Jornal do CAECO

Sobre a Reforma da Pós

Posted on: 10/03/2010

A discussão sobre a reforma curricular da pós-graduação do IE já se arrasta há algum tempo e, entre o corpo discente, vem avançando paulatinamente, por vezes de modo mais sistemático, por vezes de modo informal. O que importa destacar é que parece haver um desconforto geral em torno a duas questões: por um lado, que chegamos a um momento crucial, em que a “reforma” apresenta-se na iminência de ser implantada e desencadeada, de imediato, a partir da mudança na grade curricular do mestrado em Economia; por outro lado, que esse procedimento parece precipitado e arbitrário, à medida que não foi precedido de um debate amplo, profundo e aberto, principalmente porque toca em pontos delicados, não apresentando claramente quais os critérios usados para definir os conteúdos fundamentais do curso.

No âmago desse movimento, deve ter destacado lugar a participação e a unidade do corpo discente, que tem como sua maior instância de articulação o Fórum. Esses requisitos são importantes, primeiramente, para que possamos nos contrapor às propostas que, partindo do corpo docente (a despeito das divergências que ele também comporta), procuram ser impostas verticalmente, de cima para baixo, sem as devidas considerações para com os problemas estruturais da pós-graduação, a qualidade e o sentido que deve ter uma tal formação. Segundo, para que consigamos nos inserir nas discussões e no processo da reforma, de modo geral, que têm se apresentado pouco abertos à participação dos alunos. Nossa mobilização como um todo é imprescindível para que se dissolvam os particularismos e para que, assim, tenhamos condições de gerar discussão e emplacar um projeto aberto, estabelecendo o necessário diálogo com o corpo docente em pé de igualdade.

E, principalmente, nossa participação e unidade são fundamentais para que, no debate a ser travado, possamos definir com clareza quais são as questões gerais e qual o sentido que deverão nortear a reforma. Uma mudança na grade curricular que não passe pela análise dos conteúdos das disciplinas – e não pelas disciplinas em si, como se fossem blocos independentes a serem retirados e inseridos aleatoriamente – é no mínimo questionável e vazia. A qualidade da formação oferecida por um curso de pós-graduação, particularmente quando se trata de uma Universidade Pública, não depende apenas de indicadores quantitativos, mas da coerência da formação proposta. Assim, toda e qualquer mudança na grade curricular, toda discussão a ser feita em cada programa e área da pós, pressupõem a delimitação das questões gerais às quais tudo mais deverá estar subordinado.

Não se fará isso de um momento para o outro, nem com passes de mágica. Exigirá um debate prolongado e qualificado. Será necessário interrogar a realidade para identificar quais as questões que estão postas e a que somos chamados a responder, enquanto partes integrantes de um Instituto de Economia de uma Universidade Pública, e que, portanto, não pode fugir a certas responsabilidades, e que, historicamente, reivindica o pensamento crítico e a preocupação com os dilemas concretos do País. Somente assim a reforma adquire uma razão de ser objetiva, uma sólida base na qual se apoiar e que a impeça de se esvaziar e se erodir em disputas particulares. Somente assim, definido o rumo ao qual o movimento da realidade social nos impele, poderemos levar às áreas do programa de pós-graduação discussões qualificadas e posições firmes. A discussão geral é pressuposto das discussões particulares. Tal deve ser a dinâmica do debate e do processo de reforma da pós-graduação do IE. Daí, também, a importância de nossa participação e de nossa unidade, para que não sejamos engolfados por outras dinâmicas que já estão em andamento.

Enfim, não devemos nos iludir, nem dar margem a enganos. Não importa por qual área comece a “reforma”, esse é um debate que diz respeito à pós-graduação como um todo, e mais, ao destino deste instituto de economia, ao que ele se propõe a ser e às tarefas que ele se propõe enfrentar. Reduzir esse debate a particularismos ou disputas pessoais seria amesquinhá-lo e fazê-lo girar em falso.

 Abraços,

João Paulo – DTE

Representante Discente

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