Jornal do CAECO

UMA APRESENTAÇÃO ALTERNATIVA DO IE E DA UNICAMP

Posted on: 09/04/2011

No meio de inúmeras felicitações pelo ingresso na Unicamp, a apresentação alternativa dessa “nova casa” parece, num primeiro momento, uma tarefa absurda, para alguns talvez um monte de palavras de um cara chato de CA. Agora, me diga: esse tal “Instituto de Economia”, esse “Curso Crítico”, essa “Universidade” só têm coisa boa mesmo? Alguns diriam que este momento não é para falar dessas coisas, que tem que ser só de festa, de comemoração, etc*. Mas a idéia deste texto, ao contrário de querer colocar tudo em termos pessimistas, é a de apresentar alguns pontos que, no emaranhado de apresentações “bonitinhas”, de euforia pelo acesso à universidade, passam desapercebido ou mesmo nunca são mencionados na calourada, além de mostrar fatos importantes que vêm se manifestando e que são de desconhecimento dos atuais ingressantes.

Começando pelo que há de mais essencial num ambiente educativo que é a questão pedagógica. Sobre as práticas deste instituto (em outras unidades é bastante semelhante), dá-se o privilégio para formas de ensino cuja metodologia é a mesma de sempre – professor expõe, aluno ouve – e que pouco promovem o diálogo professoraluno, incluindo a ausência de debates em sala de aula e de questionamentos, seja da matéria, seja do método de ensino. Isto contraria a idéia de uma “formação crítica”, uma vez que o mínimo que se exige é que o ambiente educativo proporcione espaço para a reflexão, crítica e revisão do conteúdo exposto.

Não precisamos citar a falta de didática de muitos docentes e a ausência de criatividade de alguns deles, a exemplo daqueles que, na tentativa de “diversificarem” com aulas em power point, mais parecem dar uma aula de karaokê, além de outras anedotas a serem vivenciadas.

O espaço físico é outro item importante e bastante palpável no nosso cotidiano. A biblioteca em breve sofrerá problemas para alocar novos livros e os espaços para estudos são insuficientes, principalmente em épocas de prova; mesmo assim, não há cogitações de reforma. A carência de espaços de socialização entre estudantes e funcionários da universidade, além disso, é notável, seja para estudos, seja para intercâmbio de idéias, experiências ou mesmo descanso das atividades “de rotina”. Aliás, a rotina é um dos pilares desta “nova vida” – o roteiro casa-salade-aula-biblioteca – em detrimento das trocas entre aqueles que convivem na universidade – sem falar, ainda, naqueles que ficam/ficaram de fora da mesma, estes a muito vem sendo esquecidos pela universidade elitista em que estudamos e nenhuma troca com os mesmos esta universidade nos possibilita.

Agregando ao tema do espaço, no ano passado vivenciamos os problemas relativos às festas no campus, que também denotam o quanto a universidade vem fechando o cerco para a convivência universitária. Longe de ser um tema esgotado, uma vez que existem alguns pontos a serem melhor esclarecidos, as festas revelam-se como um espaço de confraternização estudantil, inclusive com pessoas de fora da universidade, e mesmo guardas que trabalham na unicamp alegam que as festas nunca apresentaram problemas maiores, sempre foram pacíficas e integrativas; em contrapartida, a política da universidade tem sido a de inibir, boicotar, reprimir esse tipo de atividade, inclusive elaborando processos contra estudantes, como aquele em que envolveu, de início, membros da atlética da economia e, logo, do caeco, “O Encontro de Baterias de 2009”, sem mesmo termos participado do evento em que éramos incriminados.

Se por um lado o espaço físico é cada vez mais limitado, as verbas para estudantes seguem o mesmo rumo. Os cortes são cada vez mais freqüentes, como o que vem prejudicando o caeco, a atlética e a econômica atualmente. Além disso, a reitoria já sinalizou para a centralização das verbas, o que dificulta a obtenção de mais recursos para a realização de atividades das entidades. Soma-se a isso os cortes realizados na área de extensão, um dos setores mais precarizados na universidade e um dos poucos canais de intermediação da universidade com a sociedade.

Por último cabe citar as alterações curriculares que vimos sofrendo nestes últimos anos, das grades da graduação e da pós. Ambas mostram claramente como o curso vem dando uma guinada a uma formação mais tecnicista e instrumental, voltada para a modelagem matemática ou para a disputa no mercado de trabalho, em detrimento de conteúdos humanistas ou voltados para a crítica da sociedade atual, sinalizado pela diminuição da carga de matérias de humanas e aumento de disciplinas de matemática/modelagem. A tendência é clara: uma adequação a padrões de produtividade ditados por entidades financiadoras públicas (capes, fapesp, etc.), ou mesmo ao “empacotamento” da pesquisa voltada para empresas e seus interesses privados (lucros, claro).

Como dito acima, não se trata de colocar os vastos problemas e permanecer pessimistas diante disso. Muito pelo contrário. Aqui apenas foram elencadas questões que perpassam o cotidiano dos estudantes e, daqui a diante, dos calouros, para a partir disso elaborar formas de intervenção visando transformar essa situação. Nesse sentido, a participação dos estudantes é fundamental, seja através de entidades representativas do movimento estudantil, seja em coletivos, seja de forma autônoma, mas tendo em conta que a organização dos estudantes pode fortalecer essa luta por mudanças. Esperar a boa vontade das instâncias burocráticas e superiores da universidade não nos levará a nada (não nos levou até agora!), pois seus membros são os principais beneficiados do que está dado.

* Nada contra as festas, a bebida, etc, sou completamente a favor, mas desde que não se preste a esconder o mar de problemas que estão a nossa volta.

Diego Ortiz – “Uruguayo”

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