Jornal do CAECO

Carta para antigos, atuais e futuros membros do CAECO

Posted on: 12/04/2010

Escrevo essa carta por querer compartilhar a importância que considero ter o CAECO, porque estou sempre preocupado com o que se passa por aí e porque  ando meio inspirado para escrever (acho que è o espírito revolcuinário aqui da Venezuela).

Quero começá-la escrevendo o porquê em 2008, já no meu quarto ano de curso, resolvi voltar a disputar uma eleição do centro acadêmico, depois de já tê-lo feito em 2006.

Tudo começou em 2007 em que após uma gestão do CAECO marcada por muita inexperiência e por um grande desgaste após a organização do Encontro Nacional dos Estudantes de Economia (ENECO) em Campinas, uma chapa de direita ganhou as eleições para 2008 com uma campanha superficial e apelativa com o nome de “Chapa Ação” (um trocadilho deplorável), e voltou ao CAECO.

A direita do Instituto de Economia da Unicamp (IE) não é diferente da direita de qualquer lugar do mundo. Estão sempre na luta por interesses individuais. No IE eles querem dar trote, fazer festa, arranjar um “bom” estágio e conseguir um diploma para, quem sabe, conseguir um emprego. Para eles isso é o passaporte para tentar se tornar um burguês (ou rico, se acharem que esse termo já está ultrapassado).

E não foi só isso que eles representaram no seu ano de gestão. Eles também representaram a perda de uma geração no IE, vide a falta de participação política dos ingressantes de 2008, e uma grande derrota no processo de reforma curricular, que vai nos custar mais 9 anos, até que se realize a próxima.

A partir desse ano, e em contato constante com os estudantes de economia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a partir do ENECO de 2007 em Campinas, fiz um diagnóstico das necessidades que estavam impostas e as possibilidades que estavam postas ao movimento estudantil do IE.

Observando a sequência de lutas e de vitórias que o movimento estudantil da UFSC estava conseguindo – como: a conquista do Centro Acadêmico Livre de Economia (CALE) e do DCE da UFSC; discutir um projeto de reforma curricular em pé de igualdade com os professores, seguido de muitas aprovações de suas reivindicações; organizar o maior ENECO de todos os 35 que já houveram; e mais recentemente de organizar e articular os calouros para boicotar as aulas de um professor que está processando um estudante do mestrado por escrever uma carta e possuir divergências políticas (ninguém entrou na sala de aula desse professor até agora, a primeira semana de aula. Imaginem o trabalho de recepção aos calouros que eles fizeram!) – percebi a necessidade da esquerda voltar ao CAECO.

Mas não só voltar ao CAECO. Voltar ao CAECO seria a forma de rearticular a esquerda dentro do instituto, que está desarticulada há tempo. Por isso também o Grupo de Estudos de América Latina, os Caecoxinhas, o apoio aos grupos de extensão da Unicamp, o mini-curso sobre América Latina, o Caecartola (e não “psybosque”), o esforço para que fossem 2 ônibus ao ENECO em Florianópolis (e não só um, ou pior, nenhum), etc.

Em muitas conversas com o Taufic, tanto em 2008 como em 2009, planejamos muitas coisas para o CAECO. Obviamente nem tudo foi realizado. Longe disso. Porém, acredito que a gestão de 2009 e os seus apoiadores conseguiram, juntos, criar alguma base para conseguirmos muitas realizações em 2010 (e a choppada desse ano foi um grande exemplo!). Muito disso também, graças a nossa sorte da geração que entrou em 2009 ter chegado ao instituto, não sei como, com um espírito de envolvimento político surpreendente.

Muitos sacrifícios pessoais foram feitos (como muitas notas baixas, alguns exames e poucas reprovações, menos lazer do que o desejado, noites não muito bem dormidas, etc.) e devem continuar sendo feitos. Não me arrependo por duas coisas: não tenho dúvida que um minuto de militância valeu muito mais do que muitas horas em salas de aula com muitos dos professores descompromissados que temos; e tenho certeza que esse esforço pode se refletir em muitas vitórias.

Acredito que para conseguirmos essa articulação devemos promover o debate. Como diz o Plininho: “o importante é o debate”. Mas não se iludam que o debate é o fim. O debate é o meio! Sem debate não há transformação que se sustente, mas o objetivo é a transformação. Dialeticamente, quanto mais debate, maior a necessidade de transformação, e quanto mais transformações, novas questões surgem para serem debatidas, surgindo assim uma relação dinâmica e constante.

Não se iludam também de que o objetivo do CAECO deva ser a “integração” dos estudantes do instituto (coisa que muita gente repete por ai) ou fazer com que as reuniões ordinárias tenham aumento de participação quantitativa. Isso pode até ser uma consequência, mas não pode ser o objetivo.

No Instituto de Economia da Unicamp está se formando quadros para o futuro. Esse deve ser o foco! Se os professores não nos ajudam, formemos quadros qualificados e realmente críticos, nós mesmos!

Vejam as eleições para presidente desse ano. A disputa dar-se-á (caso não haja nenhuma mudança repentina do que parece óbvio) entre duas pessoas que passaram um dia pelo Instituto de Economia da Unicamp e que não representam um projeto de transformação, nem de independência do Brasil e muito menos um projeto de esquerda, em pleno marco histórico de importantes mudanças em toda América Latina, graças a sua formação (digo isso sem medo porque a formação se dá por toda a vida. Não é porque a Dilma um dia tenha sido uma guerrilheira que ela ainda é uma grande revolucionária. Nem é pelo fato de, tanto ela quando o Serra, terem lido Marx na graduação e na pós-graduação que eles são marxistas).

Percebam a responsabilidade e os desafios que estão postos nesse momento para todos nós.

Não percamos mais tempo, nem o Centro Acadêmico!

 Theo Martins Lubliner – Economia Unicamp 2006

Anúncios

1 Response to "Carta para antigos, atuais e futuros membros do CAECO"

Concordo com a maior parte do que disseste, Theo.
O importante é o debate, como meio, e o CAECO tem realmente muito o que fazer pela frente.
Gosto mesmo do exemplo da UFSC de atuação de um CA, que se aproxima dos estudantes desde o primeiro contato, o que faz uma baita diferença.

Mas discordo de que tenhamos que esperar mais 9 anos por uma nova “outorgação amplamente discutida” de grade curricular. Tampouco acho que o espaço de discussão acadêmica no IE esteja perdido.
Tenho esperanças (quanta ingenuidade) de que valha a pena lutar por ele, também.
Lutar pela universidade ainda é essencial, embora nem de longe suficiente, na minha visão.
Mas é preciso lutar contra essa visão de que a critica que o IE tem pra fazer já foi feita e está pronta.

Segundo João Manuel Cardoso de Mello, em 2006, “Serra é uma das pessoas que pensam criativamente a partir da herança cepalina”.
E Mello é um dos grandes críticos do nosso IE…

Abraços paranaenses,
Bernardo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: