Jornal do CAECO

Chile no início da nova década

Posted on: 05/04/2010

Estamos longe em distancia e tempo do Chile, mas o terremoto e suas conseqüências chegam até nós diariamente, seja por jornais impressos ou televisivos, por conversas, etc. Vale lembrar que notícias do Haiti também são freqüentes aqui. Diferente do que passa no Brasil, sentimos que a solidariedade é maior do que a pena, e que a luta pelo reconstrução dos dois países e pela garantia dos direitos de seus habitantes existe por aqui como uma forma de construção da Grande Nação LatinoAmericana – proposta por Bolívar.

Também por isso achamos necessária uma postagem sobre esse assunto, pois o que dá o maior sentido a nossa viagem é o sonho de uma Grande Pátria Socialista LatinoAmericana.

Encontramos um pedaço de um jornal num gramado da Universidade Central da Venezuela em que tem uma reportagem que aborda um tema pouco discutido e fundamental para explicar o que foi dito acima.

Fizemos uma tradução de algumas partes. O periódico parece se chamar Revolución a diário e o nome da matéria é Terremoto, Capitalismo e Socialismo do dia 02 de março de 2010 é de Rómulo Pardo Silva

A reposta nacional ao desastre tem sido a do sistema capitalista votado por 90% dos eleitores. É importante tomar o doloroso acontecimento como uma demonstração do que a burguesia pode fazer em casos como esse.

TUDO PRIVATIZADO

No país capitalista é percebida uma falta de autoridade que conduza sem vacilações a administração necessária. É compreensível. Os políticos da burguesia nos cargos do Estado compartem com os empresários as decisões. Esse é seu compromisso. Paralelamente o Estado carece de meios próprios para agir. Falta água potável para os afetados, a empresa é privada e não é dotada de meios para produzir energia para bombeá-la. Milhares de pessoas não tem onde comprar alimentos, os supermercados são privados e seus donos decidiram não abrí-los. As comunicações falharam, as empresas são particulares e não instalaram geradores a petróleo para emergências. Não se pode viajar nem desde, nem para as zonas afetadas, os donos dos ônibus não permitem, mesmo que haja estradas com problemas, mas disponíveis. Necessita-se reparar estradas, o ministro entrega aos concessionários essa missão…

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A ação do Estado chileno, ao colocar o exército nas ruas com o objetivo de aquietar a gente, evitando com violência a onda de revolta e desespero que toma a população atingida e que se manifesta também em forma de saques – completamente legítimos na nossa visão -, mostra que o que se defende é a propriedade privada e os privilégios de quem a detém e não os interesses da população – mesma ação vista no Haiti após o terremoto, onde pessoas que estavam saqueando foram assassinadas por soldados.

Não poderia haver um melhor lugar para se perceber tamanha contradição entre discurso daqueles que defenderam e defendem a iniciativa privada e as maravilhas do livre-mercado, e a realidade. É, nesse momento, no Chile, a sede de experimentações de políticas econômicas e sociais que se convencionou chamar de neoliberais pelo seu caráter, que a iniciativa privada mostra o quão ineficiente, escrota e injusta ela é, principalmente quando se trata de monopólio dos bens essenciais para a vida, como a água e a comida.

E a tragédia não para por ai. Infelizmente a perspectiva no Chile não é boa. Acaba de assumir a presidência Sebastian Piñera que é um dos empresários mais ricos do Chile e é declaradamente amante da iniciativa privada e do livre-mercado.

Vamos ver até quanto @s chilen@s aguentam de tragédias.

Theo e Daniel

de Caracas

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