Jornal do CAECO

Para maus interpretes e inimigos da Revolução Cubana

Posted on: 12/04/2010

de Theo Martins Lubliner

“… Já se disse que Cuba não poderia socializar mais que a miséria. Nesses últimos 20 anos Cuba fez mais que isso, o que exige que se retome a crítica desse julgamento cruel. Chega-se onde quando se parte da “socialização da miséria”? Os inimigos da revolução cubana prestam-lhe um serviço, certamente sem o querer!” Florestan Fernandes, Da Guerrilha ao Socialismo: a Revolução Cubana, 1979*.

Após passar quase um mês em Cuba, conhecer mais de perto a revolução e o socialismo cubano e ser encorajado pelo texto Sobre democracias & hipocrisias**, publicado no jornal Brasil de Fato, de Luiz Ricardo Leitão, e pelo livro de Florestan Fernandes “Da Guerrilha ao Socialismo: a Revolução Cubana”, decidi escrever esse texto para aquelas pessoas que só ouviram falar da revoluo cubana, para alguns de seus críticos, para quem tenta encaixar o socialismo cubano em alguma teoria pré-fabricada e para os seus inimigos.

Ao analisar a Revolução Cubana, muitas pessoas tendem a encaixá-la em alguma teoria “pré-fabricada”, escrita, seja anteriormente ou posteriormente à revolução, na Europa ou em qualquer parte do mundo. Muitos o fazem para tentar desqualificar o seu triunfo, outros também, mas sem o saber. Esses, ao fazê-lo, percorrem um caminho totalmente absurdo de investigação e compreensão da história. Ao invéz de partir dos fatos históricos para analisar a realidade e ver de que forma a teoria influenciou a história e de que forma a história modificou a teoria, tentam encaixar a revolução e o socialismo cubano em alguma teoria, como se coloca um parafuso em um buraco de um prego menor. A força.

Para aqueles que imaginam estar sendo marxistas ao fazê-lo, ele mesmo, o Marx, já havia alertado de que o socialismo não é uma teoria, uma lei ou um decreto, mas sim um processo de transformação que se dá pelas movimentações da sociedade. Claro que não se deve esquecer das teorias ou de processos históricos passados. O que não se deve fazer é tratá-los como verdade absoluta em qualquer espaço e tempo.

Enquanto grande parte da esquerda mundial afirmava que movimentos guerrilheiros de vanguarda não poderiam gerar as condições subjetivas para uma revolução socialista e que, portanto, não poderiam dar certo, lá estava o “louco” Fidel Castro e seu exército guerrilheiro lutando nas matas cubanas. Com apoio de movimentos urbanos, é verdade. Mas encabeçando o processo.

Enquanto dizia-se, baseado nos escritos de Marx, através de uma repetição totalemente alienada e sem comprender a que tempo e espaço a que ele se referia, de que os camponeses eram uma classe conservadora, pois o seu objetivo é lutar pela propriedade privada, lá estava Fidel e o exército guerrilheiro aliando-se aos camponeses e ganhando seu apoio para tomar o poder e fazer a revolução, assim como descreve Florestan:

“…se tal evolução (da coletivização da produção agrária) não fosse possível, o desenvolvimento das forças produtivas e a estabilização do socialismo em Cuba teria sido muito mais difícil (ou, mesmo, improvável). Portanto, por trás de uma intensa, contínua e crescente estatização se achava a força viva da revolução, a “classe revolucionária cubana”, os trabalhadores agrícolas.”

Camponeses! Muitos já haviam se tornado trabalhadores assalariados e que naquele momento ainda reivindicavam a propriedade privada, mas que a partir da revolução incorporaram-se à luta pela propriedade coletiva. Foi, e é, através das cooperativas agrícolas que a revolução cubana sustentou-se e triunfa.

Enquanto diziam que a revolução socialista em países de economia tipicamente agrícola necessitaria de uma intensa industrialização para se consolidar, lá estava o governo cubano sustentando o desenvolvimento econômico com a produção açucareira.

Enquanto disseram que o socialismo cubano não suportaria a pressão do embargo econômico dos EUA com o fim da URSS, lá estava a sociedade cubana, já muito mais avançada em seu nível de consciência do que qualquer sociedade no mundo, suportanto as dificuldades enquanto o governo cubano incentivava o turismo tipicamente capitalista (mas com monopólio estatal) para garantir a entrada de dólares (na época a única moeda de transações internacionais) e as condições materiais mínimas para dar continuidade à revolução.

“…Passaram-se quase vinte anos – e até os oráculos falharam. Os cubanos conhecem muito bem seus problemas internos, ao contrário do que supõem os inimigos, mas preservam, como raros povos no mundo, o sagrado direito da autodeterminação. E, politizados e instruídos, têm acompanhado com muita atenção as didáticas lições que o mundo pós-moderno lhes enseja.” Luiz Ricardo Leitão, Sobre democracias & hipocrisias, 2010.

Enquanto muitos dizem que em Cuba não existe socilismo, uma vez que só se pode existir socialismo quando ele for hegemônico em termos mundiais, na sociedade cubana não existe a classe burguesa, ou seja, os meios de produção estão concentrados no Estado; a economia é planificada e os recursos são destinados ao bem-estar da população; tod@s têm aceso à saúde e à educação (até o nível universitário); não há fome, miséria e nem pobreza; os deputados são trabalhadores; não há insegurança e os índices de violência são baixíssimos.

Mais do que toda essa superação de muitas das questões materiais, @s cuban@s têm a consciência. A consciência do que se passa em Cuba e do que se passa no Mundo.

“…Os caminhos já foram traçados e refeitos quatro ou cinco vezes e é quase certo que, no futuro, o mesmo se repetirá, cada vez mais que o país atingir o topo de uma nova virada. Os recuos, os tateios e os desvios se farão, não obstante, com um largo acúmulo de vantagens e constante ganho de terreno. Ao que parece, não existe o risco de um paso a frente e dois para trás.” FF, 1979.

Após 31 anos do texto de Florestan Fernandes e 51 anos da Revolução Cubana, eu diria ao professor, se isso fosse possível, que mesmo sendo necessário dar um ou dois passos atrás, como o caso do turismo e das parcerias em setores estratégicos com a iniciativa privada extrangeira, parece ainda não haver risco. O que são 2 passos atrás para quem já deu mais de 50 a frente?

Assim como Leitão, tenho certeza que @s cuban@s possuem plena consciência do que se passa e acredito que ainda surpeenderão o mundo mais uma vez enquanto especula-se sobre o seu futuro.

 

* Da Guerrilha ao Socialismo: a Revolução Cubana, Florestan Fernandes, 1979, Coleção Assim Lutam os Povos, Editora Expressão Popular, 2007.

** Sobre democracias & hipocrisias, Luiz Ricardo Leitão, Brasil de Fato, 16/03/2010.

 Publicado em: http://www.embuscadaamericalatina.blogspot.com/

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1 Response to "Para maus interpretes e inimigos da Revolução Cubana"

Só um miseravel analfabeto politico e otário terceiro-mundista gosta da miseria socialista cubana!

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