ora, a premissa de intervenção no meio social entra em contradição com a lógica de inércia do debate e infantilização do aluno nos supostos espaços de discussão. Cabe confrontar a tendência à instrumentalização do ensino com os pressupostos da reflexão crítica: a intervenção não existe sem reflexão, na medida em que o exercício reflexivo é necessário para viabilizar a formulação de diagnósticos para a constelação de problemas colocados. Dentro do quadro do ensino instrumentalizado, não há tempo para a reflexão e o confronto de idéias, pois impera uma lógica acadêmica produtivista.

No âmbito da relação professor-aluno, o que se vê por aqui é um expressivo tutelamento do aluno pelo professor, com uma rígida hierarquização do conhecimento acadêmico. Como se este se transmitisse em uma via única, qual seja, de cima para baixo – unicamente dos professores para alunos: os estudantes não contam com um espaço efetivo para contestações ou debates mais aprofundados em sala de aula. Uma premissa aí ausente é a da construção coletiva do conhecimento, ou seja, de um processo de constante crítica da crítica, capaz de romper com o marasmo da “pedagogia da hierarquia” e reforçar a formação propriamente dita do estudante. Acreditamos que o conhecimento construído coletivamente é vital não somente porque permite a renovação de idéias, como também faz do estudante um agente transformador de seu meio – pois capacita o cidadão a reconhecer o seu lugar e seu potencial na sociedade.

Como dito, tal tutelamento consiste ainda num dos diversos corolários do recrudescimento da lógica produtivista na academia e no cotidiano da carreira docente. O prestígio acadêmico encontra-se agora atrelado a metas, tais quais a publicação de artigos e a produção de pesquisas encomendadas, numa busca tragicômica por pontinhos na carreira, em detrimento da dedicação do docente às funções pedagógicas. A construção coletiva do conhecimento cede lugar à construção do estudante infantilizado pela pedagogia “do tablado e da carteira”. Ademais, o problema crônico de falta de professores sobrecarrega aqueles que lecionam a uma jornada de horas/aula, por vezes, já extensa.

Entendemos que os problemas aqui tratados refletem questões e conflitos vigentes na sociedade e, portanto, o raio de ação dos cursos de graduação em economia é, numa primeira vista, limitado. Contudo, há muito espaço para a reelaboração da estrutura curricular, das práticas pedagógicas e do relacionamento entre professor e aluno. Ainda mais se levarmos em conta que muitos dos grandes cargos políticos do país, a exemplo da eleição presidencial corrente, são ocupados por economistas, os quais ajudam a elaborar os planos de governo, inclusive aqueles destinado à educação. Sendo assim, o que queremos é inserir, nas discussões deste congresso da ANGE, a relevância central do conflito na vida acadêmica como um motor de idéias e do estabelecimento da crítica como um método de formação.

A acomodação de interesses pode ser positiva na perspectiva da reprodução do sistema em vigor na academia, mas oblitera as chances de reforma do mesmo. Convém ressaltar que o nascimento desta “casa”, como muito nos foi dito, foi fundado no conflito e na dissonância com correntes tecnocráticas e ortodoxas de pensamento econômico; lutemos, portanto, para que o restabelecimento do conflito como uma forma legítima de reflexão e prática política seja não só o fundamento de uma escola necessária, mas o primeiro passo de nossa regeneração.

CAECO 2010

Campinas, 29 de junho de 2010,

O Centro Acadêmico dos Estudantes de Economia da Unicamp (CAECO) vem tornar público o seu apoio à greve dos funcionários das três estaduais paulistas pela isonomia e pelo aumento salarial.

Entendemos que a greve dos funcionários ocorre num momento de grande dificuldade, quando outros movimentos sociais de trabalhadores no estado de São Paulo (como no caso da greve dos professores da rede estadual e do Judiciário paulista) foram e estão sendo atacados e levados à ilegalidade.  As eleições, a copa do mundo e a baixa atuação do movimento estudantil, combinados com a conjuntura já mencionada, são fatos que acabam abrindo margem para a posição intransigente tomada pela reitoria da Unicamp e o Cruesp em relação à greve, punindo os trabalhadores que estão no movimento, como no caso do corte de pontos na USP, e não abrindo diálogo para que haja uma negociação.

A reivindicação do aumento salarial já seria, por si só, válida e legítima, ainda mais quando aquilo que se reivindica é apenas o suficiente para que seja recuperado o poder de compra perdido nos últimos anos. Contudo, sabemos que a questão da isonomia salarial está muito além do aumento de salário. A quebra da isonomia entre as categorias dentro da universidade significa uma tentativa de enfraquecer a unidade do Fórum das Seis e segmentar ainda mais a luta dos professores, funcionários e estudantes por melhorias na universidade pública.

O posicionamento dos reitores, ao concederem maior aumento aos professores e ao negarem a abertura de qualquer diálogo, apenas soltando comunicados que rechaçam o movimento de greve construído, é um posicionamento político. Não vemos esta atitude como apenas uma indisposição das reitorias (nem podemos!), mas sim como um ataque ao direito democrático de greve dos funcionários. Os reitores deveriam exercer sua função de administrar democraticamente uma universidade pública, que deve ser construída pela e para a sociedade brasileira.

Reiteramos o nosso apoio às reivindicações legítimas dos funcionários em greve das três estaduais paulistas e esperamos que as reitorias saiam de seu pedestal e abram um diálogo, como se espera num regime minimamente democrático.

CAECO – Unicamp

Gestão “Despertar é Preciso” 2010

Campinas, 29 de junho de 2010,

O Centro Acadêmico dos Estudantes de Economia da Unicamp (CAECO) vem tornar público o seu apoio à greve dos funcionários das três estaduais paulistas pela isonomia e pelo aumento salarial.

Entendemos que a greve dos funcionários ocorre num momento de grande dificuldade, quando outros movimentos sociais de trabalhadores no estado de São Paulo (como no caso da greve dos professores da rede estadual e do Judiciário paulista) foram e estão sendo atacados e levados à ilegalidade.  As eleições, a copa do mundo e a baixa atuação do movimento estudantil, combinados com a conjuntura já mencionada, são fatos que acabam abrindo margem para a posição intransigente tomada pela reitoria da Unicamp e o Cruesp em relação à greve, punindo os trabalhadores que estão no movimento, como no caso do corte de pontos na USP, e não abrindo diálogo para que haja uma negociação.

A reivindicação do aumento salarial já seria, por si só, válida e legítima, ainda mais quando aquilo que se reivindica é apenas o suficiente para que seja recuperado o poder de compra perdido nos últimos anos. Contudo, sabemos que a questão da isonomia salarial está muito além do aumento de salário. A quebra da isonomia entre as categorias dentro da universidade significa uma tentativa de enfraquecer a unidade do Fórum das Seis e segmentar ainda mais a luta dos professores, funcionários e estudantes por melhorias na universidade pública.

O posicionamento dos reitores, ao concederem maior aumento aos professores e ao negarem a abertura de qualquer diálogo, apenas soltando comunicados que rechaçam o movimento de greve construído, é um posicionamento político. Não vemos esta atitude como apenas uma indisposição das reitorias (nem podemos!), mas sim como um ataque ao direito democrático de greve dos funcionários. Os reitores deveriam exercer sua função de administrar democraticamente uma universidade pública, que deve ser construída pela e para a sociedade brasileira.

Reiteramos o nosso apoio às reivindicações legítimas dos funcionários em greve das três estaduais paulistas e esperamos que as reitorias saiam de seu pedestal e abram um diálogo, como se espera num regime minimamente democrático.

CAECO – Unicamp

Gestão “Despertar é Preciso” 2010