Jornal do CAECO

Jogue bola (ou um testículo de auto-ajuda em homenagem ao poeta Pedro Bial)

Posted on: 10/02/2010

Tá legal, você tá aqui pra estudar. Você tem sede de conhecimento. É pra isso que serve a Universidade. É importante para o seu futuro. É uma responsabilidade que você assumiu para com a sociedade brasileira que paga seus estudos. Seu pai vai tirar seu carro se você bombar. Seja lá qual for seu motivo, estude muito. Mas afinal de contas, é somente de estudo que se faz um@ economista? Será verdade o que estão te dizendo: que “aqui é muito foda”? Que é fácil entrar e difícil sair? Que você tem que assistir a todas as aulas, chegar no horário, temer o professor como um inimigo, ler todos os cheróques, ir a poucas festas, fazer a barba, passar maquiagem, andar sempre de cabelo bem-penteado, bem-vestido, de banho tomado, sempre pronto a agarrar a sorte grande de um emprego bem-remunerado? Eu acho que não. Eu acho que é importante certa ousadia, certa irresponsabilidade, certa liberdade de mento, de ações, certa transgressão. Acho importante que você perceba seus próprios limites, cometa seus próprios erros e goze seus próprios acertos. Não aceite este terrorismo. Ele serve somente para te disciplinar, para te massificar, para te transformar em mais um burocrata insosso, mais um sujeito normal. Nossos mestres vivem nos dizendo que este é um instituto crítico, mas muitos deles vivem nos tratando como criancinhas eternamente incapazes de pensar com suas próprias cabecinhas. Como fossem eles verdadeiros donos do conhecimento, tomam conta de cada detalhe da nossa formação. Enchem nossas grades de pré-requisitos, de matérias obrigatórias, certificando-se de que sigamos em linha reta, normal, na média. Na minha modesta opinião, ser crítico e obedecer às normas de maneira cordata são coisas completamente contraditórias. Tomar a escolha da transgressão, às vezes dói, especialmente porque muitos de seus professores e mesmo de seus colegas pensam que você deve ser punido por não seguir a lei. Mas eu acho que o prêmio compensa. Como a maioria das coisas dessa ida, essa é uma questão de escolha. Faça a sua. E se você ainda me permite te aconselhar, aconselho que desobedeça; que questione; que estude; que vá quantas festas você agüentar; que faça amig@s; que jogue bola, que toque na bateria, que viva o mundo – dentro e fora da Universidade. Não para fazer networking, ou para o seu sucesso profissional. Faça isso porque é gostoso. Única e simplesmente porque é muito gostoso. Aposto que você vai aprender muito mais transgredindo do que sendo mais um entre os muitos que seguem de cabeça baixa e um – para mim – estranho sentimento de superioridade a cartilha ditada pela autoridade competente. Pois não tenho dúvidas de que um requisito de extrema importância para um bom economista – ouso dizer, para um bom cidadão – é a autonomia de pensamento. Exerça-a. E jogue bola!

Com um abraço,

Thiago Fernandes Franco, sãopaulino, mestrando em história econômica, e – sobre todas as coisas – boleiro.

Não lembramos o endereço do sítio da foto. Querendo, dá uma gugada que cê acha…

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