Jornal do CAECO

Bem-vindos!

Posted on: 09/04/2011

Bem  vindos queridos calouros! Há exatamente um ano atrás eu estava na mesma situação que vocês e centenas de sentimentos e expectativas corriam pelas minhas veias. Eu estava embarcando “no curso de Economia mais crítico do Brasil”. Estava prestes a pensar a sociedade brasileira de uma forma que eu sempre quis, teria contato direto com os grandes gurus da Economia brasileira, sem contar na efervescência cultural que estaria prestes a vivenciar diariamente com festas, festivais e apresentações espalhadas por todo o campus. Não posso dizer que de certa forma não desfrutei de momentos que satisfizessem minhas expectativas durante este primeiro ano (primeiramente para não desanimá-los e também por que estaria sendo hipócrita – se fosse tão ruim assim, já teria me mandado!), mas é fato que aquilo que esperava encontrar agoniza em nossa universidade e consequentemente dentro do IE. A universidade que os veteranos dos veteranos e uma dúzia de veteranos sortudos respiraram está sofrendo uma metamorfose.

A Escola crítica (que você sempre vai ouvir sendo chamada de Casa) na verdade não me ofereceu até então muitas ferramentas para pensar a ciência econômica mais criticamente e quando ousamos pensar algo fica a “leve impressão” de que estamos sendo inconvenientes (se você for um bixo tímido como eu, vai até se sentir constrangido de pensar, mas logo passa!), o barato da coisa e ouvir e reproduzir. De qualquer forma, se a Casa não te receber bem podem vir para a área de serviços que lá estamos sempre confabulando algo.

A maior decepção talvez fique por conta do contato com os Chuck Noris das Ciências Econômicas. Temos alguns professores fantásticos por aqui, é bom procurarem saber quem são para não embarcarem em aulas trote todo semestre, mas se espera ter aula com um ex-presidente do banco x, com o conselheiro do presidente da república, etc., fique sabendo que estes caras não estão mais muito interessados em você! Mesmo não concordando com muitos desses figurões, seria monumental poder ter aulas com eles e discordar pessoalmente do que eles estão dizendo. Fica o consolo de esperar que eles estejam vivos quando chegarmos à “maturidade intelectual” de um mestrado ou doutorado pra poder trocar idéia com os caras.

Tudo bem, se dentro do IE as coisas não estão maravilhosas, pelo menos podemos atravessar a rua e ir ao IFCH ou ao IMECC curtir um happy hour e esquecer um pouco do economês nosso de cada dia certo?  Não tão certo assim na verdade. Há algum tempo festas e encontros de universitários para beber uma simples breja e trocar idéia, interagir, ou seja, viver a universidade, estão sendo podados, atendendo à interesses de alguns e com total aval da reitoria. Esse papo tem muito pano pra manga mas o fato é que com isso as nossas opções de quebra de rotina, descontração e mesmo momentos excelentes para teorizar sob efeito de algumas doses, estão cada vez mais se restringindo e o espaço público sendo tomado de assalto.

Essa foi a universidade pública que encontrei. Mas apesar dos pesares, queridas e queridos ingressantes, ainda respiramos e esta metamorfose que ocorre ainda esta longe de nos fazer parar de pensar na universidade que realmente queremos, metamorfizada de forma oposta à esta. Ah, se não concordam com algo que aqui está escrito, não se reprimam (uoooo!) sintam-se à vontade para desdizer tudo aquilo que lhes disse antes. Queremos bixos e bixetes pensantes acima de tudo!

De um agora veterano que espera ter eternamente o brilho nos olhos dos calouros.

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