Jornal do CAECO

Cartas de Resposta ao Prof. Laplane

Posted on: 27/10/2010

1ª CARTA

Aos Estudantes, Funcionários e Professores do IE

Na última sexta-feira, dia 22 de outubro de 2010, o diretor do Instituto de Economia, Prof. Mariano Francisco Laplane, designou a um funcionário desta unidade a tarefa de coletar nomes de estudantes ligados às últimas gestões do Centro Acadêmico dos Estudante de Economia e da Associação Atlética Acadêmica XV de Julho. Em um primeiro momento, foi dito aos alunos que as informações eram necessárias para “manter contato”. Após a cessão dos dados, esclareceu-se que se tratava de um inquérito policial relacionado à realização do Encontro de Baterias da Unicamp no mês de novembro de 2009. Três estudantes, entre eles um membro do CAECO e outro representante discente da Congregação, foram até a sala da Direção pedir cópias dos documentos relativos ao inquérito. Lá, o diretor do Instituto, a partir de iniciativa própria, quis recebê-los para um diálogo sobre o tema, ao longo do qual revelou que os nomes de dois estudantes da A.A.A. XV de Julho seriam encaminhados à Procuradoria Geral para dar sequencia ao processo. Além disso, haveria uma reunião com ambos na segunda-feira, dia 25 de outubro de 2010, às 17h.

 

Preocupados com as possíveis punições aos dois alunos, estudantes da Atlética, do Centro Acadêmico e da Economica, as três entidades estudantis do IE, se organizaram para a realização de uma Assembleia dos Estudantes na segunda-feira, ao 12h, anteriormente à reunião com os membros da antiga gestão da A.A.A XV de Julho. Nesta Assembleia, foi decidido que era preciso exigir o compromisso de não-delação por parte do diretor do Instituto frente à Reitoria. Devido à urgência do pleito, os estudantes foram ao encontro do diretor que, naquele momento, estava na reunião da Congregação. Não havia, portanto, interesse algum por parte dos estudantes de incidir sobre ou prejudicar  as pautas da reunião da Congregação, mas tão somente que fosse transferida para o auditório para que a manifestação dos estudantes, com leitura e assinatura do compromisso, se desse de forma pública. É necessário frisar que essas decisões foram tomadas exclusivamente por estudantes do IE. A participação de pessoas de outros institutos é comum e importante no movimento estudantil, mas, na citada Assembleia, a decisão foi unicamente de nosso corpo discente.

 

Frente a movimentação dos alunos, o Prof. Mariano Laplane saiu da sala onde se realizava a reunião. Foi feito silêncio por parte dos presentes para explicar a reivindicação, negada insistentemente pelo diretor do Instituto, que sob os argumentos de defesa da democracia representativa, sugeriu que fosse eleito um representante do grupo para realizar uma fala. Diante desse posicionamento, foram escolhidos três alunos representantes das instituições estudantis, com a intenção de explicar o que ocorria para os presentes na reunião e demonstrar o caráter legítimo e democrático do movimento construído durante a Assembleia. Essa segunda tentativa de diálogo foi impedida imediatamente pelo diretor – inclusive de forma grosseira – e demonstra uma contradição com sua proposta anterior. Indignados com a forma de conduzir a situação por parte do Prof. Mariano Laplane e vendo temporariamente esgotadas as vias dialógicas, os estudantes passaram a tocar a bateria e protestar em frente à porta da sala a qual, aliás, não foi vítima de nenhum golpe como se afirma na carta à Comunidade Acadêmica do IE, redigida pelo diretor. Indo além, não houve tentativa alguma de coação física. O máximo que houve foi a recusa de alguns estudantes de fornecer passagem aos professores, obstrução essa facilmente transposta sem maiores transtornos, e que são atos puramente individuais, não decididos em Assembleia, assim como a pichação que amanheceu no muro do IE e da qual se desconhece o autor.

 

Retomando as atividades no pátio do IE, os estudantes decidiram por, mais uma vez, se propor ao diálogo, criando uma comissão composta por cinco alunos, entre eles representantes da três entidades estudantis, que iria explicar a reivindicação. Essa comissão foi recebida pelos professores que se afirmaram desrespeitados. Nesse encontro, os estudantes pediram novamente pela não-delação dos alunos e foi dito que, por se tratar do tema das festas, ele não se comprometeria com isso: iria decidir após a reunião com os alunos, baseado em sua consciência. Após essa nova negativa, a Assembleia optou por uma greve a ser revisada até as 12h desta terça-feira, 26 de outubro de 2010. Reafirmamos que essa decisão foi tomada exclusivamente pelos alunos do IE, não tendo direito a voto participantes de outros institutos.

 

Ainda além, como discutido em Assembleia, a greve não possui como motivo único a não-delação dos dois estudantes, mas também a política repressiva tocada em todos os âmbitos da vida universitária e especificamente dentro do Instituto de Economia no ocorrido ao qual essa carta faz referência. A defesa da democracia passa pelo debate tolerante de questões que não encaramos como triviais, pela apuração precisa dos fatos e pela veiculação sincera de informações, o que acreditamos que não ocorreu na carta redigida e divulgada pelo diretor do Instituto de Economia da UNICAMP e buscamos incitar por meio desta.

 

A.A.A. XV de Julho

 

CAECO

 

Economica

IE, 26 de outubro de 2010.

2ª CARTA

Campinas, 27 de outubro de 2010

 

À Comunidade Acadêmica do IE,

 

Viemos, por meio desta, repudiar o posicionamento do Diretor do IE, Professor Mariano Laplane, explicitado em sua última carta enviada a todos no dia 26 de outubro. Gostaríamos de esclarecer as alegações feitas na supracitada carta.

  • A obtenção dos nomes dos membros das gestões atuais e antigas do CAECO e Atlética realizada na sexta-feira passada, pelo Orlando, como já foi dito na primeira carta enviada pelos estudantes, foi feita de forma lamentável. Isto porque foram pedidos os nomes alegando-se que era para estabelecer um contato entre as instituições e direção do instituto e só depois foi explicitado que havia sido enviado um ofício pela Procuradoria Geral com relação ao encontro de baterias ocorrido em novembro de 2009 e o diretor do instituto deveria entregar nomes à reitoria.
  • Na ocasião, sexta-feira passada, em que os dois alunos da pós-graduação do IE foram pedir mais informações, eles estavam acompanhados por mais uma aluna. Não há motivo aparente para que o diretor tenha suprimido o nome da aluna em questão, “se o fez por ingenuidade ou cálculo político não cabe neste momento julgar”.
  • Nesta mesma reunião, o diretor deixou claro que ele estava cumprindo ordens e que, portanto, teria que entregar nomes à reitoria. É justificável, portanto, que os alunos tenham se comunicado pelas vias possíveis durante o fim de semana visando proteger os colegas e com este fim foi marcada uma assembléia deliberativa legítima para segunda-feira, dia 25 de outubro, ao meio-dia.
  • É louvável que o Professor Laplane tenha, em sua recente carta, se negado a informar o nome de qualquer aluno à PG sem antes conversar diretamente com estes. Assim, parabenizamos o diretor por ter conversado com os dois primeiros alunos que estavam em risco, e sabendo que eles não tiveram nenhuma relação com o encontro de baterias, não enviou seus nomes à PG. No entanto, o diretor enviou nomes à reitoria. Os quatro alunos cujos nomes foram enviados não tiveram aviso prévio nem qualquer tipo de diálogo com o diretor antes de saberem que seus nomes haviam sido entregues. Só se ficou sabendo da situação através da carta do dia 26 de outubro. O que mais causa perplexidade é que juntamente com a entrega dos nomes, o diretor diz que entende que os interessados não tiveram envolvimento com o encontro de baterias de 2009, pelo qual são acusados. O fato é que, agora, os nomes destes quatro alunos estão em mãos da reitoria, estando mais sujeitos a qualquer tipo de punição ou represália, havendo inclusive a possibilidade do caso ser repassado à polícia. A partir de agora, a situação destes alunos extrapola a área de atuação do Instituo de Economia.
  • É preciso deixar claro que o motivo da greve NÃO SÃO AS FESTAS, e que esta não foi manipulada e votada por alunos de outros institutos, como se acusou em carta anterior. Reiteramos que o motivo principal da greve são as punições e repressões que os alunos vêm sofrendo.
  • Como a Direção diz respeitar o direito de greve dos alunos, é importante que os professores compreendam a atual conjuntura e se comprometam a não prejudicar nem ameaçar os alunos, independentemente do posicionamento quanto à greve.

Estudantes

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