Jornal do CAECO

Sobre este espaço

Publicado por: seuarauto em: 29/01/2010

Este blog é um espaço aberto para se discutir a Universidade, o Instituto, economia e temas relacionados.  Ele está à disposição de todos(as) os(as) estudantes e ex-alunos(as). Todas as contribuições serão postadas pelos editores sem qualquer restrição de viés. Para isso, elas devem ser enviadas para caecounicamp@gmail.com ou deixadas com algum membro da chapa.

Ricardo de Medeiros Carneiro
Ao longo do processo de discussão e implementação da reforma da pós-graduação do IE e, recentemente, com a definição do corpo docente cadastrado na CAPES em reunião da Congregação, os critérios pelos quais esta instituição avalia os cursos de pós-graduação têm sido um tema de discussão recorrente. Nestas notas, sem a pretensão de tratar exaustivamente do tema, procura-se levantar alguns aspectos controversos desses critérios no que tange especificamente à área de Economia. Seu objetivo maior é estimular a discussão e a apresentação de novas contribuições para o aprofundamento do diagnóstico sobre um tema crucial para nossaatividade como professores e pesquisadores.

 

TEXTO COMPLETO: http://pt.scribd.com/doc/58916027

Watergate #1413

Publicado por: seuarauto em: 28/06/2011

———- Mensagem encaminhada ———-
De: <mctavares@>
Data: 20 de junho de 2011 16:26
Assunto: Apoio
Para: carneirordm@
Cc: mlaplane@
Caro Ricardo Carneiro
Soube de sua candidatura a Diretor do nosso instituto de Economia e estou lhe mandando o meu apoio entusiástico.
Boa campanha e boa sorte.
Com o abraço da amiga
Maria da Conceição Tavares
C/c ao diretor do IE/Unicamp
Prof. Dr. Mariano Francisco Laplane.

Deu no Miséria: Manifesto da Marcha das Vadias.

Publicado por: seuarauto em: 25/06/2011

POR QUE MARCHAMOS?

No Brasil, marchamos porque aproximadamente 15 mil mulheres são estupradas por ano, e mesmo assim nossa sociedade acha graça quando um humorista faz piada sobre estupro, chegando ao cúmulo de dizer que homens que estupram mulheres feias não merecem cadeia, mas um abraço; marchamos porque nos colocam rebolativas e caladas como mero pano de fundo em programas de TV nas tardes de domingo e utilizam nossa imagem semi-nua para vender cerveja, vendendo a nós mesmas como mero objeto de prazer e consumo dos homens; marchamos porque vivemos em uma cultura patriarcal que aciona diversos dispositivos para reprimir a sexualidade da mulher, nos dividindo em “santas” e “putas”, e muitas mulheres que denunciam estupro são acusadas de terem procurado a violência pela forma como se comportam ou pela forma como estavam vestidas; marchamos porque a mesma sociedade que explora a publicização de nossos corpos voltada ao prazer masculino se escandaliza quando mostramos o seio em público para amamentar nossas filhas e filhos; marchamos porque durante séculos as mulheres negras escravizadas foram estupradas pelos senhores, porque hoje empregadas domésticas são estupradas pelos patrões e porque todas as mulheres, de todas as idades e classes sociais, sofreram ou sofrerão algum tipo de violência ao longo da vida, seja simbólica, psicológica, física ou sexual.

No mundo, marchamos porque desde muito novas somos ensinadas a sentir culpa e vergonha pela expressão de nossa sexualidade e a temer que homens invadam nossos corpos sem o nosso consentimento; marchamos porque muitas de nós somos responsabilizadas pela possibilidade de sermos estupradas, quando são os homens que deveriam ser ensinados a não estuprar; marchamos porque mulheres lésbicas de vários países sofrem o chamado “estupro corretivo” por parte de homens que se acham no direito de puni-las para corrigir o que consideram um desvio sexual; marchamos porque ontem um pai abusou sexualmente de uma filha, porque hoje um marido violentou a esposa e, nesse momento, várias mulheres e meninas estão tendo seus corpos invadidos por homens aos quais elas não deram permissão para fazê-lo, e todas choramos porque sentimos que não podemos fazer nada por nossas irmãs agredidas e mortas diariamente. Mas podemos.

Já fomos chamadas de vadias porque usamos roupas curtas, já fomos chamadas de vadias porque transamos antes do casamento, já fomos chamadas de vadias por simplesmente dizer “não” a um homem, já fomos chamadas de vadias porque levantamos o tom de voz em uma discussão, já fomos chamadas de vadias porque andamos sozinhas à noite e fomos estupradas, já fomos chamadas de vadias porque ficamos bêbadas e sofremos estupro enquanto estávamos inconscientes, já fomos chamadas de vadias quando torturadas e estupradas por vários homens ao mesmo tempo durante a Ditadura Militar. Já fomos e somos diariamente chamadas de vadias apenas porque somos MULHERES.

Mas, hoje, marchamos para dizer que não aceitaremos palavras e ações utilizadas para nos agredir enquanto mulheres. Se, na nossa sociedade machista, algumas são consideradas vadias, TODAS NÓS SOMOS VADIAS. E somos todas santas, e somos todas fortes, e somos todas livres! Somos livres de rótulos, de estereótipos e de qualquer tentativa de opressão masculina à nossa vida, à nossa sexualidade e aos nossos corpos. Estar no comando de nossa vida sexual não significa que estamos nos abrindo para uma expectativa de violência, e por isso somos solidárias a todas as mulheres estupradas em qualquer circunstância, porque foram agredidas e humilhadas, tiveram sua dignidade destroçada e muitas vezes foram culpadas por isso. O direito a uma vida livre de violência é um dos direitos mais básicos de toda mulher, e é pela garantia desse direito fundamental que marchamos hoje e marcharemos até que todas sejamos livres.

Somos todas as mulheres do mundo! Mães, filhas, avós, putas, santas, vadias…todas merecemos respeito!

Diferencial

Publicado por: seuarauto em: 22/06/2011

Tolhido se fez
Inocentemente camuflado manteve-se
E assim ficaria até que percebesse.
 Vislumbrou a dicotomia
Perguntou se certo e errado
E surpreso ficaria quando entendesse que tanto fazia.
 Importante era defender
Criticar
Pensar
Colocar
Tentar
Incluir
Debater
Agir
Metamorfosear tudo em verbo; em ação
Mesmo que considerada uma DERIVAÇÃO IMPRÓPRIA.
 Agora se deparava com a dúvida geral em questão, como vai promover a INTEGRAÇÃO quem não considera a DERIVAÇÃO?

  Newton e Leibniz

Parabéns, Laplane!

Publicado por: seuarauto em: 21/06/2011

            Há menos de um ano atrás, estudantes do Instituto de Economia mobilizaram-se contra a efetivação de uma delação requisitada pela reitoria ao diretor do Instituto de Economia, Mariano Laplane. A instância máxima de poder dentro da universidade buscava nomes de responsáveis pela realização de uma festa no campus, o “Encontro de Baterias”, que tradicionalmente ocorre no Teatro de Arena.

            A cruzada contra as festas caminhava a passos largos. O IFCHSTOCK, maior festa realizada no campus, foi definitivamente proibido no mesmo período. A Polícia Militar ordenou a retirada de todo o material que estava armazenado dentro das dependências do Centro Acadêmico de Ciências Humanas. Não mandou recado. Fez isso presencialmente, e durante uma tarde o que se viu foram dezenas de estudantes carregando milhares de cervejas para fora da Unicamp. Aquela cena marcou, para aqueles que viveram outros tempos, o fim de um projeto de integração dos estudantes entre si e da universidade com o entorno. Um projeto construído, com todas suas contradições, deficiências e limites, pelo movimento estudantil, por jovens que viam a Festa como oportunidade política, para além da retórica dos partidos, dos movimentos, do hoje tão repugnante “esquerdismo”.

            Por esse motivo, o IFCHSTOCK ficou conhecido como a MANIfesta. O fato de ocorrer no espaço público, e ser concebido por aqueles que valorizam este espaço (não em termos contábeis, ou estratégicos, mas em termos de formação cívica, moral, da gestação do respeito e da tolerância frente ao diferente), fazia com que nestas festas fosse fortemente desestimulada qualquer atitude opressiva, seja em relação às mulheres, aos homossexuais, aos gordos e gordas, feias e feios, negros, índios, pardos, pobres etc. Essa concepção de encontro no espaço público reverberava de certa forma para todas as outras festas realizadas na Unicamp. Nesse contexto, muitos mudaram suas concepções. Muitos conheceram pessoas diferentes de si e as entenderam. Beberam cervejas juntos, conversaram juntos, embora isso parecesse impossível caso o isolamento do privado nunca tivesse sido rompido. Não descrevo aqui um conto de fadas, só quero deixar claro que essa era uma oportunidade aberta aos universitários: rever, a partir da utilização do espaço público, suas concepções de classe, seus preconceitos, suas ideologias, a dimensão de sua visão de mundo. Do ponto de vista acadêmico, essas atividades sempre concentraram um gigantesco potencial de fazer valer a universidade como universidade, e não como coleção de especificidades.

            A convivência com as celebrações privadas sempre ocorreu. No caso do IE, elas são majoritariamente representadas pelos jogos universitários, com todas as suas contradições e limites. Nestes eventos, as preocupações com o caráter coletivo e público sempre foram muito pouco respaldadas, embora possamos sim encontrá-las nas atitudes de determinados participantes. Entretanto, são poucos. A maior fonte de diversão são as diversas esferas de concorrência e competição (a melhor equipe, a melhor torcida, o mais bêbado, o mais “causador”, o mais pegador…) e geralmente isso leva a reforçar padrões grotescos de sociabilidade e incitar a reprodução dos signos de “superioridade” tão fortes em nossa sociedade (o machismo, a homofobia, a humilhação, a segregação, o preconceito).

            Há dois dias duas estudantes denunciaram essa faceta dos jogos universitários e das festas. Expuseram provas concretas de como se manifestam entre os estudantes e trouxeram outros casos de igual relevância (o “rodeio das gordas”) para questionar: qual o limite de nossa tolerância? Até que ponto admitiremos sem problematizar, sem se incomodar? Até que ponto a conivência não é uma forma de responsabilidade? São essas perguntas que eu gostaria de ver respondidas não só pelos estudantes, mas pelo diretor do Instituto e por outros que sempre consideraram um absurdo a universidade acolher festas, manifestações culturais, acolher as diferenças.

            O que as eleições do CAECO tem a ver com isso? Tudo. A frieza que o ambiente universitário impõe, em suas relações para dentro e para a fora, faz crescer o discurso de que a integração deve ser atomizada. Deve ser uma “integração separatista”, uma integração para dentro (fascimo). Estar próximo a outros estudantes, a outros setores da sociedade, não é integração, é divórcio da sua função bem definida na burocracia acadêmica. As novas gerações de estudantes, na ausência de um outro testemunho do que seja integrar, devem estar atentas a essas concepções fracas e vazias de conteúdo e construir, na medida em que acumularem forças, novos significados para esses termos. Boicotar jogos e festas poderá ser uma consequência, mas deve ser uma consequência refletida, consciente, crítica e não apenas rebelde. Vivi isso quando busquei “sair” do IE em busca de ar fresco, de liberdade, de afetividade, de amor. E vi que dava tempo de apostar em outros valores, se despojar das bestialidades que estão por aí. Sempre há tempo para o verdadeiro diálogo (o diálogo que é feito com amor, carinho e esperança, não o diálogo defensivo que o preconceito clama para se justificar).

            Por fim, devemos ter em mente o aspecto estrutural de todo esse processo e questionar a concepção das instâncias de poder do que é público e o que é privado. Os estudantes que tanto prezam pela diversão e integração dos alunos do IE estão, por linhas tortas, selando um pacto de mediocridade com as instâncias de poder onde são eles mesmos que perdem, ao não explicitar os problemas crônicos de que padece a Universidade e que tem relação direta com a nossa saúde física e psicológica neste lugar.  Neste contexto, a solução é fazer uma festa aqui, outra acolá. Que me perdoem arautos da masculinidade, mas essa verdadeira pagação de pau para a universidade e para o sistema como um todo é das coisas mais broxantes que podem existir.

 Em apoio a Daphnae e Flávia,

 Taufic 06

Não foram subjugadas.

Publicado por: seuarauto em: 21/06/2011

Hay hombres (e mulheres) que viven contentos aunque vivan sin decoro. Hay otros que padecen como en agonía cuando ven que los hombres (e mulheres) viven sin decoro a su alrededor. En el mundo ha de haber cierta cantidad de decoro, así como ha de haber cierta cantidad de luz. Cuando hay muchos hombres (e mulheres) sin decoro, hay siempre otros que tienen en sí el decoro de muchos hombres (e mulheres). Esos son los que se rebelan con fuerza terrible contra los que les roban a los pueblos su libertad, que es robarles a los hombres (e mulheres) su decoro. En esos hombres (e mulheres) van miles de hombres (e mulheres), va un pueblo entero, va la dignidad humana. Esos hombres (e mulheres) son sagrados.

Martí 

Dentre as diversas formas de ser sórdido, uma das mais esquivas é pelo uso da anedota, porque ela agride e desautoriza os ofendidos a reagir contra ela.

Duas estudantes do IE e militantes do coletivo feminista Pão e Rosas publicaram um artigo no Jornal do CAECO (ieunicamp.wordpress.com) no qual elas primeiro afirmam a existência de uma ideologia de violência contra mulher na sociedade e, posteriormente, apontam como a mesma coisa se verifica no ambiente universitário específico do Instituto de Economia da UNICAMP: contra alunas e contra funcionárias.

O ponto herético foi criticar o jogo universitário, o evento religioso mais importante no calendário da Atlética. A prática esportiva, nunca deixa de ser, também, uma prática lúdica e cultural. E as dimensões culturais possíveis passam por várias possibilidades construtivas ou não. Nossa intocável entidade reproduz – embora não precisasse – uma espécie de High School Musical do ensino superior.

A crítica feita por elas é a forma como a premissa do esporte é apropriada para reproduzir uma cultura de coisificação e violência contra a mulher entre os estudantes. E a excelente denúncia do machismo é forte, porque ela é notada no seio da insuspeita elite rica, branca, educada, cristã, é dirigida aos seus filhotes irrepreensíveis.

No imaginário machista circulam dois estereótipos categóricos e definitivos sobre a condição da mulher: submissa ou desvairada. A mulher que não se coloca na sua posição de adequação ao homem é a mulher louca que transtorna as relações e o seu lugar social.

A reação ao artigo foi brutal, ferocíssima, infame. No mesmo espaço se registraram inúmeras respostas – a maioria anônimas, outras não – com apologia explícita e chocante da violência contra mulher em geral e contra as duas em específico.

Na noite do dia 20/06 o coletivo Pão e Rosas da qual fazem parte, organizou um ato de exposição – prática recorrente da luta desses grupos – da violência que foi dirigida como resposta ao texto. Houve, por um lado, difusão pública da resposta nominal mais emblemática, registrada no espaço de comentários do Jornal, feita por Renato César Martins Pinto, estudante do curso noturno: “Uma mulher que não sabe diferenciar um hino universitário de estupro, espancamento ou qualquer outra forma de violência realmente merece ser subjulgada.” (sic). (Que fique claro, existem inúmeras outras respostas tão ou mais graves registradas anonimamente ou não no mesmo espaço).

Por outro, houve a coleta de assinaturas para uma nota pública de repúdio ao machismo na universidade, acompanhada da uma discussão conduzida pelo grupo para problematizar a questão, principalmente, entre as mulheres do curso.

Dessa vez a reação foi algo mais que brutal, ferocíssima e infame porque foi temperada com a reação das duas chapas em disputa pelo Centro Acadêmico do Instituto.

A chapa composta por ex-membros da Atlética, uma chapa situacionista porque não propõe o enfrentamento de nenhuma das várias questões críticas que permeiam a universidade, partiu em defesa da vítima: o estudante Renato. Isso mesmo. O estudante que estava sendo constrangido e se tornou um mártir do sacro-direito de subjulgar (sic) uma mulher.

Os advogados de defesa argumentaram por dois lados. Primeiro, ele tem o direito de manifestar suas convicções. Segundo, as agressoras, desvairadas, estavam criando um verdadeiro escândalo com base em exagero e manipulação de agentes subversivos soviéticos estudantes do IFCH. De fato, existem estudantes do IFCH no coletivo Pão e Rosas, o que especialmente causa ojeriza nos estudantes do IE, mas também há estudantes de outras faculdades. Todos eles estavam presentes enquanto parte do coletivo.

Bem, há quem diga que a movimentação toda consistiu num golpe eleitoreiro. Não foi. Antes tivesse sido. Explico.

A posição da outra chapa foi explicitamente: a) não intervir, porque não era um problema especificamente dela, apesar de possuir uma pauta contra opressões em sua carta-programa, tratar-se de colegas e alunas de/em seu Instituto; b) não intervir para não ter sua credibilidade de maneira nenhuma associada ao ato das estudantes, à presença de estudantes do IFCH no IE ou atritos com a sacra-atlética.

Por sorte, os oprimidos não precisam da sensibilidade de terceiros para expressar indignação contra seus opressores. Qualquer cultura é difícil de mudar, principalmente uma cultura opressiva. Mas se é possível, a mudança certamente passa por uma reação à violência, por uma exposição dos agressores e pela expressão legítima da indignação das pessoas ameaçadas.

Mas o que se vê, contudo, é uma reação oportunista de isolamento das estudantes. Acontece, por um lado, pela relativização da agressão e, por outro, pela acusação de desvario. O problema do machismo volta a pairar nas nuvens, quase sem nos tocar, e o caso se reduz a meia dúzia de linhas infelizes contra duas pessoas em particular.

O absurdo dessa situação reflete uma deterioração humana sem tamanho. Uma cultura de opressão que brutaliza mulheres, negros, homossexuais não deve jamais ser naturalizada, relativizada, consentida e muito menos ignorada. Sim, haverá barulho, sim, haverá desconforto, sim, haverão rostos desconhecidos e sim, haverá denúncia pública e irrestrita.

Quero declarar minha total solidariedade e respeito a todas as mulheres que se sentiram ofendidas, principalmente à Flávia, à Daphnae e ao senso de dignidade que carregam. Foram agredidas, sofreram esse assédio moral explicitamente por serem mulheres, mas não foram subjugadas por ninguém, em hipótese alguma, sob quaisquer custos.

 Daniel – Fantasma Jedi

Onde estão os encantos?

Publicado por: seuarauto em: 17/06/2011

Muitos fatos que acontecem na sociedade nos passam despercebidos. Estamos tão acostumadas à mentira de uma sociedade livre e de iguais condições somada a uma visão fatalista de nossas vidas, que acabamos por naturalizar vários tipos de violência: fome, desigualdade, falta de acesso à água potável e rede de esgoto, analfabetismo, discriminação racial, xenofobia etc. A violência contra a mulher é uma delas: a mulher morta e esquartejada pelo companheiro, a mulher que fica paralítica vítima da violência doméstica, os vários casos de estupros, de abusos, de tráfico de mulheres são capazes de nos sensibilizar, geram ódio, raiva, pena, mas não são capazes de nos mobilizar. Por exemplo, em Campinas, conforme dados da Secretaria de Segurança de SP, só nos primeiros quatro meses desse ano, foram registrados 73 casos de estupro. No estado de SP, em 2011, já ocorreram 2699 casos! Esses dados são reflexos daquilo que ocorre diariamente, e é por nós, mulheres e homens, naturalizado ou banalizado.

Segundo a Unesco, uma em cada três ou quatro meninas é abusada sexualmente antes de completar 18 anos e segundo a ONU, uma em cada em três mulheres será espancada, violentada ou estuprada em algum momento de sua vida. Qual a razão desses dados bárbaros? Na nossa sociedade capitalista patriarcal em que tudo é transformado em mercadoria, desde os direitos elementares para sobrevivência humana até o próprio ser humano e suas relações, as mulheres são vistas pelos homens e por elas mesmas como uma propriedade masculina, um objeto, e não um sujeito independente (num sentido amplo que ultrapassa o conceito meramente financeiro englobando a sua independência plena com relação ao homem, à maternidade, à família), capaz de transformar a realidade. A Igreja, o Estado burguês, a mídia possuem um papel fundamental na difusão dessa visão de mulher enquanto objeto sexual, na qual se destaca o papel reprodutivo e o papel submisso de usufruto do homem.

Essa ideologia que legitima e gera esses atos e esses números inadmissíveis é a mesma que se expressa nas Economíadas. O que a princípio pode parecer apenas um torneio esportivo despido de qualquer conteúdo ideológico revela, num olhar mais atento e crítico, o machismo, a homofobia e o elitismo ocultos. Na Economíadas Caipira do ano passado, vimos um exemplo escancarado (!) nos hinos divulgados em material oficial da Atlética, ou seja, nas músicas que resumem os objetivos e os valores dos estudantes de economia. “Pinga, maconha, mulher e baixaria/quem manda nessa porra é Unicamp economia”, “Ela diz que é gatinha, que seu peito é natural/Diz que sua bolsa Prada foi presente de Natal/Mas eu to ligada na pura realidade/Chupa rola e dá o cu pra pagar mensalidade/ Ela é puta graduada!”, “Aqui só tem coiote louco/Quero beber, quero cheirar/Cuidado biscatinha da Puccamp porque a fodeu vai te pegar!” ou “Essa é a escola que todos desejam, mas poucos conseguem entrar/Você que tentou e não conseguiu, vai pra puta que pariu!” são alguns exemplos dos hinos cantados. 2011 é mais um ano em que esses mesmos estudantes se animam para, nos jogos e nas festas, ostentarem “a melhor escola do Brasil”, cheia de encantos – mas só para os poucos vencedores que passaram no vestibular.

Essa visão está tão presente e tão arraigada nos homens e nas mulheres, que o fato de a Atlética ter uma presidente mulher não é capaz de alterar em nada o caráter machista e opressor das festas, como a festa da Senha; dos trotes, com concursos de miss e elefantinhos; dos eventos financiados e promovidos pela entidade cujo símbolo do coiote com a coiote fêmea estereotipada, dinheiro e cerveja está sempre presente.

Esse não é um fato isolado das Economíadas, está na maioria dos jogos universitários, independente das faculdades que os organizam. No InterUnesp do ano passado vimos a expressão máxima da barbaridade que permeia esses eventos com o “Rodeio das Gordas”, no qual os homens se aproximavam das mulheres que consideravam gordas, as empurravam no chão, montavam em cima e cronometravam quanto tempo conseguiam ficar sobre elas.

É importante lembrar que tanto o InterUnesp, como as Engenharíadas, as Economíadas e outros desses eventos recebem financiamento de empresas privadas, tais como as de cerveja, cuja publicidade machista é difundida na mídia e nesses tipos de festas, e das reitorias das universidades. No IE sabemos que a Atlética já tentou realizar acordos com empresas como o SANTANDER em troca de publicidade para o banco no uniforme dos times e dentro do instituto, além de receber uma verba da diretoria para a realização das Economíadas.

Ao passo que, quando há a tentativa de se contrapor a esse tipo de festa, construindo de forma politizada e consciente uma outra forma de sociabilidade, sem machismo, sem homofobia, sem hierarquia, se propondo a romper com toda a tradição tão reivindicada por essas entidades, como foi no caso do Festival Contra as Opressões promovido pelo DCE da Unesp no ano passado, a resposta dada pela reitoria são processos de sindicância aos alunos organizadores. No IE não é diferente, enquanto temos o auditório negado pela direção para a realização de ciclo de estudos de autores marxistas sob a alegação de que esse não é um assunto de relevância acadêmica, a Atlética tem as portas do auditório escancaradas para a realização do seu “Momento Economíadas”.

Diante de tudo aquilo que denunciamos nas linhas acima não cabe mais aceitarmos os discursos dos que nos dizem que essa é uma questão subjetiva, apenas uma brincadeira, que depende da interpretação individual. Esta é uma situação diante da qual não podemos mais nos calar, achando que é natural. É preciso rompermos o silêncio, é preciso denunciarmos essas atitudes, boicotando esses tipos de eventos, pressionando e discutindo politicamente com e nessas entidades para mudarmos essa realidade bárbara.

Flávia Ferreira, 09, militante do Pão e Rosas

Daphnae Picoli, 09, militante do Pão e Rosas

A precarização do trabalho tem rosto de mulher

Publicado por: seuarauto em: 17/06/2011

“Sim, a precarização do trabalho em nosso país tem rosto de mulher. E é justamente aí que reside o perigo desta constatação: o que aconteceria se milhões de mulheres pobres, trabalhadoras terceirizadas, informais, donas de casa, desempregadas, esse verdadeiro exército silencioso, se levantasse de uma só vez contra todas as formas de opressão e contra este sistema que nos explora e superexplora cada vez mais?”[1].

Nosso Brasil do crescimento e desenvolvimento econômico, do Pré-Sal, da Copa do Mundo e das Olimpíadas, incluído entre as maiores economias do mundo, esconde uma realidade muito distinta dessa aí, propagada pelo governo e pela mídia burguesa para todo o mundo. O crescimento que aconteceu com o Governo Lula e continua com o da Dilma ocorreu, como apontam os dados estatísticos do IBGE, com queda no desemprego e maior criação de empregos formais, ocupados principalmente pela força de trabalho feminina. Contudo, o que permanece oculto é que estes postos de trabalho são, na realidade, trabalhos precarizados, sem estabilidade, sem condições decentes no local de trabalho e com contratos flexibilizados – sem garantia de direitos historicamente conquistados, como licença-maternidade, 8 horas diárias de trabalho e auxílios -, permitindo que os trabalhadores ganhem menos de um salário mínino.

Essa realidade do mercado de trabalho que parece tão distante está escancarada na nossa frente. Os terceirizados da limpeza, do bandejão, da segurança, da construção civil aqui da Unicamp são todos empregados com esse tipo de contrato. Trabalham dez horas por dia, inclusive finais de semana, e recebem (líquido) menos que um salário mínimo, não possuem lugar para descansar (no IE, por exemplo, as terceirizadas descansam no bosque porque não possuem um local adequado para ficarem durante o horário de almoço), não possuem direitos trabalhistas, não podem faltar nem se estão doentes porque são ameaçados de serem demitidos, são ignorados pelos alunos, professores e funcionários efetivos, não podem conversar com estes e caso o façam podem sofrer punições, serem demitidos ou transferidos para outra unidade(essa fiscalização aqui na Unicamp tornou-se mais rígida após a tentativa de contato de alguns estudantes com os trabalhadores terceirizados e a mobilização dos primeiros contra a terceirização, no ano passado), enfim, trabalham num regime de semi-escravidão.

A precarização do trabalho, chamada de terceirização, atinge toda a classe trabalhadora, mas está mais presente entre nós, mulheres. Isto porque a mão-de-obra feminina, sendo considerada por nossa sociedade capitalista como inferior à masculina, recebe salários menores e este fato serve como pretexto para que o salário de toda a classe trabalhadora seja rebaixado. Nós, mulheres, ocupamos os postos de trabalho mais precarizados, com menor remuneração e com serviços que são, em sua maioria, extensão do serviço doméstico.

Além desse trabalho realizado em condições desumanizadoras, estas trabalhadoras ainda possuem sob sua responsabilidade o serviço doméstico e o cuidado da família, realizando uma dupla jornada. De acordo com os dados do Ipea, as mulheres chefes de família e com filho trabalham cerca de 13 horas semanais a mais que os homens na mesma situação, realizam 30 horas semanais de trabalho não remunerado, ou seja, trabalho doméstico, e isso é três vezes mais do tempo gasto pelos homens na realização das mesmas tarefas. É importante ressaltar que este trabalho feito em casa é essencial para o funcionamento do capitalismo, pois irá garantir a manutenção da força de trabalho: um trabalhador precisa se alimentar, ter sua roupa lavada, passada, viver em um local limpo, caso contrário não poderá ir trabalhar e tudo isso é garantido dentro de casa, pela mulher, num papel que lhe é socialmente atribuído.

Estas trabalhadoras, ao contrário do que muitos dizem, não realizam funções secundárias dentro da universidade, são parte dela e são essenciais para o seu funcionamento. Contudo, sabemos que embora suas tarefas sejam essenciais para o funcionamento da universidade, a estes trabalhadores e aos seus filhos nunca será dada a oportunidade de ingressar na universidade com outro papel que não este. De acordo com os dados do Inep apenas cerca de 3,5% da população brasileira tem acesso ao ensino superior. O rendimento médio per capita da população é de 1,3 salários mínimos, já o dos estudantes da Unicamp é o dobro disso, 3 salários mínimos. No caso do curso de economia, um dos mais elitizados, essa renda média salta para cerca de 4,5 salários mínimos por pessoa da família.

Além disso, o conhecimento que é aqui gerado não retorna como benefícios para esses trabalhadores, ao contrário, são vendidos para as transnacionais em acordos com a reitoria e o governo do Estado, em troca de financiamento de laboratórios, festas, atléticas, intercâmbios aos estudantes, estágios. Estas são as mesmas transnacionais e empresas –representantes do imperialismo– que (como bem estudamos no nosso curso) no início dos anos 80, sob o pretexto de se ajustar a um ambiente instável de crise – gerada por elas – flexibilizaram, racionalizaram e terceirizaram a sua produção, aumentando os seus lucros por meio da superexploração dos trabalhadores em todo mundo, mas principalmente nos países subdesenvolvidos.

Estes trabalhadores e, principalmente estas trabalhadoras, mulheres, que sentem sobre si o peso da dupla exploração, dentro e fora de casa, não estão calados. Ainda nesse semestre, vimos as manifestações dos trabalhadores terceirizados em Jirau contra as condições precaríssimas de trabalho, numa obra em construção do grandioso PAC, que teve como resposta do governo federal o envio da Força de Segurança Nacional. E mais perto de nós, na USP, as trabalhadoras terceirizadas da limpeza também realizaram uma greve porque estavam trabalhando ser receber salário já havia três meses, um fato que era agravado pela razão da firma ter declarado falência. Uma greve que, no início, reivindicava apenas recebimento dos salários, transformou-se em uma luta contra a terceirização e pela efetivação sem concurso público dessas trabalhadoras, bandeira levantada também por nós do Pão e Rosas, pois se o objetivo do concurso público é provar a capacitação dessas trabalhadoras para exercerem as suas funções, a maior prova que podemos ter é o fato daquelas já as exercerem.  O apoio do SINTUSP (Sindicato dos funcionários da USP) e dos estudantes (que foram chamados pelas trabalhadoras a saírem das salas de aula e lutarem com elas) teve como resultado o pagamento dos seus salários pela Reitoria da USP, apesar de não terem sido efetivadas. É importante ressaltar que a Reitoria da USP a princípio tinha se negado a pagar estes direitos às trabalhadoras, sob a alegação de que isso era de responsabilidade da empresa que as contrataram, contudo, em razão das mobilizações, dos piquetes, dos atos e manifestações, da lutas destas trabalhadoras em aliança com os estudantes esse pagamento foi arrancado da Reitoria.

O movimento estudantil e os centros acadêmicos (especialmente este aqui, de economia, cujos alunos estudam esta questão diariamente) devem estar juntos na luta com e por estas trabalhadoras, numa perspectiva clara de uma democratização ampla e radical do acesso ao ensino superior público, gratuito e de qualidade, para que este tipo de trabalho realizado em condições desumanas não ocorra aqui na universidade e nem em local algum. Para que essa grande maioria, que não entra na universidade senão para limpar salas que nunca irão usar, construir prédios nos quais os seus filhos nunca poderão estudar, tenham acesso à universidade. Não podemos mais fechar os olhos e estudar em silêncio numa Universidade que explora trabalho semi-escravo de mulheres e homens para funcionar.

Nós, do grupo de mulheres Pão e Rosas, acreditamos que diante dessa realidade não adianta lutarmos sozinhas, é necessário que nós, mulheres, nos organizemos, para que juntas, nos aliando com os setores mais oprimidos da sociedade, consigamos exigir e arrancar os nossos direitos, tal qual nos ensinaram as trabalhadoras terceirizadas da USP. A nossa luta não deve ser contra os homens, mas sim contra esse sistema capitalista e patriarcal que nos explora e nos oprime diariamente – nos impondo dupla jornada de trabalho, exigindo de nós padrões de beleza inalcançáveis – e que necessita manter e perpetuar o machismo, a homofobia e o racismo pra funcionar. A emancipação da mulher, a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática, não virá por meio da chegada ao poder de uma ou outra mulher, que no final estão lá não para representar as milhares de trabalhadoras, tais como as terceirizadas, mas sim para atender ao interesse de uma pequena elite, da classe burguesa. Somente a partir da nossa auto-organização e da nossa luta anticapitalista e antiimperialista numa perspectiva classista poderemos mudar esta realidade.

Flávia Ferreira, 09, militante do Pão e Rosas
Daphnae Picoli, 09, militante do Pão e Rosas

[1] A precarização tem rosto de mulher, ORG. Diana Assunção. Ed. ISKRA, 2011.

Um CAECO pra quem? #2

Publicado por: seuarauto em: 16/06/2011

Ter visto o segundo debate das eleições do CAECO foi uma experiência muito peculiar. Como no primeiro, já imaginava que meu animo iria se exaltar, mas o humor (ou mau-humor) que senti diante daquela discussão, acalorada, sobre “integração” e diante do festival de acusações, que permeou o debate, é inexplicável. Por não conseguir conte-lo em mim, escrevo aqui minhas impressões dos dois debates.

Imagino que ambas as chapas tenham idéias incríveis para “integrar” todo mundo do IE, que acreditem que estão mais bem preparadas e têm mais competência para fazer isso. Mas uma coisa me chamou a atenção: como a chapa “Um CAECO para você” imagina promover essa tão famigerada INTEGRAÇÃO!

No fim da tarde de uma terça-feira fria algumas pessoas se reúnem para assistir o segundo grande debate das eleições do CAECO 2011. As chapas se preparam, as regras são explicadas em meio algum tumulto da platéia, que se ajeita como dá. O relógio é ativado e… Primeira a falar “Um CAECO para você”: Começa esclarecendo o famoso incidente da “bola de cristal” que aparentemente rendeu vários posts no Facebook. Tudo explicado, agora é hora de mostrar por que eles são melhores em “integrar”. E a justificativa? É só olhar os eventos da atlética! Eles “Integram” bastante, muita gente vai, a maioria das pessoas tem uma ligação com a atlética e/ou com seus integrantes (bem como com as pessoas que compõe a chapa, fato importantíssimo que foi citado em outro momento). O restante do debate me parece meio obscuro, já que essa fala foi o suficiente para me tirar o animo.

Ok. Vamos supor que seja verdade, vamos supor que a maioria dos alunos do IE gosta e freqüenta esses eventos (será?). Eu fico me perguntando e eu? Eu não me sinto “integrada” com a atlética, não freqüento muitos eventos da economia. Aparentemente, por ser minoria eu tenho que me conformar e seguir a tendência. Tudo bem, maioria é maioria… Mas a idéia toda dessa tal de “integração” não é juntar todo mundo? Maioria, minoria, mulheres, homens e afins? Como a chapa pretende fazer isso se já vem com essa idéia de que representa a maioria (maioria de que? De quem?) e de que essa é a função do CAECO?

E a palavra da moda é “Integração”!! Achei estranho ter ouvido poucas vezes “tolerância” e “respeito”. Para mim, é quase impossível desconectar essas três palavras. Tolerância e respeito, na minha visão, são essenciais para que ocorra essa integração megalomaníaca que se espera. Por isso além de mau humor, fiquei confusa com a posição tomada pela chapa “Um caeco para você”. Não era justamente a falta de espaço para visões diferentes que eles criticam na gestão atual? E desde quando “maioria” é “diferente”? Afinal, intolerância da maioria ou da minoria, no limite não é intolerância de qualquer forma? Talvez os integrantes da chapa não tenham pensado nisso, talvez, não tenha sido isso que eles queriam dizer. O que importa é que foi dito, mais de uma vez.

Recordo-me de um episódio do primeiro debate, em que foi feita uma pergunta nesse sentido. Ao serem questionados sobre o machismo e a homofobia, os integrantes da tal da chapa de “oposição” se colocaram, obviamente, contra essas manifestações, mas admitiram nunca terem pensado no assunto(????).

Bom, vivemos em um mundo intolerante. Um mundo repleto de pré-conceitos, fobias, pudores, fascismos, em todos os âmbitos de nossas vidas e nas relações hierárquicas que construímos e mantemos todos os dias. A intolerância, de muitos tipos, nos rodeia o tempo todo, está dentro de nós, está em todos os lugares. Não ficou claro se os integrantes da chapa “Um CAECO pra você” acredita realmente que por algum motivo transcendental, o IE está livre dessas intolerâncias e por isso, contornam discussões desse tipo, ignoram as minorias, o diferente, ou se o fazem por que não reconhecem o assunto como sendo relevante e nunca “pensaram nisso”. Acho que o festival de acusações que ocorreu durante os debates, por parte de ambas as chapas e por parte dos que estavam assistindo, é uma prova irrefutável de que infelizmente não, nosso querido Instituto de Economia não alcançou o nirvana. Outra demonstração desse fato, foi o repudio da chapa em questão, em nome de TODOS, a uma ação individual que ocorreu durante a greve- a pichação do muro- (Oh não! eu não repudiei a ação, sou minoria de novo). Por esses e outros tantos fatos vou supor a segunda opção: eles não reconhecem o assunto como sendo relevante.

Dessa forma, a questão que ficou martelando na minha cabeça foi: como posso acreditar que uma chapa que não consegue identificar essa intolerância tão obvia, a ponto de nunca ter se proposto a refletir sobre ela; e parte do pressuposto de que a “maioria” e “todo mundo” são sinônimos, pode realmente conseguir unir pessoas de diferentes tipos para construir um espaço de e com todos? A conclusão: acho que não posso acreditar.

Eu não quero um centro acadêmico da maioria, nem da minoria, nem de ninguém. Eu quero um centro acadêmico livre de qualquer tipo de pensamento pré-moldado. Um espaço em que todas as manifestações, atividades, propostas, idéias, sejam bem-vindas. Um espaço dos estudantes e para os estudantes. Utópico? Talvez. Mas para mim isso sim é integração e eu acho que a chapa um “CAECO para você” está caminhando na direção contraria.

Marina 09

Um CAECO pra quem?

Publicado por: seuarauto em: 15/06/2011

Não pensava originalmente em escrever nada sobre as atuais eleições do CAECO, mas me senti pressionado a fazê-lo por conta dos debates que tive o desprazer de assistir nas últimas duas semanas. Sim, por uma lado foi ótimo ver nosso pacato instituto conseguir mobilizar gente e ideias num debate. Convenhamos com pesar, não é algo patente na nossa “febril e fabril” rotina estudantil.

Mas o que teria me feito romper o silêncio? Despejo de uma só vez: a prática irresponsável e inconseqüente do uso da mentira e da falácia pra mobilizar de forma pequena e tacanha a opinião dos estudantes. Nada de novo no instituto. Seria possível que teríamos que nos acostumar com “laplaneadas” desse calibre?

No ano passado fui acusado nominalmente pelo diretor deste instituto, juntamente com Daniel Costa, de sozinhos inventarmos, manobrarmos e sustentarmos uma greve. O motivo, segundo o diretor, era um interesse político partidário de nossa parte. O que estava em questão? O envio de nomes de alunos da Atlética para a reitoria e consequentemente para a polícia. Esses nomes foram salvos, graças à ação autônoma dos estudantes (vulgo greve e protesto pelos mesmos). Mas mesmo assim 4 estudantes do CAECO tiveram seus nomes enviados e eu e Daniel fomos completamente tolhidos de qualquer perspectiva dentro do instituto. Fato que pra mim se confirmou com a perseguição que sofri este ano no exercício, pelo meu quarto ano, de PED de introdução a economia (o qual me vi obrigado a largar). Fato: nem eu, nem Daniel temos qualquer envolvimento partidário, fato de conhecimento amplo, principalmente entre nossos círculos de amigos e que nos rendem recorrentes críticas dos mesmos (diga-se, fazer parte de um partido, na última vez que chequei, não é crime nem moralmente condenável). Mas o Sr. Diretor em nenhum momento pensou em saber se sua acusação procedia.  Retomo essa pequena história porque os debates tiveram 2 elementos centrais e reincidentes. De um lado, a gestão da chapa que encerra seu ciclo (“Despertar é preciso”, doravante DeP) e por outro, o envolvimento da chapa “Um CAECO pra você” (1Cpvc) com a atlética. Gostaria de desenvolver alguns questionamentos sobre ambos.

Em primeiro lugar, gostaria de entender melhor a esquizofrênica relação que a aspirante “1Cpvc” mantém com a atual chapa, “DeP”. Pelo que entendi, a atual chapa faz tudo errado, não faz nada pelos alunos do IE, é objeto de manobra político-partidária e também abre mais espaço pra outros centros acadêmicos do que para os próprios estudantes do IE. Eis, senhoras e senhores, uma verdadeira “laplaneada”. Tive contato muito próximo com a chapa “DeP”, pois fui representante discente na congregação do IE em grande parte do seu mandato. Como tal, sempre me reportei à entidade que de fato representa à coletividade estudantil do IE, o CAECO. Compareci a reuniões e sempre que fui procurado tentei atender às solicitações dessa entidade representativa. Aliás, foi como representante estudantil que tomei ciência da situação que veio a originar a greve de 2010.  Ocorre que desde 2002, ano em que ingressei no IE (estou no doutorado), esta foi a chapa que mais fez em prol dos alunos deste instituto. Cito, de memória, a reativação da representação na Comissão de Graduação, uma choppada sem trote (a despeito dos esforços de alguns), discussões sobre as reformas da graduação e da pós, discussões sobre a formação do economista e o curso do IE, intervenção no congresso nacional da Associação Nacional de Graduação em Economia, discussão sobre a moradia da Unicamp, empréstimo de dinheiro a Atlética que passava por dificuldades financeiras, elaboração de uma avaliação de curso alternativa à péssima elaborada pela comissão de graduação, debate entre ideias partidárias (pasmem!) para as eleições presidenciais, festa latino-americana, além da já mencionada justa defesa de alunos da atlética frente a um diretor que declarou e cumpriu sua delação. Só no período de greve, que sempre teve suas pautas votadas em assembléia, com votos contados apenas por alunos do IE (os alunos de outros institutos podem falar, mas não votar), lembro-me de algumas iniciativas, inclusive assinadas conjuntamente pela Atlética, ECONOMICA e CAECO, apontando problemas de ordem didática, curricular e de infra-estrutura.

O que me causou estranheza é que a chapa “1Cpvc” consegue, dentro dessa lista de feitos, afirmar, sem pestanejar, que NADA foi feito para os alunos, mesmo que reconheçam, em discurso, que discutir o curso e sua qualidade seja importante. Me pergunto, desde quando isso virou importante para esses alunos? Em 2010 uma discussão sobre o curso levou o mesmo número de alunos que o debate para o chão preto. Se o curso é uma preocupação, onde estavam esses alunos? Por que não estavam lá? Nas reuniões do CAECO, que acusaram ser manobradas por partidos e usadas por outros centros acadêmicos, por que não estavam lá? Como podem acusar, sem apresentar provas ou nada que comprove as acusações, nem mesmo seu próprio testemunho, uma vez que não freqüentaram as reuniões pra saber quem ia ou deixava de ir? Que tipo de chapa levianamente joga esse tipo de acusação? Qual a diferença entre isso e o que foi feito de forma covarde pelo diretor do IE? Me senti mal de ver essa prática “laplaneana” ser reproduzida, inclusive por alguém que defendi com o que pude (e faria de novo) naquela greve. Não me venham dizer que a chapa “DeP” não fez nada… pra quem quis participar de fato, foi uma chapa que apresentou atividades quase semanalmente. Pelo que ouvi no debate, foram discussões e atividades inclusive endossadas pela chapa atleticana. Então ao mesmo tempo fizeram e não fizeram atividades para os alunos? A chapa “1Cpvc” pede pra coletividade dos estudantes aquilo que seus próprios membros não quiseram dar: participação. Nas propostas vemos apenas itens que não pressupõem de maneira nenhuma o controle da chapa para execução: bastava participarem das reuniões do CAECO e todas elas estariam contempladas.

A solução está naquilo que fariam melhor: a integração. O que me leva à relação que os membros da chapa têm com a atlética. De fato, como próprios membros da chapa atestam, sua atuação no IE se deu pela AAA XV de Julho. No mínimo é justo que julguemos então a chapa por aquilo que sabemos que fizeram por lá. Acho sim que o esporte integra e é essencial à saúde. Mas não é o esporte que está em pauta nas eleições pro CAECO. A pergunta é: que tipo de integração os estudantes podem esperar da chapa atleticana? Só posso me basear no que sei. Sei de churrascos onde pessoas são obrigadas a comer ração no chão, onde pessoas cospem cerveja na cara de pessoas. Nada diferente do que eu presenciei no churrasco que a atlética “ofereceu” quando ingressei na Unicamp, ou no ano seguinte, ou no seguinte… Por ironia do destino, um dos membros da chapa “Prisma” foi justamente vítima dessa última prática, pelas mãos (ou pela boca?) de um membro da chapa “1Cpvc”. Querem que eu acredite que é uma prática normal cuspir cerveja na cara de outra pessoa? E pior, dizem que não podemos tratar desse assunto em termos pessoais! De fato, cuspir cerveja em alguém deve ser algo essencialmente impessoal… Mesmo que não houvesse o caso envolvendo diretamente os membros das chapas em disputa, são práticas abertamente endossadas nos churrascos da atlética e em economíadas (ou alguém proíbe isso? E sim, já fui em 2 economíadas). Eu definitivamente não quero a generalização desse padrão através do CAECO.

Outro item que me comove é a preocupação dos ex-atleticanos com o orçamento e balanço do CAECO (que está afixado em sua sede). A atlética não recebe repasse de dinheiro público, tal qual o CAECO? Então se “accountability” é tão importante, por que essas mesmas pessoas de espírito público não divulgaram os balanços da atlética? Por que não alteraram o estatuto da atlética para que os alunos do IE possam saber onde e com que são gastos os recursos públicos? Por que as reuniões da atlética não são abertas ao público se a entidade recebe e gasta recursos públicos? Por que, magicamente, isso se torna um problema pro CAECO mas não pra Atlética? Não se trata aqui de questionar se membros desviaram dinheiro, pra mim isso é impensável, mas prestar contas e abrir diálogo com os estudantes e a sociedade, afinal se “o CAECO deveria ser pra você”, por que a atlética foi “só deles”? Fato é que esses mesmos estudantes poderiam muito bem ter promovido isso na atlética, mas por algum motivo pouco claro, não consideraram conveniente. Essas coisas são ou não são relevantes? Por que essa abordagem dual? O que mudou?

Fiquei decepcionado de ver como o bom trabalho da atual chapa do CAECO foi distorcido, até por aqueles que se beneficiaram dele. Teríamos um debate muito melhor se tratássemos das propostas e filosofias daqueles que virão a assumir o CAECO e não reduzir um trabalho que se teve falhas (e teve, os próprios membros da chapa têm suas críticas e estão dispostos a discuti-las), definitivamente não foi inerte, manobrado por alunos de fora do IE ou partidos políticos. Qualquer um que foi às reuniões ou compareceu às atividades pode atestar. Deixem pro Laplane “laplanear”.

Armando (02) Doutorado em Desenvolvimento Econômico

Aos professores do IE…

Publicado por: seuarauto em: 13/06/2011

Joker

Publicado por: seuarauto em: 13/06/2011

Vamos combinar?

Publicado por: seuarauto em: 13/06/2011

“(…) quia peccavi nimis cogitatione verbo, et opere: mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa” (em português: (…) porque pequei muitas vezes, por pensamentos, palavras e obras,  por minha culpa, minha culpa, minha tão grande culpa)

 

Repudiada, renegada, excluída, confusa, inverossímil, a que não serve para nada.

Faltam adjetivos para traduzir a relação entre a maioria dos estudantes do IE e a avaliação de curso realizada semestralmente.

Acompanhamos as últimas 5 ou 6 avaliações de curso coletivas. Foi um literal mais do mesmo. Mais do nada, nesse caso. Se antes a proposta era “vamos melhorar”, agora é “precisamos averiguar”, “esta mudança já consta no novo catálogo” (vendido como uma verdadeira tábua de salvação do curso). Escuta-se, discute-se, mas a sistemática é a mesma. Os professores são os mesmos, as pessoas demoram para mudar, sabe como é…

Nas avaliações de curso individuais, poucos, se não nenhum dos professores que conhecemos e tivemos aulas por dois ou mais semestres, aparentaram ter aproveitado, ou sequer notado, as críticas que lhes dirigimos através dos formulários anônimos de avaliação.

Há quem considere nosso curso anacrônico, muito criticozinho e pouco funcional. Há quem o considere, pelo contrário, crítico de menos, limitado, apologético, saudoso do que não exista mais. Há quem o considere o mais completo do país. Entretanto, caminhamos para uma mediocrização sem paralelo. Ou será que estamos sendo, nós, do IE/UNICAMP, o que nunca deixamos de ser?

“Mas na hora da cama/ Nada ficou direito/ É minha cara falar/ Não sou proveito/ Sou pura fama…”

 

E é daí que retornamos do nosso devaneio e chegamos à segunda parte. Que é a parte que nos toca, que toca aos nossos colegas de Instituto. O papel dos estudantes nisto. Há quem atue na graduação como se estivesse num drama, outros numa comédia e há ainda os que preferem o terror e os musicais, ou pior e melhor, tudo junto e misturado. Contudo, estamos encarnando atualmente colegas apenas um papel: o de PALIAÇOS [sic], consciente ou inconscientemente. Se o curso piora em várias frentes temos sim nossa parcela de culpa, apesar desta ser menor que a dos professores, que têm o poder de escolher seus pares mediante os três tipos de prova (escrita, títulos e argüição) do concurso público que os contrata (existe a imprevisibilidade dos candidatos, existe; entretanto as ditas “afinidades eletivas” já são uma barreira e tanto para isto) e cujas escolhas nem sempre correspondem (ARGUIÇÃO!) em qualidade na sala de aula na prática docente.

Onde reside nossa culpa, colegas? Reside na acomodação, acoxambração, verdadeiro pacto de mediocridade que nos permeia. “Ah”, mas dirão alguns, “a gente não pode fazer nada. Entrou no IE, comprou o pacote fechado” ou “quem entrou na dança que balance a criança”. NÃO!!! Há sim espaços decisórios para serem ocupados, onde, por mais farisaicas que sejam as discussões, há discussões! Congregação, Centro Acadêmico, Representantes Discentes de Graduação, até a Atlética (não incluímos a Empresa Júnior nesta listagem pois ela realiza um processo de seleção para os que querem nela ingressar, o que restringe seu público, o que sinceramente não concordamos; já a Atlética, bem que poderá evoluir abrindo suas reuniões a TODOS), e, por fim, o que chamou nossa atenção para este texto, a Avaliação de Curso. Aquela coletiva, no Auditório ou Sala 1 do Pavilhão de Graduação, aquela que atrai poucos gatos pingados e tem um horário meio ruim.

Não esperavámos mais nada da Avaliação após tantos desencantos, contudo assustou-nos a falta de objetividade e de articulação dos colegas para discutirem o curso. Os bixos ainda podem alegar inocência e inexperiência, mas os demais colegas, a partir da turma 010, não têm desculpas. Meus caros, estamos no Instituto de Economia da UNICAMP, não no Colégio Múltipla Escolha!

A busca incessante pelo magnífico, glorioso, destruidor de portas e obstáculos, avassalador, segregador Coeficiente (futuro) de renda (ops!!! Pequeno descuido), Coeficiente de Rendimento acaba dando o tom rumo à precarização do ensino na hora da avaliação. O tom juvenil de:

“Ai meu DEOS! Ela me deu uns 6,2 naquela prova… Essa matéria é muito difícil”;

 

 “Tia, tem que ler o Keynes pra amanhã? aaaaaah”;

 

“Vou pegar matéria com aquele professor porque ele (a) é coxa, aí eu fecho com uma boa nota pra fazer meu intercâmbio”;

 

Cara de choro nunca mudou nada. Nada que sua mãe não quisesse. Esse blábláblá acaba por impedir que os alunos (por iniciativa dos mesmos) façam uma avaliação condizente com o real interesse de aprimorar o curso,o desempenho do professor em ministrar a aula e uma própria auto-avaliação decente, o que recorrentemente alunos desse “reduto de carros zeros 1.0” não o fazem, colocando a culpa sempre no professor, com frases do tipo:

“Nossa, passei a noite inteira estudando. Por que eu fui mal? Aff! Esse professor é muito ruim”;

 

Queremos uma avaliação séria. Queremos professores sérios. Queremos concursos públicos para professores que priorizem o candidato mais apto a exercer a profissão, e não o camarada de núcleo, no qual o estágio probatório está no fim. Queremos ser sérios. Queremos um CURSO sério. Só assim teremos um país sério.

É assim mesmo. Chama na xinxa! Bota o pau na mesa! Não gostou, manifeste-se. Porque nem isso se faz. As raras manifestações, quando ocorrem, restringem-se aos grupos de e-mails ou mensagens no Orkut/Facebook, sempre na linha das “indignaçõezinhas” de plantão. Daí para pregar PRA VOCÊ algo que sempre foi seu, mas você nunca buscou nem foi atrás, já é um passo. Um passo em falso, perigoso.

Alunos, acreditem em nós, ou no ET Bilu, ou no que quiserem: busquem conhecimento! Mediocridade até agora só nos trouxe desgraça.

Professores, colaborem, participem, provoquem-nos, instiguem-nos, critiquem-nos, escrevam-nos, ajudem-nos.  E, sobretudo, abandonem o PowerPoint ou abandonem as aulas!

 Kid Bengala, Carlos Bazuca e Wilson Känu

ESPAÇO E DEMOCRACIA: QUAIS AS VIAS DE TRANSFORMAÇÃO?

Publicado por: seuarauto em: 13/06/2011

Por muito tempo a Democracia foi ovacionada como forma de regime inerente a qualquer processo de desenvolvimento capitalista econômico e social. As ideologias nela embutidas – liberdade, individualidade, representatividade, etc. – são consideradas essenciais à vida político-social contemporânea. Entretanto, diversos acontecimentos recentes têm trazido à tona o questionamento de se, de fato, a Democracia vem cumprindo seu papel. A gigante mobilização de jovens na Espanha, a qual vem se espalhando por toda a Europa Ocidental, evidencia isso: ali não se reconhece mais no regime democrático, como ele é hoje, uma via de mudança, melhoramento. Não obstante, a Primavera Árabe mostra a outra face dessa questão: as ideologias nas quais a democracia deveria se basear são almejadas, mas até que ponto na prática a Democracia já não se esvaziou delas e se tornou apenas mais um artefato do status quo?

Tanto em nosso curso de Economia quanto em debates paralelos realizados pelos próprios estudantes,as interpretações mais coerentes para cenários conflitantes como este parecem ser as totalizantes: parte-se da apresentação das relações causais sistêmicasdos dilemas sociais, tal qual a apropriação de conceitos marxistas, com os quaisse defende que a hegemonia do capital por meio de relações de poder desiguais aprisiona a lógica de funcionamento de todas as esferas da sociedade. Mesmo o tão aclamado Estado Democrático de Direito estaria submetido ao capital, tendo sua funcionalidade original (“governar para todos”) distorcida (“governar para poucos”). Dentro dessa ótica, percebemos como é impossívelcompreender as relações locais, e mesmo globais, sem antes entendermos os fatores estruturais do sistema capitalista.

Apesar de essa ser uma leitura de mundo extremamente coerente e bem formulada, indispensável para a formação crítica de qualquer indivíduo, sinto que há nela um grande defeito no que diz respeito às possibilidades de solução e intervenção diretanos problemas político-sociais tão latentes na sociedade contemporânea – ainda que convençamos o mundo inteiro de que os dilemas capitalista-democráticos são fruto do próprio sistema, se não demonstrarmos qual o papel do cidadão dentro da superação desses dilemas, poderemos estar simplesmente alimentando no consciente das pessoas a ideia de que “não tem jeito”, “o sistema é assim e não há como muda-lo”. Daí, um discurso o qual em princípio tem o intuito de estimular a transformação, pode fazer o papel inverso, reafirmando o ideário fatalista. Por isso, considero de fundamental importância que tanto a Academia quanto os próprios estudantes parem de negligenciar um assunto tão importante, passando a discutir não só sobre quais as causas, mas também quais as possibilidades concretas de transformaçãoviaação individual earticulação coletiva, das quais são exemplos as mobilizações descritas no início. Do contrário, nunca sairemos do âmbito das abstrações e nossos debates continuarão esvaziados de sentido.

Para tanto, um primeiro passo me parece ser entender como nos articulamos no espaço, ou seja, qual o nível de alcance de nossas açõesdentro da localidade imediata. Em palavras mais simples: dentro do nosso cotidiano (faculdade, trabalho, casa, etc.) o que pode ser feito? E devo ressaltar que não estou tentando, tal qual fazem diversas teorias de cunho ortodoxo, atribuir aos indivíduos a responsabilidade total do alcance do “bem-estar geral”, mas antes, ressaltando que nenhuma transformação nasce do vento, sem que antes os próprios indivíduos venham a busca-la. Se quisermos uma Democracia verdadeiramente democrática (perdão pela redundância, mas se sou redundante é só porque deixamos que a palavra se esvaziasse de seu próprio significado…) e um país mais justo é necessário que a sociedade reaprenda seu papel dentro de tal regime; e tal papel jamais pode ser o de espectador, o de agente passivo.

Nesse sentido, no que tange à articulação no espaço em prol de transformações para uma sociedade melhor, acredito que as ações individuais têm importância fundamental: a não ser que as pessoas, dentro de seus locais de vivência particular, reavaliem seu modo de vida (repensando se vale a pena ter valores como o individualismo exagerado, o consumismo desenfreado, a passividade política, entre outros que muitos não admitem carregar, mas carregam, como machismo, homofobia ou outros preconceitos em geral) a sociedade não poderá evoluir pelas vias democráticas, pois permanecerá a Democracia enquanto aglomerado de gente com interesses social, ambiental e politicamente destrutivos. Pode soar um tanto quanto ingênuo dizer que o desenvolvimento por vias democráticas depende da mudança de mentalidade e também, em certa medida, de altruísmo; mas insisto na ideia, porque me parece contraditório a possível existência de um cidadão que ao mesmo tempo em que luta por uma sociedade melhor, tem hábitos completamente opostos ao que almeja.

Entretanto, apesar de considerar a ação individual importante, acredito que é a mobilização coletiva a maior ferramenta para seprezar pelos princípios do regime democrático – e, porém, a mais negligenciada. Daí a importância de esclarecer o que entendo por mobilização coletiva, pois a alienação de todos nós em relação aos espaços nos quais poderíamos intervir é tão grande, que o termo “mobilização coletiva” logo é considerado distorcidamente por muitos como ‘coisa de esquerdinha’ ou até ‘delinquência’. Por articulação coletiva quero dizer qualquer manifestação política, ou expressão artística, ou produção de textos, ou qualquer coisa externa ao indivíduo e sua própria bolha, feita em conjunto com outras pessoas.Trata-se não só de ter a capacidade de romper com a ‘naturalidade’ de uma vida enraizada num individualismo exacerbado no qual somos todos estranhos uns aos outros, como também de gerar qualquer contraponto (estético, de discurso, de qualquer formato!) dentro da rotina incessante na qual estamos imersos.

A Democracia está longe de ser a solução para as contradições capitalistas – e talvez em grande medida seja por vezes usada para reproduzi-las… -, contudo, quando a articulação social é capaz de ocupar os espaços de expressão que por princípio devem existir nesta forma de governo, podemos dar um pequeno passo em direção a princípios tão importantes quantoa própria liberdade: equidade, justiça, respeito aos Direitos Humanos. Por isso, gostaria de dirigir este texto não àqueles que o leram e agora estão de perguntando “E eu com isso?”, mas àqueles que, ainda que discordem de absolutamente tudo o que eu disse, queiram pensar um país melhor, uma Democracia melhor. Se discordam de mim: escrevam, se expressem. Se concordam comigo: escrevam, se expressem. Precisamos reocupar os espaços reservados para nós, sociedade, dentro disto tudo. Precisamos, tal como dizia Paulo Freire, abandonar essa estúpida mentalidade da passividade, do ‘ser menos’ e substituí-la pela do ‘ser mais’, do ser agente transformador.

Jéssica (Pocahontas) 09

Fila

Publicado por: seuarauto em: 13/06/2011

Desde criança ouço que fila é coisa de comunista. Que na antiga URSS, para se obter bens básicos, como sabão, as filas eram quilométricas. Já ouvi uma história (ou uma piada) – se não me engano de um amigo dos meus pais que viveu na União Soviética –, dessas do estilo de português, de dois sujeitos que esperavam o ônibus pela manhã sentados no ponto e pegaram no sono, adormecendo um no ombro do outro. Quando acordaram, se depararam com uma dúzia de pessoas que formavam uma fila a partir deles e os olhavam com cara de curiosidade querendo saber o que os dois esperavam, que também estavam interessados em receber…

A fila é uma coisa interessante. Tudo tem fila. Dizem que é errado cortar. Dizem que todo mundo corta, então vamo que vamo. Dizem que essa história de cortar ou não vem “de casa”, da educação. Dizem que fila faz parte da vida, que paciência é uma virtude. Dizem que fila organiza a vida, dizem que desorganiza. Tem fila para a fila, às vezes fila para a senha da fila da senha. Já ouvi até que namoro é que nem fila – cada minuto que você espera é um a menos que você terá de esperar para conseguir o que quer… E muito mais blá blá blá.

Coisas assim que tenho ouvido por aí. Mas, como sou economista – ou quase um –, fila é economia. É simples. Do jeito que vejo, a economia tem três perspectivas (num grosso modo desgraçado): a de livre mercado, a do intervencionismo e, digamos, a da negação do capitalismo como modo de organização da sociedade, o famoso Marxismo. O primeiro ‘prega’ que o melhor para o bem estar coletivo é a livre iniciativa desimpedida, para que a busca individual nos leve para o aumento da riqueza coletiva, se elevem o agregado das trocas, os preços relativos se equilibrem, etc, e o mundo seja feliz para sempre. A segunda defende que o bicho é do mal, então temos que o colocar numa coleira, ou seja, o capitalismo é uma besta amoral que, se for dar lucro, vende até a alma das pessoas para o diabo, portanto precisa ser controlado, moralizando-o, norteando-o, para que a humanidade consiga usufruir de seu lado construtivo. O terceiro, no seu esforço interpretativo, argumenta que é impossível por coleira no bicho, que é patológico e ponto final; em suma, que neste sistema quando se puxa em cima se descobrem os pés, portanto já “cumpriu seu papel histórico” e está na hora de irmos desta para uma melhor.

E a fila, onde entra? A associação é direta. Se não houvesse fila, isto é, se a liberdade individual fosse, em alguma medida, soberana a uma convenção pública ou, em outras palavras, se a livre iniciativa é exercida sem nenhuma regulamentação, teríamos pessoas caoticamente formando um “bolo” em vez de fila, onde os mais fortes teriam vantagens sobre os fracos – basicamente, é a lei da selva. Por outro lado, se há fila, então temos uma ação intervencionista, de coordenação da anarquia, de planejamento, de organização. Entretanto, por que há fila? É necessária? É justa? Não estaríamos na hora de superar a fila? Dá para exigir que as pessoas tomem a fila? Acho que essa seria a conduta da terceira “vertente” de pensamento, a do marxismo.

Não sei se posso conceituar assim, mas, basicamente, é isso. E fila é isso, é conduta pela perspectiva econômica – que não deixa de ser uma ciência social, por mais que me provem o contrário. A existência da fila e a atitude de entrar na fila é isso, é economia. E economia é a fila. Assim, quando entrar calado numa fila pense que está defendendo um ideal intervencionista da livre iniciativa ou, por outro lado, quando achar que sua liberdade está acima das determinações sociais e furar a fila, você está defendendo a livre iniciativa acima da conduta coletiva socialmente convencionada. Agora, se um dia tremer de indignação perante uma fila neste mundo, então seremos companheiros…

Em tempos de hegemonia das teorias do “capital humano”, onde a educação é vista apenas pela ótica quantitativista (numero de alunos por sala, índice de aprovação, numero de artigos publicados e etc) os aspectos qualitativos do processo socioeducativo vão se esvaindo, e a educação em si mesmo vai se tornando uma grande indústria de produção e reprodução em série de conhecimentos desconexos que deixam de refletir (direta e indiretamente) os problemas apresentados pela realidade. Assim, as discussões programáticas passam girar em torno apenas daquilo que se ensina e não como e de que forma se ensina.

O maior educador do Brasil, Paulo Freire, em vida, foi um dos que mais discutiu estas questões. Consciente das relações de dominação e opressão em nossa sociedade, Paulo Freire, propunha uma educação que não reproduzisse tais relações, e sim a superasse, constituindo uma verdadeira educação libertadora, catalizadora de uma ação e reflexão, que possibilitasse “armar” os oprimidos no seu próprio processo de emancipação.

É neste movimento que ele vai criticar a educação “bancária”, a educação narrativa, unidirecional, que “enche” os alunos (fragmentos da realidade) de conteúdos desconexos (como arquivos segmentados) e vazios de elementos concretos. A ênfase no “o mundo é” teria como pressuposto uma realidade imutável, cujo saber em si, por sua vez, seria antes uma doação, já que supõe um ser que sabe e um ser que não sabe. Há por de trás desta análise uma absolutização da ignorância, que o educador aliena ao educando. Como consequência, este tipo de educação pressupõe a existência de apenas um sujeito (educador) e de um objeto (educandos), onde a realidade é posta como algo petrificada, parada e bem comportada, faltando uma visão de totalidade do mundo, cuja absorção dos conteúdos passa a se dar por meio de memorizações mecânicas. Os educandos se tornam vasilhas ou gavetas onde conhecimentos externos são depositados ou arquivados. Obviamente, para o mesmo autor, este tipo de educação serviria antes aos opressores do que aos oprimidos, visto que o educando é impedido de ser sujeito, ao anular seu poder criador. Assim, os oprimidos não conseguiriam seguir sua vocação histórica de ser mais.

É nestes marcos, portanto, que o Paulo Freire vai abordar a necessidade de se construir uma outra educação, uma educação problematizadora, partindo de outras premissas e princípios. Esta “nova” educação partiria da visão dos homens como corpos conscientes, cuja mesma é intencionada ao mundo e, portanto, não existe consciência separada do homem e nem separada do mundo. Logo, o saber não é algo alheio à realidade e a outros homens, mas antes é fruto da interação entre homens e o mesmo com o mundo. O conhecimento é coletivo, e portanto “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre sí, em comunhão, mediatizados pelo mundo”. Assim, a educação se dá, não na transferência, mas no diálogo, ondo a problematização do objeto do conhecimento (qualquer que seja) será a grande mediatizadora dos sujeitos cognoscentes (educador e educando). Ao contrário da educação bancária, na qual o objeto passível de conhecimento é o fim do ato cognoscente do sujeito, na educação problematizadora o objeto cognoscível é o meio para entrar nos sujeitos cognoscíveis. Ou seja, a reflexão sobre a realidade, sobre o mundo, deve voltar-se para a reflexão sobre si já que não existe separação entre sujeito e objeto (entre o homem e o mundo). Na medida em que vamos conhecendo o mundo (objeto), vamos aumentando o conhecimento sobre nós mesmos e sobre os outros (sujeitos). Esta educação responderia, nestes marcos, à consciência da consciência: conhecer a si não é nada mais do que conhecer a sua história, o seu posicionamento no mundo.

Consequentemente, o educador ao perceber a complexidade do mundo e que o mesmo está em constante mutação, está em constante aprendizado, não alienando sua ignorância. O educador se torna um educador-educando. Ademais, a incidência da reflexão da realidade entre os educadores e os educandos através do diálogo permite ao educador-educando refazer constantemente o seu conhecimento por meio do próprio conhecimento do educando. Logo, o educando passa a ser um educando-educador.

Nesta nova relação os educandos (agora educandos-educadores) são chamados a conhecer, e não a memorizar; a imersão da consciência na realidade tem como resultado uma emersão critica da realidade; a própria problematização da realidade leva aos agentes deste processo a integrarem as partes do conhecimento (por meio das suas interconexões) de modo a formar uma visão de totalidade da realidade. A imersão e a reflexão crítica dos problemas faz com que o conhecimento supere o nível da “doxa” (ingenuidade, senso comum), e siga o nível do “logos” (“razão”).

Esta seria, assim, uma educação como pratica libertadora, já que veria os homens como seres históricos, inconclusos, conscientes da sua historicidade e inconclusão, na busca de ser mais. A educação passa a ser um “quefazer” permanente, já que o mundo não é, está sendo!

“Esta busca do ser mais, porém, não pode realizar-se no isolamento, no individualismo, mas na comunhão, na solidariedade dos existires, daí que seja impossível dar-se nas relações antagônicas entre opressores e oprimidos. Ninguém pode ser, autenticamente, proibindo que os outros sejam, esta é uma exigência radical. O ser mais que se busque no individualismo conduz ao ter mais egoísta, forma de ser menos. De desumanização. Não que não seja fundamental – repitamos – ter para ser. Precisamente porque é, não pode o ter de alguns converter-se na obstaculização ao ter dos demais, robustecendo o poder dos primeiros, com o qual esmagam os segundos, na sua escassez de poder”. (Paulo Freire)

Nome aos Bois II

Publicado por: seuarauto em: 13/06/2011

 

Mariano Laplane

Leopoldo Gautieri

Claudio Maciel

Emílio Garrastazu Médici

José Tadeu Jorge

Dom João VI

Fernando Costa

Josef Stalin

Zeferino Vaz

Jean Willys

Humberto Miranda

Dorival Caymmi

Wilson Cano

Carlos Bazuca

Mauricio Coutinho

Dom Casmurro

Luciano Coutinho

Eike Batista

José Serra

Conde Drácula

Paulo Renato Souza

Paulo Maluf

Pedro Luiz Barros Silva

Orestes Quércia

Eduardo Fagnani

Aécio Neves

Pedro Paulo Zahluth Bastos

Jader Barbalho

David Dequech

Tostão

Paulo Sérgio Fracalanza

Huguinho

Célio Hiratuka

Zezinho

Fernando Sarti

Luisinho

João Manuel Cardoso de Mello

Zélia Cardoso de Mello

Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo

Bernard Madoff

José Maria da Silveira

Klaus Schreck

Ricardo Carneiro

Pedro de Lara

Irmãos Dedecca

Irmãos Metralha

Nelson Prado

Nelson Piquet

Sergio Prado

Gugu Liberato

Paulo Eduardo Baltar

Paulinho da Força Sindical

Juan Miguel Bacic

Carlitos Tevez

Ulysses Cidade Semeghini

Edivaldo Orsi

Edgard Antonio Pereira

Tio Patinhas

Gustavo Zimmermann

Armando Falcão

Ademar Ribeiro Romeiro

Blairo Maggi

 

 

 

 

E para nós, alunos? Silvio Santos: “A festa continua/ A casa é sua, pode entrar!”

 

Assinado: Assssssszzzzzzzpirante à Economista

Enquanto isso, na Espanha:

Publicado por: seuarauto em: 07/06/2011

*DIFUNDIR> Propuestas asamblea acampada Sol> Lo que pide Sol*

el Viernes, 20 de mayo de 2011 a las 16:14

Hola amig@s, estas son las propuestas aprobadas en la
asamblea de la protesta de Sol. Dificilmente se oirán en los medios y la
página web no para de caerse así que está bien difundirlas por email.

Abrazos!

Haced un esfuerzo para leerlas!!

Estas son algunas de las medidas que, en cuanto ciudadanos, consideramos
esenciales para la regeneración de nuestro sistema político y económico.
¡*Opina sobre las mismas y propón las tuyas en el foro*!

1. ELIMINACIÓN DE LOS PRIVILEGIOS DE LA CLASE POLÍTICA:

o   Control estricto del absentismo de los cargos electos en sus
respectivos puestos. Sanciones específicas por dejación de funciones.

o   Supresión de los privilegios en el pago de impuestos, los años de
cotización y el monto de las pensiones. Equiparación del salario de los
representantes electos al salario medio español más las dietas
necesarias indispensables para el ejercicio de sus funciones.

o   Eliminación de la inmunidad asociada al cargo. Imprescriptibilidad
de los delitos de corrupción.

o   Publicación obligatoria del patrimonio de todos los cargos públicos.

o   Reducción de los cargos de libre designación.

2. CONTRA EL DESEMPLEO:

o   Reparto del trabajo fomentando las reducciones de jornada y la
conciliación laboral hasta acabar con el desempleo estructural (es
decir, hasta que el desempleo descienda por debajo del 5%).

o   Jubilación a los 65 y ningún aumento de la edad de jubilación hasta
acabar con el desempleo juvenil.

o   Bonificaciones para aquellas empresas con menos de un 10% de
contratación temporal.

o   Seguridad en el empleo: imposibilidad de despidos colectivos o por
causas objetivas en las grandes empresas mientras haya beneficios,
fiscalización a las grandes empresas para asegurar que no cubren con
trabajadores temporales empleos que podrían ser fijos.

o   Restablecimiento del subsidio de 426EUR para todos los parados de
larga duración.

3. DERECHO A LA VIVIENDA:

o   Expropiación por el Estado de las viviendas construidas en stock que
no se han vendido para colocarlas en el mercado en régimen de alquiler
protegido.

o   Ayudas al alquiler para jóvenes y todas aquellas personas de bajos
recursos.

o   Que se permita la dación en pago de las viviendas para cancelar las
hipotecas.

4. SERVICIOS PÚBLICOS DE CALIDAD:

o   Supresión de gastos inútiles en las Administraciones Públicas y
establecimiento de un control independiente de presupuestos y gastos.

o   Contratación de personal sanitario hasta acabar con las listas de
espera.

o   Contratación de profesorado para garantizar la ratio de alumnos por
aula, los grupos de desdoble y los grupos de apoyo.

o   Reducción del coste de matrícula en toda la educación universitaria,
equiparando el precio de los posgrados al de los grados.

o   Financiación pública de la investigación para garantizar su
independencia.

o   Transporte público barato, de calidad y ecológicamente sostenible:
restablecimiento de los trenes que se están sustituyendo por el AVE con
los precios originarios, abaratamiento de los abonos de transporte,
restricción del tráfico rodado privado en el centro de las ciudades,
construcción de carriles bici.

o   Recursos sociales locales: aplicación efectiva de la Ley de
Dependencia, redes de cuidadores locales municipales, servicios locales
de mediación y tutelaje.

5. CONTROL DE LAS ENTIDADES BANCARIAS:

o   Prohibición de cualquier tipo de rescate o inyección de capital a
entidades bancarias: aquellas entidades en dificultades deben quebrar o
ser nacionalizadas para constituir una banca pública bajo control social.

o   Elevación de los impuestos a la banca de manera directamente
proporcional al gasto social ocasionado por la crisis generada por su
mala gestión.

o   Devolución a las arcas públicas por parte de los bancos de todo
capital público aportado.

o   Prohibición de inversión de bancos españoles en paraísos fiscales.

o   Regulación de sanciones a los movimientos especulativos y a la mala
praxis bancaria.

6. FISCALIDAD:

o   Aumento del tipo impositivo a las grandes fortunas y entidades
bancarias.

o   Eliminación de las SICAV.

o   Recuperación del Impuesto sobre el Patrimonio.

o   Control real y efectivo del fraude fiscal y de la fuga de capitales
a paraísos fiscales.

o   Promoción a nivel internacional de la adopción de una tasa a las
transacciones internacionales (tasa Tobin).

7. LIBERTADES CIUDADANAS Y DEMOCRACIA PARTICIPATIVA:

o   No al control de internet. Abolición de la Ley Sinde.

o   Protección de la libertad de información y del periodismo de
investigación.

o   Referéndums obligatorios y vinculantes para las cuestiones de gran
calado que modifican las condiciones de vida de los ciudadanos.

o   Referéndums obligatorios para toda introducción de medidas dictadas
desde la Unión Europea.

o   Modificación de la Ley Electoral para garantizar un sistema
auténticamente representativo y proporcional que no discrimine a ninguna
fuerza política ni voluntad social, donde el voto en blanco y el voto
nulo también tengan su representación en el legislativo.

o   Independencia del Poder Judicial: reforma de la figura del
Ministerio Fiscal para garantizar su independencia, no al nombramiento
de miembros del Tribunal Constitucional y del Consejo General del Poder
Judicial por parte del Poder Ejecutivo.

o   Establecimiento de mecanismos efectivos que garanticen la democracia
interna en los partidos políticos.

8. REDUCCIÓN DEL GASTO MILITAR

Pelo que lutamos?

Publicado por: seuarauto em: 25/05/2011

Se há algo de que os estudantes do Instituto de Economia não podem reclamar, é da falta de controvérsias. Ultimamente, elas têm sido abundantes. Apenas para ficar nos casos mais evidentes, basta lembrar as recentes negativas por parte da Direção do Instituto a pedidos de uso do auditório ou de salas de aula para a realização de atividades organizadas por estudantes do IE, o eterno debate em torno aos critérios da CAPES, a restrição por meio de trava eletrônica ao acesso ao SPD da Pós, a reforma da grade curricular dos programas de pós-graduação, ou o mais emblemático de todos os casos, a greve de 2010. Já faz algum tempo que temos visto manifestações de insatisfação dos estudantes, de modo recorrente e chegando ao ápice na referida greve. O que estaria alimentando essa inquietação, essa efervescência? Parece que os termos das polêmicas sempre se pautam pelo que deva ser a Universidade Pública, bem como pelos seus rumos, qualquer que seja a posição que se tenha a respeito. Parece conveniente uma tentativa de exploração do assunto a partir desse ponto, que obviamente é de importância crucial para o movimento estudantil.

A Universidade não é uma entidade à parte da sociedade. É, antes de tudo, parte integrante de determinada sociedade, respondendo às necessidades colocadas pela mesma. Acontece que a sociedade é constituída por forças heterogêneas, com interesses divergentes em disputa. Entram nesse ponto as relações de poder. Determinadas forças, determinados interesses no seio de uma sociedade, conseguem prevalecer sobre os demais. A Universidade é moldada pelo conjunto de forças sociais dominantes do momento. Qual a implicação disso? Isso significa que a luta por uma nova universidade, por um projeto de Universidade Pública, transcende o seu próprio espaço, está para além de seus muros (ou cercas). A construção de uma Universidade de caráter realmente público não pode ser produto de nenhuma mente iluminada, devendo ser aquela que responda a interesses e necessidades concretos da maioria da população, aquela que esteja de fato a serviço da maioria – que hoje não tem acesso à mesma e está totalmente alheia aos critérios e decisões que regem ensino, pesquisa e extensão – ainda que seja quem pague a conta. Nesse sentido, a Universidade Pública só pode ser produto de uma vontade coletiva e de forças transformadoras que se proponham reconstruir o edifício social de cima a baixo. Em suma, o problema da Universidade Pública não será resolvido, no fundamental, a partir de dentro, mas somente com a transformação da própria sociedade.

Isso significa que as lutas pela Universidade Pública e, em particular, o movimento estudantil, sejam em vão? Longe disso. O movimento estudantil, como qualquer luta social, é fundamental. E o será tanto mais se tiver clareza de que sua luta não pode ser encarada de forma separada do conjunto das lutas políticas que atravessam a estrutura social, devendo articular-se com as mesmas em seus princípios mais elementares. Não será o movimento estudantil a definir o que deva ser a Universidade Pública, mas sim os próprios dilemas que a realidade coloca e as forças sociais transformadoras que se proponham a dar-lhes solução positiva. Ainda assim, insistimos, ao contrário do que possa parecer à primeira vista, cabe ao movimento estudantil um papel radical, necessário para ajudar no parto de uma Universidade para e a serviço da maioria. Pois há um fundamento imprescindível à concretização de tal projeto, e que se coloca atualmente como contradição das mais gritantes na Universidade: a luta pela democracia.

A luta pela democracia deve ser o eixo da luta do movimento estudantil (não a democracia formal, mas aquela que tem como fundamento a igualdade). Pois, primeiro, tal é o denominador comum de todas as lutas sociais, que pode dar a articulação entre movimentos; segundo, é base para afirmar-se o caráter público da Universidade. Se postas nesses termos, as batalhas do movimento estudantil colocarão à mostra as contradições que atravessam de cima a baixo a Universidade hoje existente, o projeto e as forças sociais que lhe são subjacentes. Há de se travar uma luta pela democratização do acesso, pela democratização dos processos políticos e de decisão dentro da Universidade, pela democratização do espaço e do debate, pela construção e proliferação de espaços de debate que transcendam a problemática posta pelos programas dos cursos.

Nesse ponto, voltamos aos nossos problemas concretos. Tudo indica que o que está na base dos conflitos e controvérsias que temos visto recentemente no nosso Instituto (e também na Universidade como um todo) é a exclusão dos estudantes das decisões que lhes afetam direta ou indiretamente, é o modo arbitrário e nada transparente como se chegam a tais decisões, é o espaço circunscrito para o debate, são as reações desproporcionais de força a demandas elementares etc. É natural, portanto, que, para aqueles que se colocam o problema, haja profunda insatisfação e sentimento de revolta. É assim que o movimento estudantil precisa colocar-se com precisão seu objetivo, para que a luta, e as formas de luta a cada novo momento e novo fato ao qual deva responder, não redunde em desperdício de forças, e que possa dar sua contribuição no lançamento das bases de uma Universidade Pública, no mais profundo sentido do termo.

João Paulo Camargo – DTE

O trauma do renascimento neoclássico

Publicado por: seuarauto em: 19/05/2011

 “It is a vulgar fallacy to suppose that scientific inquiry cannot be fundamental if it threatens to become useful, or if it arises in response to problems posed by the everyday world. The real world, in fact, is perhaps the most fertile of all sources of good research questions calling for basic scientific inquiry.” Simon, 1979.

             A oposição atual da ciência econômica em uma espécie de quantitativismo (abstrato/positivo) vs. qualitativismo (crítico/normativo) pode não ser tão profunda assim como alguns/algumas argumentam. O meu argumento é que essa aparente cisão metodológica advém da radicalização na teorização econômica neoclássica, o que fez com o diálogo pluralista fosse encerrado, e não de uma incompatibilidade intrínseca.

            Após a espetacular queda da teoria neoclássica no final dos anos 20, o “renascimento” não tardou e começou já no final da II Guerra Mundial. Apesar dos “anos de ouro” do capitalismo ter coincidido com a predominância de um “keynesianismo bastardo” nas políticas econômicas, na academia a situação era outra. Com o avanço da economia matemática e consequentemente do equilíbrio geral, teoria estatística da decisão, teoria dos jogos e expectativas racionais, este mix se tornou fortemente imperativo a partir dos anos 70.

            No entanto, o que quero chamar atenção é que até o frenesi utópico dos anos 80, da busca da integração micro-macro e o graal da previsão, a ciência econômica não era uma pronunciada escolha de clubes. Para ilustrar a existência de diálogo mesmo entre a extrema ortodoxia darei dois exemplos: Kenneth Arrow e John Muth.

            Kenneth Arrow juntamente com Gerard Debreu formalizaram o equilíbrio geral walrasiano[i], contudo, Arrow não deixava de lado trabalhos de proposição normativa. Seus trabalhos de maior repercussão talvez foram um sobre bem-estar e alocação de recursos para invenção[ii] e um sobre aprendizado[iii]. “A contribuição [destes dois trabalhos] é fundamental por localizar a atividade inventiva no contexto das decisões econômicas, envolvendo formas organizacionais, financiamento da atividade de inovação e suas implicações para a análise do bem-estar”, atenta o prof. José Maria[iv].

            Já Herbert Simon (proponente da racionalidade-limitada) classifica[v] o surgimento da teoria das expectativas racionais como uma ironia histórica, pois foi derivada de um trabalho conjunto dele com John Muth, Charles Holt e Franco Modigliani[vi]. Este trabalho, de cunho normativo, tinha como objetivo entender melhor como os gerentes tomam decisões frente à incerteza e flutuações de demanda, visando maior estabilidade da produção e do emprego. Sendo que a partir de apenas um dos casos específicos, Muth generalizou para padronizar o comportamento humano e escreveu um artigo[vii].

            O problema então é quando as correntes de pensamento perdem o diálogo, isolam-se e subjugam-se. Em todo conflito há um perdedor, independentemente de quem começa. Posteriormente com a radicalização – que também envolveu a esfera política – enquanto a macroeconomia do equilíbrio geral com microfundamentação das expectativas racionais “levou a melhor”, as outras correntes viram seus orçamentos de pesquisa serem cortados, seus conselhos renegados e suas proposições políticas taxadas de não-científicas.

            Hoje em dia temos o pior dos mundos, crise econômica e social global e crise na academia. Tem-se uma ciência traumatizada; grosseiramente, de um lado a arrogante decepção do método, de outro um certo ar de vingança e a recusa de incorporar qualquer coisa que remeta primeiramente aos neoclássicos e mais fortemente aos métodos quantitativos. Neste caso, vale a pena relembrar o ditado, “tudo será em vão se jogarmos fora o bebê com a água da banheira”.

 Guilherme B. R. Lambais (marinho 04), MDE

 

Agradeço os comentários de Vitor Bukvar (paraná 05), MDE e Gustavo Zullo (05), MDE 


 

[i] Kenneth Arrow e Gerard Debreu. Existence of an equilibrium for a competitive economy. Econometrica, v. 22, n. 3, 1954.

[ii] Kenneth Arrow. Economic welfare and the allocation of resources for invention, in Nelson, R.R. (ed.), The rate and direction of inventive activity, Princeton University Press, 1962.

[iii] Kenneth Arrow. The Economic Implications of Learning by Doing. Review of Economic Studies,      v. 29, n. 3, 1962.

[iv] José Maria da Silveira. Apresentação (idéias fundadoras). Revista Brasileira de Inovação, v. 7, n. 2, 2008.

[v] Herbert Simon. Rational Decision Making in Business Organizations. American Economic Review,  v. 69, n. 4, 1979. (aula do Nobel).

[vi] Holt, Modigliani, Muth e Simon. Planning Production Inventories and Work Force, Englewood Cliffs, 1960.

[vii] John Muth. Rational expectations and the theory of price movements. Econometrica, v. 29, n. 3, 1961.

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