Jornal do CAECO

Um manifesto contra o CR

Posted on: 19/08/2010

É impressionante em pleno século XXI a utilização de uma medida objetiva, incrivelmente simples e arcaica para quantificar a evolução de seres humanos em uma realidade complexa. Esta medida, chamada de “coeficiente de rendimento”,  não só aparece como métrica preferida dos docentes para qualificar os discentes como é estigmatizada no histórico acadêmico, o qual acompanha a pessoa para o resto da vida.

A média geral de um aluno é uma função de muitas variáveis, não apenas do esforço realizado por esse aluno para o cumprimento da totalidade dos créditos. Entra também na “equação”, além do esforço, diferentes efeitos dos incentivos proporcionados pelos docentes aos alunos, diferentes padrões de cognição dos alunos, diferentes padrões de vida dos alunos, e mais importantemente, sorte. É inadmissível que a sorte na academia, representada pelos estranhos processos de alocação de turmas da Diretoria Acadêmica (DAC) e pela aleatoriedade subsequente que estão submetidos os alunos, seja institucionalizada pelo CR, podendo influenciar eventos futuros (na economia institucional dá-se o nome de path dependence a esse processo).

Por outro lado, objetivamente há também a questão da decomposição da média geral que é o CR. Como ressaltado, há diferentes interesses, paixões e modos de racionalização envolvida no processo de aprendizado, portanto nada mais natural do que diferentes notas entre alunos considerando a mesma disciplina com o mesmo professor e mantendo tudo mais constante. Se há necessidade do cálculo de uma média objetiva, então necessita-se também desenvolver um modo de qualificar os diferentes tipos de ensino, como por exemplo, diferenciar os professores que por um lado cobram maior memória, dos que por outro lado cobram maior criatividade. E a partir daí desenvolver, no caso, duas médias diferentes.

Por fim, há a questão do trabalho em grupo. Uma pessoa pode não se destacar em avaliações individuais, mas por outro lado sempre que esta pessoa participa de um grupo, este se destaca. O mérito dificilmente é reconhecido. Para efeito de ilustração, proporciono um exemplo do basquete: o melhor pegador de rebotes não é aquele que pega maior número absoluto de rebotes, mas sim aquele que mais aumenta a probabilidade do time pegar o rebote quando este jogador está envolvido na jogada.

Guilherme B. R. Lambais (marinho 04)

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