Jornal do CAECO

PROPOSTA DA CPG PARA O MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

Posted on: 13/04/2010

No dia 08 de abril, uma nova reunião de reforma da pós-graduação ocorreu na FECAMP tendo como objeto o mestrado em Desenvolvimento Econômico, seguindo o mesmo procedimento de tratar com total independência cada um dos programas da pós, a despeito dos apelos estudantis para que se criasse uma unidade para a formação do aluno do IE.

Um projeto para discussão foi apresentado pela direção e pela coordenação. No primeiro semestre os ingressantes pagariam penitência à “santíssima trindade” da CAPES: “Macroeconomia”, “Microeconomia” e “Métodos Quantitativos”. No segundo semestre seria ministrada a disciplina de “Economia Brasileira e Internacional e mais duas disciplinas específicas de cada uma das áreas: Regional e Urbana, Social e Trabalho, Agrícola e Meio Ambiente. No terceiro, seguiriam mais duas eletivas de área e a disciplina de “Desenvolvimento Econômico”. Paralelamente, em cada semestre, haveria uma disciplina de elaboração de projeto de tese ou dissertação com carga horária de 20 horas.

Uma primeira crítica que poderia ser colocada à proposta é o fato explícito de reforçar uma esquizofrenia dentro do Instituto ao tratar a pós-graduação com total independência entre seus programas.

Por outro lado, a disposição das disciplinas recebe os alunos e coloca as primeiras questões à moda fracionada da CAPES (através de Micro, Macro e Métodos Quantitativos), deixando para o final, quando os projetos de pesquisa já estão consolidados, uma tentativa de se organizar uma visão de conjunto mais totalizante através da disciplina de Desenvolvimento Econômico.

O resultado é que a agenda das discussões, sistematizadas através das disciplinas, tenta fazer o percurso do específico para o geral, da parte para o todo. O problema, como nos ensina a dialética, é que a parte não contém em si todos os elementos que racionalizam a totalidade a qual integra.

As preocupações dos estudantes vêm se pautando exatamente pela necessidade de se organizarem discussões seminais no início do curso, que remetam a uma compreensão abrangente do capitalismo contemporâneo. Assim, cada uma das pesquisas teria por trás de si referências a um horizonte comum de indagações. Tal é a proposta que vem sendo debatida e construída no âmbito do Fórum dos estudantes de Pós-Graduação em relação à formação fundamental do aluno do IE/Unicamp.

O golpe mais incisivo contra essa perspectiva partiu de uma das propostas centrais apresentadas na última reunião, vinda do CESIT.

Trata-se de um artifício para compatibilizar uma APARENTE estrutura comum de curso (a apresentada valia apenas para o CESIT) com a possibilidade de flexibilização total, dentro de cada disciplina. Explicamos melhor. O estudante deve cumprir na estrutura obrigatória de curso Micro, Macro, Métodos Quantitativos, Desenvolvimento, FEB e Brasileira+Internacional, somando seis disciplinas obrigatórias. Em tese, esse seria o núcleo comum ao programa de Desenvolvimento, ao qual se adicionariam três disciplinas de área (sem sobrar espaços para eletivas). Numa primeira aproximação a proposta não parece tão ruim, com exceção da ausência de Economia Política, considerada fundamental pelos estudantes enquanto chave para compreensão do capitalismo. Todavia, foi sugerido que esse núcleo contemplasse uma dinâmica de “Blocos”. Cada uma das disciplinas listadas partiria de um conteúdo comum, com alunos das diferentes áreas. Num ponto particular do semestre as turmas se subdividiriam, para que cada área pudesse desenvolver sua visão particular sobre o objeto da disciplina.

Ora, isso é justamente o contrário de formação comum! Em verdade, aquilo que se propõe como formação comum, por esse artifício se transforma na reprodução, na menor escala possível, da heterogeneidade que assola o IE. Ademais, é incompatível com a idéia de se formar o aluno de pós dando a ele uma “chave” comum, geral, para depois lançar-se sobre tópicos específicos, porém encadeados com as problemáticas levantadas numa suposta formação comum nucleada por FEB e Economia Política.

Essa proposta, mesmo assim, parece ter contado com a simpatia de parte dos professores, já que resolve, de uma só vez, o impasse representado pela necessidade de enfrentamento e de debate subjacente à idéia de formação comum defendida pelos alunos. E o faz mantendo as visões particulares de frações específicas da ciência econômica, agora não apenas dentro de cada sub-área do programa de desenvolvimento, mas dentro de cada uma das disciplinas.

Daniel 03 (MDE)

Armando 02 (DDE)

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