Jornal do CAECO

A incrivel experiência neoliberal na Venezuela e as suas consequências

Posted on: 05/04/2010

Pode-se dizer que tudo começa no final do século XVI com a chegada dos espanhóis na Venezuela. Para resumir um pouco a história e chegarmos à 1989 pode-se dizer que até essa data a Venezuela foi uma colônia. Antes espanhola, depois estadounidense.

Foi em 1989, após anuncio do governo Carlos Andrés Perez de diversas reformas de cunho liberais, inspiradas no Consenso de Washington, como aumento de tarifas e preços, contenção de salários, privatizações, etc. que tudo começou a mudar.

Dizem que o estopim de tudo aconteceu quando trabalhadores que viviam em uma “cidade dormitório”, ou seja, somente dormiam na cidade e iam trabalhar todos os dias em Caracas, perceberam ao pegar a condução para o seu trabalho que seu salário não era mais suficiente nem mesmo para ir trabalhar. Exemplo máximo da exploração. Se os trabalhadores não tinham sequer dinheiro para transportar-se da sua casa até o seu trabalho, quanto mais para comprar comida.

Foi então, em 27 de fevereiro de 1989 que começou uma onda de saqueamentos de supermercados, mercados, lojas, ou seja, de todo o setor de distribuição de alimentos e de bens de consumo. Aparentemente uma movimentação descontrolada e desesperada da população, mas talvez a população estivesse consciente, organizada e cançada de ser explorada e fornecer petróleo a baixo custo para os EUA.

O governo não tardou então a colocar o exercito nas ruas para conter os saqueamentos e reestabelecer a “ordem”.

Começa então um massacre. Milhares de pessoas são assassinadas friamente em nome da defesa da propriedade privada.

Vídeos sobre o Caracaço:

http://www.youtube.com/watch?v=5poj-DBt40c&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=vqFQJgMExrc

Foi então que parte do exército, em meio a toda contradição entre os ensinamentos dados de que deveria defender a população e a sua pátria e ter que matá-la e destruí-la, resolveu pôr-se ao lado da população, entrar em confronto com a outra parte do exército que obedecia as ordens do atual governo de matar a população caso houvesse saques e tomar o poder. É aqui que surge a figura do atual presidente Hugo Chavez Frias, comandante desse exército de oposição.

Acusado de culpado pela tentativa de golpe, Chavez é preso em 1992. Chavez pede então para não haver mais derramamento de sangue, que os conflitos cessem e diz que se responsabiliza pelas consequências.

Os conflitos então cessam, mas a população, traumatizada, já não permitiria mais abusos da classe dominante.

O atual presidente então, Carlos Andrés Perez é derrubado acusado de corrupção em 1993 e assume Rafael Caldera que liberta Chavez em 1994.

Apoiado pela esmagadora maioria da população e considerado um heroi, Chavez ganha as eleições de 1998.

Começa então um processo de transformação que desagrada a elite venezuelana que tenta em 2002 um golpe em Chavez. Porém, já organizada, politizada e apropriadas do que se passava a nível nacional, a população foi as ruas e impediu que a velha elite voltasse ao poder.

Hoje, acredita-se estar vivendo um processo revolucionário na Venezuela e a população, consciente e na defesa desse processo de transformação, grita constantemente: “27 de febrero és prohibido olvidar!” e “no volveran!”.

Correspondentes
Theo e Daniel (geografia-UNESP) – diretamente de Caracas

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