Jornal do CAECO

BOLETIM CACH – Acerca da greve dos funcionários das estaduais Paulistas

Posted on: 26/05/2010

 FÓRUM DAS SEIS

 A estrutura das universidades estaduais paulistas hoje nos permite uma instância conhecida como Fórum das Seis que pretende representar as três categorias que são o alicerce de uma universidade: professores, funcionários e estudantes. É uma entidade da qual participam DCE’s, sindicatos dos trabalhadores e associações de docentes da USP, Unesp e UNICAMP que entende as reivindicações postas como de competência das três categorias como um todo e importantes para garantir o desenvolvimento das universidades.

Assim sendo, o Fórum das Seis desse ano tem como pauta: reajuste salarial; descriminalização dos movimentos sociais; contra terceirização; permanência estudantil gratuita; contra autarquização dos hospitais universitários; contra o ensino à distância exclusivo; autonomia universitária; garantia de creches para funcionários e professores e aumento do financiamento para as universidades estaduais.

GREVE DOS TRABALHADORES

Retomando as mobilizações do ano passado, os trabalhadores das três universidades paulistas se uniram nesse período de campanha salarial para levantar as reivindicações já pronunciadas mais o reajuste salarial que é, de fato, uma pauta que unifica a categoria. Entretanto, o que está em jogo nessa mobilização vai além do salário para questões como direito à greve, desagregação da categoria com contratações terceirizadas e falta de igualdade no tratamento, por parte dos reitores, com os professores e funcionários.

No início do mês o CRUESP (Conselho de Reitores das Estaduais Paulistas) retomou as negociações com os representantes do Fórum das Seis. A reivindicação salarial dos funcionários era 16% de reajuste mais 200 reais de recuperação histórica da categoria, entretanto, os professores, que também tinham reivindicações salariais, ganharam um reajuste de 6% enquanto os funcionários nada. Ferindo uma conquista histórica de igualdade tratamento dado aos funcionários e professores por parte dos reitores, a isonomia, os trabalhadores exigem agora, em comum, o repasse dos 6% dado aos professores. Os funcionários da USP estão em greve desde o começo do mês e têm também suas pautas específicas. O CRUESP encerrou suas negociações uma semana depois dos funcionários da USP entrarem em greve e os funcionários da UNICAMP entram em greve seguidos dos funcionários da UNESP. Retomam-se as negociações uma semana depois e encerra-se novamente. Agora toda a categoria está unida. Em greve, as discussões têm partido da pauta salarial para questões que cabem a toda categoria dos funcionários, mas também aos estudantes e professores – cabem a toda universidade.

O direito de greve vem sendo cada vez mais restringido como vimos com a greve da APEOESP (Associação de Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) em abril, reprimida com força policial; com o que aconteceu também com a greve da USP no ano passado com a entrada da polícia dentro do campus (o reitor ferindo a autonomia da universidade conquistada historicamente pelos estudantes, professores e funcionários!). Agora, o atual reitor da Universidade de São Paulo passou uma liminar na justiça pedindo uma multa de mil reais ao sindicato a cada dia de greve. Entenda-se aqui que a greve é um direito constitucional conquistado pela luta dos trabalhadores! Que o trabalhador pode tirar greve para defender seus interesses e o cerceamento deste DIREITO tem sido naturalizado ao invés de provocar indignação.

A greve ainda enfrenta outras dificuldades não tão imediatas quanto a repressão, mas históricas. Os trabalhadores têm uma dificuldade muito grande de se unir e de ter uma justa repercussão da sua causa uma vez que serviços terceirizados, como o bandejão, a Funcamp, faxineiros entre outros, continuam funcionando e tirando o foco da greve. A discussão da terceirização perpassa pontos como precarização dos serviços e direitos conquistados por todos os funcionários concursados ao longo das lutas histórias, além de salários miseráveis e condições desumanas que esses terceirizados enfrentam, para questões políticas de desagregação da categoria dos funcionários.

A PAUTA UNIFICADA

 A princípio pode parecer estranho os estudantes se mobilizando em prol da pauta dos funcionários, mas aqui entende-se que a pauta dessa categoria tudo tem a ver com o projeto de universidade pública e de qualidade que queremos, e portanto, tudo tem a ver com a categoria dos estudantes. Pode ainda parecer estranho estarmos por trás de uma pauta salarial, mas os trabalhadores já estiveram por trás de pautas dos estudantes, como a UNIVESP e contratação de professores no ano passado.

Este ano, mais uma vez, a UNIVESP e, como sempre, a permanência estudantil estão na pauta unificada e, enfatizamos aqui que a existência de uma instância como o Fórum das Seis apenas reconhece, mesmo que muitas vezes com debilidades, a necessidade de unificação das lutas e conquistas dos professores, funcionários e estudantes em conjunto. Cientes dessa importância, queremos colocar nas discussões cotidianas e nas mobilizações diárias essa necessidade e pensar a universidade pública como fruto das três categorias em conjunto.

Não precisamos nem apontar a importância dos funcionários quando olhamos para nossa biblioteca ou CDP fechados em momentos de extrema necessidade, como o fim do semestre, e podemos ter certeza de que eles também o sabem e esperam a nossa mobilização para futuras conquistas e para voltarem ao trabalho.

 Gestão Terra em Transe – de luta e em aliança com os trabalhadores
cachdeluta@gmail.com
cach-unicamp.blogspot.com

 

 FOLHA DE SÃO PAULO

26/05/2010-18h38

Justiça concede reintegração de posse para USP; PM pode entrar no campus

TALITA BEDINELLI
DE SÃO PAULO

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A Justiça de São Paulo concedeu nesta quarta-feira um mandado de reintegração de posse para os prédios da USP (Universidade de São Paulo) bloqueados por piquetes de funcionários grevistas, segundo a reitoria da universidade.

Ao todo, sete prédios da USP estão obstruídos com faixas, pedaços de madeira e cadeados, de acordo com o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP). Entre eles, a unidade principal da ECA (Escola de Comunicação e Artes) e a reitoria, bloqueada pelos servidores ontem.

O mandado abre a possibilidade de que a Polícia Militar entre na universidade para garantir o fim dos piquetes.

No ano passado, uma greve iniciada por funcionários da USP também em maio ganhou a adesão de professores e estudantes um mês depois, após a Polícia Militar ter sido chamada pela então reitora Suely Vilela para impedir piquetes dos servidores em prédios como a reitoria.

A greve durou 57 dias e foi marcada por um conflito entre a Força Tática da PM, de um lado, e estudantes e funcionários, do outro, que deixou ao menos dez feridos. A paralisação terminou em 22 de junho sem que as principais reivindicações da categoria fossem atendidas.

Isonomia

Os trabalhadores da USP, Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e da Unesp reivindicam, entre outras coisas, aumento salarial de 16% mais R$ 200. O Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) já propôs reajuste de 6,57%, mas os funcionários das três universidades recusam o acordo e afirmam que a proposta manteria a quebra da isonomia salarial.

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